domingo, 21 de agosto de 2016

Prebióticos e probióticos na alimentação de animais de estimação

Daniele Cristina de Lima, Marina Volanski Teixeira Netto, Ronan Omar dos Santos, Camilla Mariane Menezes Souza

Introdução

 photo prebioticos_zpsxsrx2qlw.jpg Na busca de melhorar a qualidade de vida e a longevidade de cães e gatos, muitos estudos vêm sendo realizados com a utilização de diversos alimentos, entre eles os aditivos.  Estes, são utilizados na alimentação animal no Brasil segundo a regulamentação técnica estabelecida pela instrução normativa (IN) nº13, de 30 de novembro de 2004, instituída pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). A IN 13 (2004) é geral para todas as categorias animais, não havendo diferenciação específica para animais de companhia.

Em alimentos completos destinados a cães e gatos, os aditivos são largamente utilizados e apresentam diversas funções, como para a conservação das dietas e melhoria do aspecto em relação a textura, cor e sabor. Ainda, os aditivos podem melhorar a saúde, bem-estar e longevidade dos animais de companhia. Estes últimos se enquadram ao grupo de aditivos zootécnicos, os quais englobam substâncias conhecidas como “alimentos funcionais” e são os mais estudados.

Os aditivos zootécnicos são definidos pela IN 13 (2004) como “toda substância utilizada para influir positivamente na melhoria do desempenho dos animais”. Em relação aos animais de companhia, consideram-se as substâncias que melhorem a saúde, longevidade, pelagem, características fecais e bem-estar.
No Brasil, no mínimo 60,9% das dietas secas extrusadas para cães utilizam aditivos para melhorar a saúde intestinal e/ou características fecais dos animais (Felix et. al, 2013). Entre eles, destacam-se os pre e probióticos, os quais são responsáveis por inibir microrganismos patogênicos e podem apresentar efeito imunomodulador, além de melhorar a saúde intestinal de cães e gatos.

Prebióticos

Embora o termo “prebiótico” tenha sido adotado somente em 1995 (Gibson & Roberfroid, 1995) os estudos sobre eles são bem mais antigos. Na década de 50, a descoberta de que o leite humano possui compostos que atuam como inibidores de adesão de bactérias patogênicas na superfície epitelial (posteriormente identificado como lactulose) e potencializam o crescimento das populações de bifidobactérias e lactobacillus, aliviando os sintomas de encefalopatia hepática em bebês (Nicoli & Vieira, 2000) incentivou outras explorações sobre o efeito do consumo de compostos não digestíveis na microbiota intestinal (Farnworth et al., 1992).

Para manter os animais de produção com equilíbrio benéfico da microbiota do trato gastrointestinal e diminuir a mortalidade, os principais produtos adicionados na nutrição animal foram os antibióticos e quimioterápicos, os quais quando utilizados em doses subterapêuticas também tinham utilidade como promotores de crescimento (Salyers, 1999).

Crescentes estudos afirmam que estes produtos estão tornando-se ineficazes, pois são responsáveis pelo aumento da resistência de bactérias patogênicas aos tratamentos com antibióticos na alimentação animal e humana (Spring, 1999). Desde o ano de 2004 alguns antibióticos e quimioterápicos deixaram de ser utilizados como promotores de crescimento, quando foram proibidos pela instrução formativa n° 11, de 24 de novembro de 2004 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2004).

Desde então, o uso e pesquisa com os prebióticos estão sendo intensificados, por não causarem nenhum prejuízo a saúde, além de poder aumentar a quantidade de microrganismos benéficos, melhorar o sistema imunológico e ainda melhoram a qualidade das fezes nos cães.
Atualmente, estes compostos vêm sendo utilizados como alternativa aos promotores de crescimento, com o objetivo de manter o equilíbrio benéfico da microbiota intestinal, especialmente em animais jovens ou em condição de estresse (Silva e Norberg, 2003).

Definição

Segundo Gibson e Roberfroid (1995), prebiótico é um ingrediente alimentar não digestível pelas enzimas do intestino delgado que beneficia o organismo por estimular seletivamente o crescimento e/ou atividade de determinadas bactérias no cólon, promovendo a saúde do hospedeiro.

Gibson e Roberfroid (1995) selecionaram alguns pré-requisitos para que uma substância possa ser considerada um prebiótico: 1) não deve ser hidrolisada ou absorvida durante sua passagem pelo trato digestório superior; 2) deve ser fermentada seletivamente por um número limitado de bactérias potencialmente benéficas no cólon; 3) deve possuir capacidade de alterar a microbiota intestinal de maneira favorável à saúde do hospedeiro; 4) deve induzir efeitos benéficos intestinais ao hospedeiro.

Estes podem ser oligossacarídeos, carboidratos de cadeia curta. Como exemplos de oligossacarídeos utilizados como prebióticos pode-se citar os glicoligossacarídeos (GOS), lactoligossacarídeos, xiloligossacarídeos (XOS), frutoligossacarídeos (FOS) e mananoligossacarídeos (MOS). Dentre os citados, os FOS e MOS vem apresentando resultados interessantes quanto à saúde intestinal dos animais de produção, sendo os mais difundidos atualmente e também os mais utilizados em pesquisas.

Probióticos

Os probióticos já são utilizados há muito tempo na alimentação. Em 1907, a Teoria de Metchnikoff (Teoria da Longevidade) mostrou a importância dos lactobacilos para a saúde do homem. Por isso, encontramos atualmente produtos contendo probióticos em todo o mercado mundial.
Lilly e Stillwell (1965) foram os primeiros a utilizar o termo probiótico, verificando a ação de microrganismos como promotores de crescimento.

A década de 70 foi marcada pelo início do uso de um probiótico para fim animal, o Lactobacillus acidophilus. Este fato culminou com a preocupação, por parte das autoridades e órgãos de saúde animal internacionais, com as rações animais contendo antibióticos. A preocupação resultou na interdição do uso de algumas dessas substancias alegando que a eficácia desses componentes poderia ser diminuída quando utilizados em humanos, se administradas continuamente em animais. 

Definição

O termo probiótico deriva do grego e significa “pró-vida”, sendo o antônimo de antibiótico, que significa “contra a vida”. Ao longo do tempo esta denominação teve diferentes acepções (Coppola, Tunes, 2004).

Existem várias definições para probiótico, ao longo dos anos vários autores o descreveram. Foi inicialmente descrito por Lilly e Stillwell (1965) como substâncias produzidas por protozoários que estimulavam outras substâncias. Em 1974, Parker definiu probiótico como microrganismos, como bactérias e leveduras, que podem ser adicionadas à dieta com o propósito de regular a microbiota intestinal, sendo esta definição a mais consagrada atualmente. Probióticos são produtos constituídos por microrganismos vivos que uma vez introduzidos no organismo animal influenciam beneficamente o hospedeiro por meio da melhoria do balanço microbiano intestinal (Fuller, 1989). Segundo Schrezenmeir Vrese (2001) probiótico designaria preparações ou produtos que contêm microrganismos viáveis definidos e em quantidades adequadas, que alteram a microbiota própria das mucosas por implantação ou colonização de um sistema do hospedeiro, e que produzem efeitos benéficos a sua saúde. 

As características essenciais para um microrganismo ser considerado probiótico são: ser um habitante normal do TGI do hospedeiro, sobreviver, crescer e se fixar ao epitélio intestinal, enfrentar condições adversas, como a produção de sais biliares, sucos gástrico, pancreático e entérico, colonizar o intestino e ter capacidade antagônica as bactérias prejudiciais, produzindo estas substâncias tóxicas. 

Simbióticos

Definição

O conceito de simbiótico alia o fornecimento de microrganismos probióticos juntamente com substâncias prebióticas específicas que estimulem seu desenvolvimento e atividade, potencializando o efeito de ambos os produtos (Menten, 2001).

Funções

Para entender claramente suas funções, se faz necessária uma rápida explicação em relação aos probióticos e prebióticos.

Probióticos são produtos constituídos por microorganismos vivos que uma vez introduzidos no organismo animal influenciam beneficamente o hospedeiro através da melhoria do balanço microbiano intestinal (Fuller, 1989). Tendo como principais modos de ação descritos para os probióticos são: Exclusão competitiva, produção de substancias antibacterianas e, estímulo ao sistema imune.

O prebiótico é um ingrediente alimentar não digestível pelas enzimas do intestino delgado que beneficia o organismo por estimular seletivamente o crescimento e/ou atividade de determinadas bactérias no cólon, promovendo a saúde do hospedeiro. (GIBSON e ROBERFROID, 1995). 2001). Carboidratos não-digestíveis, como a parede celular de plantas e leveduras, são exemplos de prebióticos. Em particular, os MOS funcionam como nutrientes para as bactérias probióticas (Bradley e Savage, 1994; Onifade et al., 1999).

Considerações finais

A utilização de pre e probióticos pode ser altamente benéfico para a saúde intestinal de cães e gatos e pode influenciar positivamente nas características fecais tão desejáveis principalmente para animais que estão presentes dentro de casa. Estes aditivos podem ser utilizados separadamente ou em conjunto para melhorar a microbiota intestinal benéfica. 

Referências:
COPPOLA, M.M.; TURNES, C.G. Probióticos e Resposta Imune. Ciência Rural. V. 34, n.4, p. 1297-1303, 2004.
FARNWORTH, E.R. et al. Feeding Jerusalem artichoke flour rich in fructooligosaccharides to weanling pigs. Can J Anim Sci, Ottawa, v.72, n.12, p.977-980,1992.
FELIX, A. P. Avaliação de Aditivos Sobre as Características das Fezes de Caes. Curitiba, Brasil. Universidade Federal do Paraná 2009. Dissertaçâo (Mestrado) - Universidade Federal do Paraná 2009.
FELIX, A.P., BRITO, C.B.M., ZANATTA, C.P., LIMA, D.C., OLIVEIRA, S.G., MAIORKA, A. Supplementation of fructooligosaccharides (FOS) on faecal characteristics of adult dogs. Archives of veterinary science. V.18, n.1, p.9-14, 2013a. 
FULLER, R. Probiótics in man and animals. Journal of Applied Bacteriology, v.66, p365-378, 1989.
GIBSON, G. R.; ROBERFROID, M. B. Dietary modulation of the human colonic microbiota: introducing the concept of prebiotics. J. Nutr., Cambridge, v.125, n.6, p.1401-1412, 1995.

LILLY, D.M, STILLWEL, R.H. Probiotics grow promoting factors produced by micro organisms. Science, v.147, p.747-748, 1965.
MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instruçâo Normativa n° 11, de 24 de novembro de 2004.
NICOLI, J.R.; VIEIRA, L.Q. Probióticos, prebióticos e simbióticos . Moduladores do ecossistema digestivo. Ciência Hoje, São Paulo, v.28, n.163, p.34.38, 2000.
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