domingo, 1 de maio de 2016

Uso de Zeólita como aditivo na alimentação de cães e gatos

Pamela Oliveira dos Santos

Introdução

A população de animais de estimação cresce proporcionalmente ao número de pessoas. Segundo a Assofauna, 63% das famílias brasileiras de classe A e B possuem animais de companhia e os consideram como membros da família e este número passa para 64% quando se trata da classe C. Dentre os animais de estimação, os que mais se destacam são os cães e os gatos, devido a proporcionarem maior interação com seus donos. Com essa aproximação e forte vínculo emocional estabelecido, os animais que antes ocupavam os quintais passam a conviver com seus donos dentro de casas e apartamentos e com isso surge a preocupação dos proprietários com a qualidade de fezes de seus animais de companhia, buscando fornecer aos seus bichinhos dietas que resultem em melhor consistência fecal e menor odor.

Essa preocupação resulta no aumento de pesquisas envolvendo o desenvolvimento de aditivos nas rações que melhorem a qualidade fecal. Os aditivos, ou seja, substâncias, microrganismos ou produtos formulados e adicionados intencionalmente aos alimentos, que não são utilizados normalmente como ingredientes, tenham ou não valor nutritivo e que melhorem as características dos produtos destinados à alimentação animal, melhorando o desempenho dos animais sadios e atendendo às necessidades nutricionais.(IN 13/2009 - MAPA). Tem seu uso nas rações com o objetivo de promover uma nutrição de qualidade aos animais de companhia. De modo que, não só as necessidades nutricionais sejam supridas, mas também outros benefícios, como longevidade, melhora na saúde bucal, qualidade de pêlos, fezes bem formadas e com pouco cheiro ( LOWNDES,F.G.2014).

Para melhora das características fecais, são utilizados os aditivos adsorventes, ou seja, substâncias capazes de se ligar à micotoxinas, gases e água de modo a transportá-las para fora do trato gastrintestinal do animal (BELLAVER, 2001). Dentre esses aditivos os mais usados são as zeólitas, que possuem estruturas microporosas, o que garante a adsorção do excesso de água e gases do trato gastrintestinal, diminuindo a umidade e o odor desagradável das fezes dos animais.

Zeólitas

A origem do nome zeólita provém das palavras gregas “zeo” (ferver) e “litho” (pedra) e significa pedras que fervem (COOMBS et al., 2008). Foram identificadas pelo mineralogista sueco Axel Frederick Consted em 1756 pela característica de liberar bolhas quando imersas em água. Porém o conceito associado à sua capacidade de adsorção foi somente descoberto em 1929 (BRAGA e MORGAN, 2007).

As zeólitas são aluminossilicatos hidratados de metais alcalinos ou alcalinos terrosos formadas por tetraedros de AlO4 e SiO4 ligados entre si por meio de átomos de oxigênio. Cada átomo de oxigênio é comum a dois tetraedros vizinhos originando assim uma estrutura microporosa (COOMBS et al., 2008). Essa estrutura cristalina associada a alta capacidade de intercâmbio catiônico, aumentam a densidade do bolo alimentar diminuindo a velocidade de trânsito do alimento através do aparelho digestivo, refletindo em uma melhor digestão e absorção de nutrientes.

Existem as zeólitas naturais (formam-se em locais onde camadas de rochas vulcânicas e cinza vulcânica reagem com agua alcalina) e as sintéticas. Hoje já são mais de 42 espécies de zeólitas naturais catalogadas e mais de 150 espécies sintéticas desenvolvidas. No entanto, o baixo custo das zeólitas naturais em relação sintéticas tem feito com que essas sejam mais amplamente utilizadas na alimentação animal. Sendo a Clinoptilolita a mais usada na alimentação de cães e gatos.

Melhorias no odor e escore fecal são alcançadas através de formulação de dietas que contenham como aditivo a inclusão de zeólitas. Estudos comprovam que o fornecimento dos alumínios silicatos hidratados nos níveis de 0,75% e 1,0% em rações comerciais para cães (Maia et al. 2010) e 0,5 % e 1,0% em rações para gatos( Santos et al.2010) melhoram a qualidade das fezes, podem propiciar maior digestibilidade dos nutrientes e não afetam negativamente a palatabilidade das dietas . Portanto, em dietas extrusadas para cães e gatos a inclusão de 15 g/kg de zeólita na massa é suficiente para melhora das características fecais.

Referências:

ASSOFAUNA. Histórico do Mercado Pet. Disponível em: http://www.petbr.com.br/cons13.asp

BELLAVER, C. Ingredientes de origem animal destinados à fabricação de rações. In: SIMPÓSIO SOBRE INGREDIENTES NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL, 2001, Campinas. Anais...Campinas, SP:CBNA, 2001.p.167-190.

BRAGA, A.A.C. & MORGAN, N.H. Descrições estruturais cristalinas de zeólitos. Química Nova, 30:178-188. 2007.

COOMBS, D.S.; ALBERTI, A.; ARMBRUSTER, T.; ARTIOLI, G.; COLELLA, C.; GALLI, E.; GRICE, J.D.; LIEBAU, F.; MANDARINO, J.A.; MINATO, H.; NICKEL, E.H.; PASSAGLIA, E.; PEACOR, D.R.; QUARTIERI, S.; RINALDI, R.; ROSS, M.; SHEPPARD, R.A.; TILLMANNS, E. e VEZZALINI, G. Recommended nomenclature for zeolite minerals: report of the Subcommittee on Zeolites of the
International Mineralogical Association, Commission on New Minerals and Mineral Names. Can. Mineral., 35:1571-1606. 2008.

LOWNDES,F.G. Uso de zeólita na alimentação de cães. 2014 . Disponível em : http://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/35374/R%20-%20D%20-%20FERNANDA%20GONCALVES%20LOWNDES.pdf?sequence=1

MAIA,C.V;GUSTAVO,SAAD,O.B;FLAVIA.M,ROQUE,C.N,FRANÇA,J.LIMA,M.S;AQUIN,A.ADRIANA. Zeólitas e Yucca schidigera em rações para cães: palatabilidade,digestibilidade e redução de odores fecais1 R. Bras. Zootec., v.39, n.11, p.2442-2446, 2010,Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbz/v39n11/v39n11a17.pdf

SANTOS,J.P.F.; Saad F.M.O.B; N.C. Roque; A.A. Aquino; C.P. Pires; L.F. Geraldi. Yucca schidigera e zeólita em alimento para gatos adultos e seus efeitos na excreção de minerais.2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-09352011000300021