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quarta-feira, 24 de maio de 2017

A utilização de antioxidantes na nutrição de cães e gatos

Keyla Skrobot¹; Camilla Mariane Menezes Souza²

¹Graduanda em Zootecnia – UFPR. E-mail: keyla.skrobot@gmail.com
²Mestranda em Zootecnia – UFPR 

Introdução 

O aumento da população de animais de companhia é o principal fator responsável por alavancar o segmento pet, o qual vem evoluindo de forma significativa nas últimas décadas. De acordo com a ABINPET (2013) os produtos Pet Foods representaram cerca de 66% do faturamento total do setor, sendo a ração seca o produto que mais se destaca por se adequar melhor em suprir as necessidades dos animais além de gerar maior praticidade aos donos, que passaram a se preocupar cada vez mais em fornecer uma alimentação sadia, equilibrada, garantindo assim maior longevidade para os seus pets. (PetBR, 2003). 
A busca por produtos que ofereçam vantagens como uma maior palatabilidade, excelente qualidade da matéria-prima utilizada, maior tempo de prateleira e que estejam de acordo com as regulamentações para o uso de animais, a fim de agregar valor ao produto final, são cada vez mais visados. 
Neste contexto, a utilização de aditivos na nutrição de cães e gatos vem se intensificando. Estes contêm nutrientes ou moléculas fisiologicamente ativas, que previnem ou reduzem o risco de doenças, pois favorecem o crescimento e desenvolvimento do corpo, regulam processos metabólicos, melhoram a capacidade cognitiva, atuam na fisiologia cardiovascular, gastrointestinal e reprodutiva, reforçam o sistema imune e diminuem o estresse oxidativo, entre outros problemas ligados ao ambiente, a genética ou a idade (MARTINS et al., 2004), que podem interferir na digestão e absorção de nutrientes, influenciando no desenvolvimento dos animais. 
Segundo a IN 30/2009 (BRASIL, 2004) aditivos são toda e qualquer substância, microrganismos ou produtos formulados e adicionamos de forma intencional aos alimentos. Que não exercem função de ingredientes, tendo ou não valor nutricional, que melhorem as características dos produtos. Atualmente, existem vários tipos de aditivos, sendo alguns naturais produzidos por síntese, sendo idênticos aos encontrados na natureza, e outros são fabricados por cientistas de alimentos, não sendo baseado em substâncias que ocorrem naturalmente. 
Do grupo de aditivos, os antioxidantes são muito utilizados na fabricação de alimentos para cães e gatos, com intuito de evitar a ocorrência do processo de oxidação e consequentemente a formação de radicais livres, mantendo qualidade da dieta. O processo de oxidação ocorre quando há uma adição de um átomo de oxigênio ou a remoção de um átomo de hidrogênio das moléculas dos alimentos. 
É importante salientar que o mecanismo de oxidação lipídica, pode comprometer as características sensoriais como o aroma, sabor, cor, e textura, produzindo substâncias de efeito tóxico. Além disso, a ingestão de produtos primários da deteriorização oxidativa de ácidos graxos promove irritação da mucosa intestinal, diarreia, degeneração hepática, distúrbios cardiovasculares, tumores, envelhecimento acelerado e até morte das células (CLUTTON, 1997; FERRARI, 1998). 
Dentre os compostos alimentares que mais facilmente se oxidam estão os lipídeos, principalmente os ácidos graxos insaturados e poliinsaturados, e as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) (Borges et al., 2011). Sendo assim, o uso de antioxidantes nos produtos para animais de companhia é imprescindível, tanto para evitar perdas nutricionais do alimento como para garantir a saúde dos mesmos. 
Desta forma, o objetivo deste trabalho é dar enfoque aos principais tipos de antioxidantes utilizados na fabricação de alimentos para animais de companhia, destacando os pontos mais relevantes de cada substância. 

Antioxidantes 

Os antioxidantes são substâncias utilizadas para preservar o alimento, exercendo a função de seqüestradores de radicais livres, absorventes de oxigênio e quelantes, retardando o processo de deterioração, rancificação e descoloração causada pela oxidação, processo estabelecido quando há uma adição de um átomo de oxigênio ou a remoção de um átomo de hidrogênio das moléculas dos alimentos, causando perda na qualidade do produto. 
Existem vários compostos que são utilizados como antioxidantes de grau alimentar visto a presença de gorduras na formulação de dietas para pets. Ao retardar a oxidação lipídica, esses aditivos desempenham um impacto positivo na palatabilidade do alimento, garantindo uma aceitação maior da dieta pelos animais. Desta forma, o consumo será satisfatório, garantindo longevidade e um aporte nutricional para o animal. 
Na seleção de antioxidantes, são desejáveis as seguintes propriedades: eficácia em baixas concentrações (0,001% a 0,01%); ausência de efeitos indesejáveis na cor, no odor, no sabor e em outras características do alimento; compatibilidade com o alimento e fácil aplicação; estabilidade nas condições de processo e armazenamento; o qual o composto e seus produtos de oxidação não podem ser tóxicos, mesmo em doses muitos maiores das que normalmente seriam ingeridas no alimento. Além disso, na escolha de um antioxidante deve-se considerar também outros fatores, incluindo legislação, custo e preferência do consumidor. 

Os antioxidantes são divididos em sintéticos e naturais: 

Antioxidantes naturais 

Os antioxidantes naturais, também conhecidos como biológicos, mostram-se promissores, pois sua preferência na utilização de alimentos para animais de companhia vem aumentando, pelo fato de não trazerem riscos à saúde como pensasse que os sintéticos tragam. Mas sua disponibilidade é inferior aos sintéticos. Os mais usados são os tocoferóis (Vitamina E), ácido ascórbico (Vitamina C), beta-caroteno, flavonoides e a taurina. 

Vitamina E 

É um componente dos óleos vegetais, sendo encontrada na natureza de quatro formas diferentes: a, b, g e d-tocoferol, estando o a-tocoferoltocoferol em sua forma antioxidante mais efetiva e amplamente distribuída nos tecidos e no plasma, sendo comumente encontrada em grande quantidade nos lipídeos. 
Dentre os antioxidantes naturais é o mais conhecido, possui a capacidade de neutralizar os radicais livres e evitar a propagação da oxidação lipídica nas membranas biológicas (TRABER; PACKER, 1995). Evidências recentes sugerem que essa vitamina impede ou minimiza os danos provocados pelos radicais livres associados com doenças específicas, incluindo o câncer, artrite, catarata e o envelhecimento (MORRISSEY et al., 1994; HEINONEN et al., 1998). 
É importante ressaltar, que para conservar sua eficácia, a vitamina E requer-se a presença da vitamina C, que torna possível sua regeneração, e preserva os níveis de vitamina E, beta-caroteno, antioxidantes endógenos na LDL durante o estresse oxidativo. (SAAD et al. 2011). 
Fisiologicamente os cães e gatos não necessitam da adição de vitamina E em sua alimentação, devido à síntese pelo organismo, podendo ser adicionada apenas com fins de preservar a qualidade do alimento, ou seja, como antioxidantes. 
Na nutrição de cães e gatos, a vitamina E talvez seja o antioxidante mais estudado. Estudos mostram que o fornecimento mínimo recomendado de vitamina E para se obter o benefício do efeito antioxidante é de 5 a 6 vezes mais do que a quantidade recomendada pela AAFCO (1994), que é de 50 mg por quilo de matéria seca. Entretanto Dzanis (2003) é evidenciado que as doses efetivas de vitamina E para cães e gatos ainda não estão bem estabelecidas. 
Além disso, a vitamina E também está relacionada ao selênio, pois ele é um cofator da glutationaperoxidase, que reduz os peróxidos formados durante o processo de oxidação dos ácidos graxos. A inativação desses peróxidos pela glutationa-peroxidase protege a membrana celular de um dano oxidativo adicional (CASE et al., 1998). 
As fontes mais ricas em vitamina E utilizadas no processo de fabricação de alimentos de animais de companhia são: trigo (gérmen de trigo contem mais vitamina E), óleos de peixe (principalmente de bacalhau) e sementes de girassol. 

Vitamina C 

Também conhecida como ácido ascórbico, é um antioxidante hidrossolúvel, removedor dos radicais superóxido hidroxila e oxigênio antes que estes atinjam os lipídeos celulares e iniciem a peroxidação. É responsável por preservar os níveis de vitamina E e beta-caroteno, antioxidantes endógenos na LDL, durante o estresse oxidativo, e participa de vários processos do metabolismo, um deles é a formação de colágeno. 
Nos alimentos de animais de companhia, esta vitamina atua prevenindo a oxidação dos ácidos graxos, como a vitamina E, agindo na manutenção da qualidade dos alimentos. Tanto cães como gatos conseguem sintetizar no organismo quantidades adequadas de vitamina C, quando há um fornecimento das demais vitaminas em sua dieta. O ácido ascórbico é produzido no fígado a partir da glicose, através da via metabólica do glucuronato. (CASE et al., 1998). 
Sendo assim, dificilmente haverá uma carência, mas como em momentos de estresse, os níveis séricos de vitamina C podem ser diminuídos, realizar uma suplementação adequada permite que o nível plasmático volte ao normal. Os benefícios oferecidos pela vitamina C no organismo dos cães e gatos estabelecem-se pela hidroxilação dos aminoácidos prolina e lisina, no processo de formação do colágeno, atuando sobre o tecido conjuntivo (Case et al., 1998). 
Segundo Dzanis (2003), estudos em curtos períodos mostraram que a suplementação de vitamina C para cães e gatos, em dosagens de 3 e 0,5 g dia, por espécie, respectivamente, não mostraram nenhum efeito adverso, entretanto, a utilização por longos períodos pode aumentar o risco de urolitíase, visto que a vitamina C se liga ao cálcio e forma oxalato de cálcio, provocando o aparecimento de pedras nos rins. 
As fontes de vitamina C que podem ser utilizadas na formulação de alimentos para animais de companhia são a batata, a beterraba. Mas como são produtos nobres, só irão entrar na formulação em segmentos premium ou super premium. 

Carotenóides 

São pigmentos lipossolúveis, amarelos, laranjas e vermelhos, presentes em muitas frutas e vegetais. Os exemplos mais comuns são: tomates (licopeno), cenouras (α e β-caroteno), milho (luteína e zeaxantina), pimentas vermelhas (capsantina), urucum (bixina) e batata doce (β-caroteno).
Podem ser divididos em dois grandes grupos: (a) carotenos ou carotenóides hidrocarbonos: compostos apenas de carbono e hidrogênio (ex. α e β-caroteno e licopeno) e (b) xantofilas: que são derivados oxigenados dos carotenos e contém pelo menos uma função hidroxi, ceto, epóxi, metoxi ou ácido carboxílico (ex. luteína, zeaxantina e astaxantina) (QUIRÓS; COSTA, 2006). 
Os carotenoides e pigmentos naturais apresentam propriedades benéficas à saúde tanto em humanos quanto em animais, atuando no fortalecimento do sistema imunológico e na diminuição do risco de doenças degenerativas (ALVES-RODRIGUES; SHAO, 2004). Além disso, apresentam atividade antioxidantes por serem facilmente oxidados, além da proteção celular e in vitro contra oxigênio singlet, os carotenóides inibem a peroxidação de lipídeos em baixas pressões de oxigênio. 
O mecanismo mais citado pelo qual o carotenóide proporciona ações benéficas ao organismo humano é o da ação antioxidante, podendo atuar na proteção de células contra radicais livres e seqüestrar espécies reativas de oxigênio devido à presença de ligações duplas conjugadas em sua estrutura. 
O oxigênio singlet é uma forma excitada do oxigênio que é nociva ao organismo, visto que é uma espécie reativa de oxigênio, que participam das alterações dos componentes celulares induzidas por radicais livres e são capazes de produzir danos nas células parenquimatosas e endotelias dos mais diversos tecidos e orgãos do nosso organismo, porém, normalmente, estas lesões são impedidas pela presença de antioxidantes celulares enzimáticos. 
Estudos apontam que a função antioxidante dos carotenóides desempenha um papel importante na redução do risco de câncer, catarata, ateriosclerose e no processo de envelhecimento (DAMODARAN, PARKIN; FENNEMA, 2008). 
Os mamíferos domésticos não sintetizam carotenóides e alguns destes também não os absorvem em quantidades suficientes (KIM et al., 2000b). Sua presença no organismo, portanto, está relacionada ao consumo de uma dieta rica em alimentos que possuam quantidades deste antioxidante. 

Beta-caroteno 

É um dos muitos carotenóides precursores da vitamina A e, por isso, designado pró-vitamina A, sendo transportado no sangue primariamente pelas LDL. Age como potente seqüestrador do oxigênio singlet, principalmente em baixas pressões de oxigênio. 
Dentro do grupo de antioxidantes, é o mais estudado na prevenção do câncer dada pelas suas potentes propriedades antioxidativas. Apresenta-se como uma fonte ótima de antioxidante que se armazena em camadas de gordura, atuando na proteção dos olhos, pois, os elementos neurais da retina são envolvidos por bainhas de gordura onde é necessária a proteção contra oxidação. 
As fontes ricas neste antioxidante são cenoura, beterraba, batata-doce, espinafre, couve, brócolis; podendo ser ingredientes selecionados em formulação de alimentos premium e super premium. 

Luteína 

É uma xantofila resultante do processo de hidroxilação de α-caroteno, Está presente em todos os vegetais de folhas escuras e frutas coloridas e é o carotenóide encontrado em maior quantidade no plasma humano e de certos animais, como ratos e algumas aves (STRINGHETA et al., 2006).Não apresenta a função característica do grupo dos carotenos de atividade pró-vitamina A, mas apresenta fortalecimento do sistema imune e proteção dos olhos. (MELÉNDEZ-MARTINEZ et al., 2004). 
Estudos indicam que sua ação benéfica está principalmente ligada à sua alta capacidade antioxidante, devido à alta eficiência em absorver e estabilizar radicais livres (OLSON, 1999). Alarça (2012) relata que com cães que a adição de luteína na dieta eleva as concentrações dos subtipos de linfócitos T CD4+ e CD8+, significando que a saúde dos animais melhora pelo efeito imunomodulador desta xantofila. 
Na indústria, pode ser encontrada como um pó de coloração amarela, formado por cristais em forma de prisma com brilho metálico, sendo na maioria das vezes encontrada nas frutas, vegetais de folhas escuras e em algumas flores, o qual se destaca a conhecida popularmente como “cravo-de-defunto”, que é a principal fonte de obtenção da luteína utilizada industrialmente, pois é uma fonte segura e com boa concentração deste carotenoide. (KEMIN FOODS, 1999; LOURENÇO, 2005). 

Flavonóides e polifenóis 

São compostos não nutritivos com potente atividade antioxidante. O principal flavonóide é a quercitina, atuando como removedora dos radicais superóxido, oxigênio singlet e peróxidos lipídicos e inibe a oxidação das LDL (Batlouni, 1997). 
Os polifenóis estão presentes em alimentos vegetais como na maça, brócolis, uva e chá verde, mas são extraídos geralmente da uva e do chá mate verde. O poder antioxidante dos polifenóis da uva, captadores de radicais livres e quelantes de ferro, é 20 a 50 vezes superior ao da vitamina E e por isso protege a célula submetida ao estresse. Os polifenóis inibem, in vitro, a peroxidação de lipídeos do cristalino, responsável pela ocorrência da catarata (BORGES, 2011). 
Experimentos mostram que os polifenóis da uva retardam o desenvolvimento de cânceres espontâneos em camundongos e os polifenóis de chá mate verde diminuem o crescimento de cânceres e suas metástases. 
Estudos de Oba et al. (2014) mostram que os polifenóis também contribuem para a diminuição da placa dentária, pois possuem atividade antibacteriana contra patógenos orais, visto que as bactérias são as principais responsáveis pela formação do tártaro dentário. A incorporação dos polifenóis na dieta fornece condições ideais para a manutenção da higiene bucal em cães idosos. 

Taurina 

A taurina é um ácido beta-amino sulfônico, ou seja, é um aminoácido que contém enxofre, que encontrado na maioria dos tecidos animais, se concentrando principalmente nos músculos. Ao contrário dos aminoácidos tradicionais, no entanto, a taurina não exerce nenhuma função na síntese protéica. 
Sua função é permitir que o fígado sintetize os sais biliares através de outros aminoácidos sulfurados como a metionina e cisteína. Ela também regula o fluxo de cálcio que entra e sai das células e, consequentemente, atua sobre a função cardíaca. Tem ação antioxidante nas células, mas também é precursora da síntese de lipídeos complexos da pele (glicoesfingolipídeos), que possuem propriedades antibacterianas. (ROYAL CANIN, 1994). 
Possui um efeito protetor frente a problemas do ritmo cardíaco, agindo sobre a regulação da contractilidade do coração, sendo benéfica em cães e gatos com problemas de cardiomiopatia dilatada, síndrome o qual se atinge preferencialmente cães de raça grande e gigante, sendo caracterizada por uma insuficiência miocárdica que leva a uma dilatação ventricular, que ocorre sem alteração visível da estrutura do sistema de válvulas do miocárdio. 
Nos felinos, é um aminoácido essencial, sendo obrigatória a inclusão na formulação das dietas para gatos. A dosagem para alimentos com nível protéico de 28% com indicação preventiva para problemas cardíacos é de 0,1%, para cães e gatos. Enquanto que em alimentos indicados para tratamento de cardiopatias é de 0,19% com 25% de proteína. (BORGES et al., 2011). 
Na tabela 1 estão apresentados os principais antioxidantes naturais com suas respectivas propriedades. 

Tabela 1 - Propriedades dos principais agentes antioxidantes 

Antioxidantes sintéticos 

Os antioxidantes sintéticos habitualmente são utilizados nos alimentos são os fenóis com várias substituições no anel de sua composição. A estrutura fenólica destes compostos permite a doação de um próton a um radical livre, regenerando, assim, a molécula do acilglicerol e interrompendo o mecanismo de oxidação por radicais livres. 
Os principais antioxidantes sintéticos utilizados são: BHA, BHT e o Etoxiquim. Se utilizados de maneira racional pela indústria, respeitando-se as dosagens máximas recomendadas, são eficientes em conservar as propriedades organolépticas dos alimentos sem oferecer riscos à saúde dos animais. Os níveis máximos recomendados pelo FDA de uso destes compostos para preservar a qualidade das gorduras é de 150 ppm ou 0,015% para o BHA e BHT e 75 ppm ou 0,0075% para o etoxiquim. 

BHA e BHT

Chamados de Hidroxitolueno butilado (BHT) E hidroxianisol butilado (BHA), são compostos fenólicos utilizados a vários anos para preservar a frescura, o sabor e a coloração dos alimentos. São antioxidantes chamados primários, pois atuam na etapa da iniciação da oxidação lipídica. 
O BHA é o antioxidante mais efetivo na supressão da oxidação em gorduras animais do que em óleos vegetais. É mais indicado em alimentos que sofrerão tratamentos térmicos, pois o BHT parece ser mais instável a elevações de temperatura quando comparados aos demais antioxidantes sintéticos (NATIONAL TOXICOLOGY PROGRAM, 2000). 
O BHT age como sinergista ou regenerador de radicais BHA, já o BHA age como sequestrante de radicais peróxidos. Ambos podem conferir odor em alimentos quando aplicados em altas temperaturas em condição de fritura por longo período. Por isso é imprescindível respeitar os limites de inclusão para não afetar na palatabilidade do produto final. 
São muito utilizados pela indústria pet por serem mais eficazes, necessitando doses menores quando comparados a um antioxidante natural, tornando-o mais barato dentro da formulação. 

Etoxiquim 

É mais eficiente que o BHT e o BHA por suportar processos de calor, pressão e umidade e sua inquestionável vantagem de baratear os custos de produção. Sendo assim, com o seu uso nas recomendações certas, desconhece se afeta ou não algo no organismo de humanos e animais. Mas é importante rotular os produtos que contém estes antioxidantes sintéticos para os consumidores estarem avisados e cientes de sua utilização naquele produto em questão, como se observa na Instrução Normativa 42/2010 – Artigo 14 do MAPA. 

Considerações Finais 

O uso de antioxidantes na fabricação de alimentos para animais de companhia é imprescindível, tanto para aumentar o prazo de prateleira (shelf-life) dos produtos, como para garantir um alimento livre de oxidação lipídica e de boa qualidade nutricional aos animais. 
A respeito disso deve-se notar que os antioxidantes sintéticos podem ser os antioxidantes mais eficazes para uso como conservantes alimentares, mas com a mudança de pensamento dos proprietários, a substituição pelos antioxidantes naturais só tende a crescer. 
Sendo assim, é muito importante ter conhecimento das principais fontes de antioxidantes naturais e sintéticas, juntamente com o conhecimento de suas propriedades, seu mecanismo de ação, sua estabilidade no processo, seu custo e sua eficácia para tomar a melhor decisão na escolha do antioxidante. Isto dependerá de cada caso e da finalidade do alimento produzido. 

Referências 

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terça-feira, 16 de maio de 2017

Dietas caseiras para Cães e Gatos

Daniele Cristina de Lima, Tais Silvino Bastos

Introdução 

A relação entre os homens e os animais de estimação vem se estreitando cada vez mais. A partir desta aproximação, esses pets passaram a ser considerados membros da família, e assim, despertar as mais variadas preocupações, desde as relacionadas à saúde, alimentação, bem-estar e longevidade. 
Essa proximidade dos animais e seus proprietários tornou crescente a busca por novas alternativas alimentares, como o uso de alimentos diferenciados, o fornecimento de dietas próximas da sua alimentação inata antes de serem domesticados. 
Nesse contexto, vários nichos estão crescendo e conquistando o mercado petfood, como por exemplo, a alimentação natural: dietas livres de grãos (grain free), dietas caseiras, entre outras. Esses novos alimentos refletem o grande avanço nas pesquisas e novas preocupações quanto à nutrição e saúde dos animais de companhia. 

Relação Ancestral

A teoria mais aceita atualmente para a domesticação de cães é que ela deu início quando o homem começou a se fixar em pequenas aldeias. Desse modo, os lobos, acabavam ficando ao redor dessas aldeias para conseguir restos de alimentos que sobravam da alimentação dos hominídeos (Lopes, 2012). Aos poucos tanto o homem quanto o lobo foram percebendo que a interação entre eles poderia ser interessante, já que, enquanto os lobos podiam se alimentar de restos de caça, os hominídeos tinham vantagens quanto a proteção da aldeia (Coppinger & Coppinger, 2002). Nesta fase, alimentação era basicamente restos de animais, vísceras, e até mesmos ossos que sobravam da alimentação humana. 
Já a domesticação dos gatos se deu de uma maneira um pouco diferente. Há relatos de que a sua domesticação se iniciou no Egito, em que além da sua função no controle de pragas, estes animais eram considerados membros da família e uma divindade. Na China, o gato era considerado animal de estimação de mulheres. No Japão eles eram bem aceitos e as gatas de escama de tartaruga eram símbolos de sorte e prosperidade. Na Europa medieval, no início os gatos também tinham função de controle de pragas e caçador, entretanto pelo reaparecimento dos cultos pagãos durante a peste negra, que matou 25 milhões de pessoas, a figura do gato foi associada a cultos satânicos. Nesta época muitos gatos foram mortos. Diferente dos cães, os gatos se alimentavam de presas menores. 
A partir de então, cães e gatos veem se integrando as famílias, tornando não só animais de estimação, mas até mesmo membros da família. Da mesma forma que a relação entre homens e animais de estimação evoluiu ao longo dos anos, as dietas desses animais também evoluiu consideravelmente.

Dietas industrias

Até meados dos anos de 1980, cães e gatos eram alimentados basicamente com restos de alimentos para humanos. Entretanto, a história das dietas industrias é mais antiga. Uma das primeiras dietas prontas para cães surgiu em meados de 1800. 
James Spratt, um eletricista americano que vivia em Londres observou que os cães gostavam de se alimentar com restos de biscoitos deixados por humanos e teve a ideia de produzir a primeira dieta comercial. Este produto continha trigo legumes e carne. A primeira alimentação exclusiva para cães apareceu em meados de 1890 nos EUA com o produto “Spratt’s Patent Limited”, além disso, os biscoitos para cães também eram considerados sinônimo de alimento para cães.
Após a primeira guerra mundial surge um alimento úmido para cães tendo como base a carne de cavalo. Era utilizada a carne de cavalos que morreram durante a guerra e o produto chamava-se Ken -L. Na década de 1930 surgiram as primeiras dietas enlatadas para gatos e também as rações secas semelhantes com as que conhecemos hoje. A partir da segunda guerra mundial o mercado e rações para pets se expandiu ainda mais e grandes marcas começaram a surgir.

Mercado pet

Atualmente, há uma infinidade de produtos disponíveis para cães e gatos, desde dietas básicas, prêmio, super prêmio, dietas livres de grãos, livres de transgênicos, até mesmo dietas específicas para raças. Além de dietas coadjuvantes para animais senis ou com algum tipo de doença crônica.
O Brasil apresenta a quarta maior população de animais de companhia com o terceiro faturamento mundial no setor pet, dentro desse setor o faturamento com pet food é de 67,3% correspondendo a um total de R$18 milhões (ABINPET, 2016).
Assim como a mudança na indústria de pet food, também houve uma mudança muito grande em relação ao modo como os animais de companhia são tradados. Se antes eles tinham a função de cuidar da casa, hoje são considerados membros da família e seus tutores não medem esforços para fornecer uma dieta de qualidade.
Nos estados unidos cerca de 63% dos tutores consideram seus pets como membros da família (AVMA, 2012b). E por ter esse apego alguns tutores acreditam que cozinhar o alimento do seu animal de estimação ou até mesmo fornecer-lhe uma dieta parecida com a sua pode ser uma forma de mostrar o quanto esse animal é importante.
Além disso, se antes cães e gatos se alimentação basicamente de fontes proteicas, com o aumento do consumo de alimentos industriais, hoje, estes animas consomem fontes de carboidratos como base de sua alimentação por questões de custo e processo destes alimentos. Pensando nisso, algumas pessoas acreditam que o melhor para seus pets seria alimenta-los com dietas parecidas com a que os seus ancestrais consumiam a milhões de anos atrás. Assim surgem as dietas caseiras.

Alimentação Natural

De acordo com a AAFCO (2013), alimento ou ingrediente natural é aquele derivado de plantas, animais e fontes naturais, sem aditivos sintéticos ou que derive de processo industrial. Entretanto, alguns ingredientes sintéticos podem ser adicionados contanto que apresentem valor nutritivo.
Para a FEDIAF (2011), alimentos naturais são alimentos derivados de plantas e animais os quais foram submetidos apenas a processamento físico. Estas duas definições apresentam algumas diferenças como por exemplo o óleo de soja extraído com hexano. De acordo com a AAFCO este óleo pode ser considerado natural desde que não haja resíduo do hexano no produto final. Já para a FEDIAF, este produto não é considerado natural (BUFF et. al, 2014).

Dietas Caseiras

Dietas caseiras, ao contrário do que se pensa, não se trata de fornecer aos animais “restos de comida” e sim uma dieta que deve ser formulada e balanceada para o estado fisiológico que o animal se encontra. Sua forma de fornecimento é basicamente crua (com ou sem ossos) e cozida.
É imprescindível ressaltar que a formulação de dieta caseira não é simples, exige entendimento das necessidades nutricionais dos animais, conhecimento da composição química dos ingredientes fornecidos e como os processos fisiopatológicos podem afetar as necessidades nutricionais (BRUNETTO et al., 2011).
Existe um grande número de receitas de dietas caseiras disponibilizadas em livros e websites; no entanto, essas dietas podem conter desbalanços nutricionais (LAUTEN et al., 2005; STOCKMAN et al., 2013). Outro fator importante a ser considerado é o fato de os proprietários alterarem as fórmulas prescritas pelos nutricionistas sem recomendação prévia, conforme estudos conduzidos em universidades localizadas em São Paulo (HALFEN et al., 2013; OLIVEIRA et al., 2014), aumentando a chance de ocorrer doenças nutricionais metabólicas.
Dentro das dietas caseiras destacam-se as dietas cruas, cozidas, vegetarianas e orgânicas.

Dietas cruas
As dietas cruas podem ser divididas em três categorias de acordo com Freeman & Michel (2001): (1) dietas cruas completas e balanceadas, geralmente são vendidas congeladas; (2) dietas caseiras cruas preparadas pelos tutores dos animais (receitas encontradas em livros de receita ou sites na internet), podem ser balanceadas globalmente, entretanto, podem não ser balanceadas em cada refeição individual; (3) dietas de combinação que consiste na mistura de carne crua fornecida pelo proprietário com grãos disponíveis no comercio.
A principal preocupação com a utilização de dietas cruas é em relação a segurança alimentar, já que apresenta riscos de contaminação biológica como por exemplo a salmonelose, toxoplasmoses e verminoses diversas (Saad e França, 2010).

Dietas cozidas
A higienização adequada dos alimentos e o cozimento dos ingredientes utilizados nas dietas são de extrema importância, pois evitam a contaminação bacteriana, uma vez que as carnes podem oferecer riscos para a saúde dos animais e transmitir zoonoses. Além disso, o cozimento de fontes de carboidratos aumenta o aproveitamento nutricional dos ingredientes (AVMA, 2013; WEETH, 2013).
Em experimento realizado comparando uma dieta caseira cozida e duas dietas comerciais, sendo uma básica e outra super premio, Félix et.al (2009), relatam maior coeficiente de digestibilidade para a matéria seca, proteína bruta, e extrativos não nitrogenados para as dietas caseiras. Ainda, os autores relatam que não houve diferença no escore fecal, demonstrando que dietas caseiras cozidas podem ser uma boa alternativa quando bem formuladas.

Dietas vegetarianas
Geralmente os tutores que optam por fornecer dietas vegetarianas também são vegetarianos, neste caso, a escolha por este tipo de alimento vem através de convicções, religião, preocupações éticas e saúde. Formular um alimento vegetariano para cães e gatos é um grande desafio já que, é preciso ter maior atenção com as exigências de aminoácidos para dietas destinadas a cães, entretanto para esta espécie é possível o fornecimento de uma dieta deste tipo.
Outro ponto importante a ser salientado, deve-se ao fato de os gatos serem considerados carnívoros estritos, ou seja, carnívoros obrigatórios. Por isso, ao serem alimentados com uma dieta que não possua ingredientes de origem animal (vegetariana), eles não irão conseguir sintetizar, por exemplo, a taurina - um aminoácido essencial à saúde dos olhos e coração - assim como inúmeras outras particularidades, destacando-se também o ácido araquidônico e a vitamina A, provenientes de produtos de origem animal. 

Dietas orgânicas
O alimento orgânico não apresenta ingredientes de origem animal que foram tratados com antibióticos ou de origem vegetal produzidos com praguicidas ou fertilizantes sintéticos ou melhorados geneticamente. Além disso, este alimento não possui forma de conservação senão a refrigeração ou congelamento.

Alimentos que não podem ser dados a cães e gatos

Segundo a FEDIAF (Federação da indústria de pet food da Europa), os alimentos com maiores evidências científicas de toxicidade para cães e gatos são o chocolate (exceto aos produzidos exclusivamente para cães), cebola, alho, uvas in natura ou passas. Café e chá apresentam ainda em sua composição o componente tóxico cafeína, que é semelhante a teobromina encontrada no chocolate (KOVALKOVIČOVÁ et al., 2009).

Vantagens e desvantagens das dietas caseiras

Os aspectos positivos neste tipo de dieta compreendem uma maior palatabilidade, o uso de ingredientes frescos e grande variedade de componentes. Essas dietas podem ser preparadas visando objetivos específicos, como as dietas hipoalergênicas, destinadas a animais alérgicos. Em contrapartida, essas formulações podem apresentar grandes variações nos teores proteicos, vitamínicos, minerais e das gorduras. Quando utilizado fórmulas padrão ou restos de comida de humanos, essa aleatoriedade apresenta digestibilidade incerta. Além de desbalanços minerais e vitamínicos que podem acontecer.
Dietas com desiquilíbrio de vitaminas e minerais podem estar associadas a muitas doenças como osteodistrofias, pansteatite, Doenças da pele, anemia, hipoproteinemia, cardiopatias, nefropatias, Deficiências imunológicas e muitos outros. Cães e gatos que consomem dietas caseiras podem apresentar mais comumente osteodistrofias (BENET et. al, 1976).

Alternativas da indústria

Para suprir esta necessidade relacionada a dietas mais próximas das dietas naturais, com maiores níveis de proteína e alimentos mais frescos, a indústria vem investindo em alimentos livres de grãos e ingredientes transgênicos. Dessa maneira há uma forte tendência de se utilizar de carne fresca e até mesmo grãos inteiros, frutas e vegetais (LUMMIS, 2012).
Outra alternativa interessante e já consagrada pela indústria e a utilização de alimentos úmidos, pois apresentam carne fresca, muitas vezes, e níveis maiores de proteína bruta.

Dietas grain free

Apesar de o nome indicar ausência de carboidratos, “as rações comerciais livres de grãos” apresentam apenas uma minimização, devido a sua composição centesimal, com níveis elevados de proteínas e lipídeos.
Em virtude da diminuição de carboidratos da dieta grain free, o nível médio de garantia desses alimentos é diferenciado do nível dos secos extrusados atuais: a proteína bruta é mais elevada, com teor de 35 a 50%, bem como o teor de lipídeo, de 16 a 26%. Este perfil se relaciona com o nível de inclusão de produtos de origem animal, cerca de 70%, enquanto que os 30% restantes são preenchidos por frutas, legumes, verduras, componentes bioativos e funcionais.
Os principais ingredientes (considerando os maiores percentuais) de origem animal são aqueles que mais se assemelham aos utilizados na alimentação humana, como carnes frescas e desidratadas, ovos, óleos animais (de frango e de peixe) e etc.
Outros elementos empregados, não tão frequentes nas dietas convencionais, são as frutas e legumes desidratados, tais como: batatas floculadas, amido de batata, batata doce floculada, etc.

Dietas comerciais úmidas

Essa modalidade de alimento, de modo geral, utiliza em suas formulações produtos de origem animal. Os alimentos enlatados apresentam alto teor de umidade (usualmente, de 74% a 78%). Geralmente, contêm alto nível de carnes frescas ou congeladas. Uma fórmula baseada em carne pode conter de 25% a 75% de carne e/ou produtos derivados. Nessa linha, muitos alimentos enlatados possuem níveis significantes de proteína texturizada (glúten de soja ou trigo), a qual é essencialmente análoga à da carne e com uma estrutura que imita a sua aparência.
Altas densidades de energia em alimentos enlatados prescrevem altas concentrações de aminoácidos (proteína), vitaminas e minerais. Embora esses alimentos sejam designados para serem consumidos sozinhos, como uma dieta completa e balanceada, são comumente utilizados como suplementação, para aumentar a aceitabilidade de alimentos secos pelo animal. Entretanto, nem sempre aumenta o valor nutricional de um alimento seco balanceado (NRC, 2006). 

Por que não utilizar dietas comerciais 

Utilização de coprodutos

Muitos tutores de cães e gatos acreditam que a utilização de coprodutos seja ruim já que se está utilizando de ingredientes que seriam jogados fora. Entretanto, na maioria das vezes apresentam alta digestibilidade e podem ser utilizados sem problema algum.
Coprodutos são substancias originadas no processo industrial e que podem ser reaproveitadas (SPADOTTO, 2006). Segundo Laufenberg et. al, (2003), muitos coprodutos podem apresentar alto valor biológico. Quando processadas adequadamente podem ser convertidos em matérias primas para processos secundários.
A utilização de coprodutos tem sido muito importante na nutrição de cães e gatos. De acordo com a FAO, a população mundial será de 9 bilhões de pessoas até 2050, o que demandará um aumento da produção de alimentos de 70%. Se isso se concretizar as pessoas terão que se utilizar de alimentos como milho e soja, os quais são na sua maior parte utilizados na nutrição animal. Neste contexto, os coprodutos terão importância fundamental na alimentação de animais de produção e estimação.
Outra questão importante é em relação ao aproveitamento desse material que seria jogado fora para reduzir o impacto ambiental. Pensando nisso, há grande tendência ao aproveitamento destes coprodutos por parte da indústria (KAWABATA, 2008). Principalmente, porque a utilização desses coprodutos não compete diretamente com a alimentação humana.

Utilização de aditivos

Muitos tutores preferem fornecer dietas caseiras para seus pets por acreditar que a suplementação em dietas comerciais seja prejudicial para a saúde. Entretanto, a maioria dos aditivos utilizados podem melhorar a qualidade de vida e acordo com o estado fisiológico, raça e até mesmo em algumas doenças crônicas.
Os aditivos podem auxiliar na saúde oral, saúde intestinal e características de fezes, agentes condroprotetores, reguladores de peso e também na conservação das dietas.

Considerações finais

Dietas caseiras podem ser uma boa alternativa de alimento completo para cães e gatos. Entretanto, deve-se evitar o uso de dietas cruas já que podem acometer doenças tanto para os animais quanto para os seus tutores. Também é importante certificar-se de que a dieta dada é formulada por um profissional e devidamente balanceada. É preciso tomar muito cuidado com o uso de dietas vegetarias principalmente quando pensando em gatos, já que são carnívoros estritos.
Assim como dietas caseiras formuladas por profissionais capacitados, as dietas comerciais também são balanceadas e podem ser dadas aos animais de estimação saudáveis ao logo de toda a vida. Além disso, a utilização destas dietas ajuda na questão ambiental com o uso de coprodutos e com a saúde destes animais com o uso de alguns aditivos específicos.

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