terça-feira, 23 de agosto de 2016

Uso da maçã como fonte de fibra na alimentação de cães e gatos

Cleusa Bernadete Marcon de Brito, Daniele Cristina de Lima

Introdução

 photo maccedila_zpsmb535t6x.jpg Acompanhando a evolução da nutrição humana, atualmente os alimentos para cães e gatos tem sido desenvolvidos e formulados, não só para alimentar e suprir as exigências nutricionais, mas principalmente para auxiliar na manutenção da saúde, reduzir o risco de doenças e contribuir para o bem-estar. Com o estreitamento da relação do homem com os animais de estimação, existe a preocupação constante de proporcionar aos cães e gatos, uma vida mais longa e saudável. Algumas condutas preventivas como manejo sanitário, nutrição adequado e a utilizações de alimentos funcionais, podem garantir maior longevidade e bem-estar aos animais de companhia.

Função das fibras para cães e gatos

Nos alimentos funcionais podemos nos utilizar das fibras para melhorar a qualidade de vida de cães e gatos. A fibra alimentar ou fibra da dieta, não pode ser considerada como uma substância única, ela é composta, principalmente, de polissacarídeos interligados (celulose, hemicelulose, β-glicanos, pectinas, gomas, mucilagens e exsudados) mais a lignina (GUILLON e CHAMP, 2000), proteínas de parede celular não digeridas, compostos fenólicos, fitatos, oxalatos e substâncias fenólicas, amido modificado, inulina, oligofrutose e quitosanas, compostos não digeríveis pelas secreções endógenas do trato gastrointestinal (TGI). Polissacarídeos de origem animal, como a quitina e seus derivados, também podem ser incluídos como parte da fibra alimentar. Os cães não digerem a fibra, devido à presença de ligações indigestíveis, como do tipo beta. Contudo, microrganismos presentes no TGI, principalmente no cólon, fermentam e produzem ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e outros produtos finais (FAHEY et al., 2004). Ainda, os AGCC podem trazer efeitos benéficos aos animais. O butirato pode fornecer energia para os colonócitos (VAN SOEST, 1973) e o acetato e o propionato podem estimular hormônios importantes para a saciedade (KARAKI et al., 2006).

As fibras alimentares se distinguem por suas funções no organismo e são classificadas, de acordo com a sua solubilidade em água, em solúveis e insolúveis. As fibras insolúveis incluem a celulose, lignina, hemiceluloses e algumas pectinas. Suas funções são diminuir o tempo do trânsito intestinal, aumentar o volume do bolo fecal, retardar a absorção de glicose e a hidrólise do amido. Desta forma, podem contribuir no emagrecimento dos animais de companhia.

Uso da maça como fonte de fibra

As fibras da fruta fibras e bagaços são subprodutos do processamento de frutas para suco ou frutas secas e, em certa medida, ainda processado e moído até um tamanho de partícula fina (WALTER, R.H. et. al., 1985). Uma característica geral de fibras de frutas é o seu maior teor de pectina e hemicelulose em relação à celulose, acompanhado de baixo teor de gordura e proteína (<1%) FISCHER, J. (2009). Além do perfil equilibrado de solúvel para fibra insolúvel, produtos à base de fruta têm boas propriedades de ligação à água que podem ser utilizados no processamento de alimentos para controlar a textura dos alimentos e comportamento reológico FISCHER, J. (2009).

Outro atributo pode ser vantajoso em matrizes de dieta de alimentos úmidos para cães e gatos, onde alto teor de água é necessária, mas de baixa atividade de água e a textura deve ser firme. Os benefícios adicionais no que diz respeito a utilização de fibras de frutas na alimentação dos animais de companhia incluem a presença de componentes bioativos (por exemplo, flavonóides), uma fonte de fibra alternativa constante e barata e o apelo positivo nos rótulos dos alimentos para animais. Estes fatores fizeram com que as fibras da fruta um ingrediente atrativo para a nutrição animal e aumentou sua popularidade entre os donos de animais e empresas de alimentos para animais de estimação.

A maçã tem sido um sinônimo de saúde por um bom tempo. Muitos a conhecem por ser um (pseudo) fruto muito usado em dietas devido ao seu baixo nível calórico e por conter vitaminas importantes em sua casca. Fruta de grande importância econômica na região sul do país, a qual alberga 98% da sua produção nacional. Seu processamento gera o resíduo conhecido como polpa da maçã, que equivale a 25% do peso da fruta.

A polpa de maçã possui 6,5% de proteína; 42% de fibra em detergente neutro. Este subproduto caracteriza-se por possuir baixo teor de matéria seca (MS) e de proteína bruta (PB), porém, apresenta teor médio de fibra em detergente neutro (FDN), com indicativos de boa qualidade desta fibra. Com isso, a polpa da maçã é um alimento muito interessante como fonte energética para a alimentação de animais ruminantes.

Considerações finais

A maçã pode ser uma fonte interessante de fibra para animais de companhia, principalmente para dietas em que os pets apresentam predisposição a obesidade e também pode garantir uma boa saúde intestinal para cães e gatos. 

Referências
FAHEY, G. C. et al. The role of dietary fibre in companion animal nutrition, 2004.
FISCHER, M. M. Efeitos de diferentes fontes de fibra na digestibilidade de nutrientes, nas respostas metabólicas pós-prandiais e na saúde intestinal de gatos. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011. 87p. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011.
GUILLON, F.; CHAMP, M. Structural and physical properties of dietary fibres, and consequences of processing on human physiology. Food Research International, v. 33, n. 3, p. 233–245, 2000.
KARAKI, S. et al. Short-chain fatty acid receptor, GPR43, is expressed by enteroendocrine cells and mucosal mast cells in rat intestine. Cell and tissue research, v. 324, n. 3, p. 353–60, 2006.
SWANSON K.S et al. Supplemental fructooligosaccharides and mannanoligosaccharides influence immune function, ileal and total tract nutrient digestibilities, microbial populations and concentrations of protein catabolites in the large bowel of dogs. J. Nutr. 2002.
WALTER, R.H. et. al. Edible fibre from apple pomace. J. Food Sci. 1985.