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domingo, 19 de março de 2017

Gestão Nutricional das Urolitíases Caninas

Larissa Wunsche Risolia

Introdução 

A urolitíase é definida como a formação de sedimentos no trato urinário, composto de um ou mais cristaloides pouco solúveis. Os sedimentos microscópicos são chamados de cristais e os sedimentos macroscópicos, mais volumosos, são chamados de urolitíases ou cálculos. Em cães e gatos os principais urólitos encontrados são estruvita, oxalato de cálcio, urato, misto, silicato e cistina, sendo os dois primeiros os mais frequentes (Monferdini e Oliveira, 2009).
Dentre os fatores relacionados à sua formação, encontram-se a supersaturação urinária e a redução na frequência de sua excreção (Monferdini e Oliveira, 2009). A tabela 1 indica alguns fatores de risco em cães. A maioria dos urólitos formam-se na bexiga mas podem ser encontrados em qualquer nível do trato urinário. 



A incidência das urolitíases e a composição dos cálculos podem ser influenciados por fatores como raça, sexo, idade, alimentação, anomalias anatômicas, infecções do trato urinário, pH urinário e tratamentos medicamentosos (Ling, 1998). É importante saber os fatores de risco para que o tratamento desta condição seja eficaz e previna o reaparecimento dos urólitos, pois estes possuem alta taxa de recidivas. O bom manejo nutricional é essencial para a dissolução e prevenção dos cálculos.

Conceitos gerais do manejo nutricional das urolitíases

Estimular a diurese
Quando a urina está saturada podem ocorrer precipitações dos minerais que estão em excesso, formando os cristais. Para promover a produção de urina insaturada é importante estimular a diurese. O aumento da frequência da micção ajuda a eliminar o cristal livre que formado no trato urinário (Borghi et al, 1999).
As estratégias nutricionais para estimular a diurese podem ser o fornecimento de alimento úmido e aumentar o teor de cloreto de sódio dos alimentos secos. Quando o nível de sal é aumentado estimula-se a ingestão de água e a produção de urina, diminuindo a saturação urinária (Stevenson et al., 2003).

Modificar o pH urinário
A alteração do pH urinário pode ser eficaz para tratar alguns tipos de cálculos, mas não todos. A acidificação da urina aumenta a solubilização dos cálculos de estruvita e é essencial para a dissolução dos mesmos. Por outro lado, a alcalinização urinária aumenta a solubilização de cálculos de urato e cistina (Monferdini & Oliveira, 2009). Outros tipos de cálculos são menos sensíveis a solubilização por modificação de pH. A produção de urina com pH dentro de uma faixa adequada pode prevenir o desenvolvimento de urólitos (Ariza et al, 2016) 
Por conta da influência do pH no desenvolvimento e prevenção de cálculos, métodos de predição do pH urinário pela análise da composição química do alimento vêm sendo desenvolvidos (Sáenz et al., 2012). Por meio desta predição, é possível reduzir o custo com testes in vivo para produzir alimentos específicos que controlem o desenvolvimento de urólitos. Assim, o formulador pode alcançar pH urinário ótimo por meio do alimento, prevenindo a formação de urólitos de estruvita e oxalato de cálcio (Forrester e Roudebush, 2007).

Gestão nutricional específica para os dois principais tipos de urólitos

Estruvita
Para a dissolução do cálculo é necessário que o alimento reduza as concentrações urinárias de uréia, fósforo e magnésio (Lulich et al, 1999). Os alimentos comerciais com este fim normalmente possuem teor moderado de proteína (para evitar o aumento de uréia), são altamente digestíveis, pobres em fibras (afim de diminuir as perdas fecais de água) e possuem níveis elevados de NaCl. Em estudo realizado por Osborne (1999b) foi demonstrada a eficácia do tratamento dietético. Este alimento deve ser fornecido por um mês após a dissolução do cálculo para que haja a certificação de que não há nenhum resquício de cristais. Contudo, por ter um teor moderado de proteína, não deve ser fornecido por tempo indeterminado. Estes cálculos tendem a se dissolverem em média em 5 – 6 semanas (Osborne et al., 1999b).

Oxalato de cálcio
Estes cálculos são não podem ser dissolvidos e devem ser submetidos à exérese mecânica. O papel nutricional nestes casos é preventivo às recidivas que são de até 50% nos dois anos que seguem a exérese (Stevenson et al., 2003).
É interessante a administração de um alimento que acidifique levemente o pH urinário (faixa entre 5,5 e 6,5) e estimule a diurese para reduzir o risco de formação de cristais de oxalato (Stevenson et al., 2001).

Considerações finais
As urolitíases são comuns em cães e a nutrição possui um papel importante tanto na prevenção do aparecimento destes compostos como no tratamento (dissolução) de alguns destes. A alimentação influencia a saturação, o pH, o volume e a concentração de cristais na urina sendo essencial para o manejo desta doença. A ingestão de água é igualmente importante para estimular a produção de urina insaturada.

Referências Bibliográficas:

Ariza, P. C., de Queiroz, L. L., Castro, L. T. S., Dall’Agnol, M., Fioravanti, M. C. S., & de Goiás, f. Tratamento da urolitíase em cães e gatos: abordagens não cirúrgicas. enciclopédia biosfera, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.13 n.23; p. 1317, 2016. 

BORGHI, Loris et al. Urine volume: stone risk factor and preventive measure. Nephron, v. 81, n. Suppl. 1, p. 31-37, 1998. 

FORRESTER, S.D.; ROUDEBUSH, P. Evidence-based management of feline lower urinary tract disease. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v.37, n.3, p.533-558, 2007. 

LING, G. V. et al. Urolithiasis in dogs. II: Breed prevalence, and interrelations of breed, sex, age, and mineral composition. American journal of veterinary research, v. 59, n. 5, p. 630-642, 1998. 

LULICH, Jody P. et al. Canine calcium oxalate urolithiasis: case-based applications of therapeutic principles. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 29, n. 1, p. 123-139, 1999. 

Monferdini, Renato Pacheco, and Juliana de Oliveira. "Manejo nutricional para cães e gatos com urolitíase–revisão bibliográfica." Acta Veterinaria Brasilica 3.1 (2009): 1-4. 

OSBORNE, Carl A. et al. Analysis of 77,000 canine uroliths: perspectives from the Minnesota Urolith Center. Veterinary clinics of North America: Small animal practice, v. 29, n. 1, p. 17-38, 1999a. 

OSBORNE, Carl A. et al. Medical dissolution and prevention of canine struvite urolithiasis: twenty years of experience. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 29, n. 1, p. 73-111, 1999b.

SÁENZ, J.; PÁEZ, A.; ALARCÓN, R. O. et al. Obesidad como factor de riesgo para la recidiva litiásica. Actas Urológicas Españolas, v.36, n.4, p.228-233, 2012.

STEVENSON, Abigail E. The incidence of urolithiasis in cats and dogs and the influence of diet in the formation and prevention of recurrence. 2001. Tese de Doutorado. PhD thesis, Institute of Urology and Nephrology, University College London.

STEVENSON, A. E. et al. Nutrient intake and urine composition in calcium oxalate stone-forming dogs: comparison with healthy dogs and impact of dietary modification. Veterinary therapeutics: research in applied veterinary medicine, v. 5, n. 3, p. 218-231, 2003.