quarta-feira, 24 de maio de 2017

A utilização de antioxidantes na nutrição de cães e gatos

Keyla Skrobot¹; Camilla Mariane Menezes Souza²

¹Graduanda em Zootecnia – UFPR. E-mail: keyla.skrobot@gmail.com
²Mestranda em Zootecnia – UFPR 

Introdução 

O aumento da população de animais de companhia é o principal fator responsável por alavancar o segmento pet, o qual vem evoluindo de forma significativa nas últimas décadas. De acordo com a ABINPET (2013) os produtos Pet Foods representaram cerca de 66% do faturamento total do setor, sendo a ração seca o produto que mais se destaca por se adequar melhor em suprir as necessidades dos animais além de gerar maior praticidade aos donos, que passaram a se preocupar cada vez mais em fornecer uma alimentação sadia, equilibrada, garantindo assim maior longevidade para os seus pets. (PetBR, 2003). 
A busca por produtos que ofereçam vantagens como uma maior palatabilidade, excelente qualidade da matéria-prima utilizada, maior tempo de prateleira e que estejam de acordo com as regulamentações para o uso de animais, a fim de agregar valor ao produto final, são cada vez mais visados. 
Neste contexto, a utilização de aditivos na nutrição de cães e gatos vem se intensificando. Estes contêm nutrientes ou moléculas fisiologicamente ativas, que previnem ou reduzem o risco de doenças, pois favorecem o crescimento e desenvolvimento do corpo, regulam processos metabólicos, melhoram a capacidade cognitiva, atuam na fisiologia cardiovascular, gastrointestinal e reprodutiva, reforçam o sistema imune e diminuem o estresse oxidativo, entre outros problemas ligados ao ambiente, a genética ou a idade (MARTINS et al., 2004), que podem interferir na digestão e absorção de nutrientes, influenciando no desenvolvimento dos animais. 
Segundo a IN 30/2009 (BRASIL, 2004) aditivos são toda e qualquer substância, microrganismos ou produtos formulados e adicionamos de forma intencional aos alimentos. Que não exercem função de ingredientes, tendo ou não valor nutricional, que melhorem as características dos produtos. Atualmente, existem vários tipos de aditivos, sendo alguns naturais produzidos por síntese, sendo idênticos aos encontrados na natureza, e outros são fabricados por cientistas de alimentos, não sendo baseado em substâncias que ocorrem naturalmente. 
Do grupo de aditivos, os antioxidantes são muito utilizados na fabricação de alimentos para cães e gatos, com intuito de evitar a ocorrência do processo de oxidação e consequentemente a formação de radicais livres, mantendo qualidade da dieta. O processo de oxidação ocorre quando há uma adição de um átomo de oxigênio ou a remoção de um átomo de hidrogênio das moléculas dos alimentos. 
É importante salientar que o mecanismo de oxidação lipídica, pode comprometer as características sensoriais como o aroma, sabor, cor, e textura, produzindo substâncias de efeito tóxico. Além disso, a ingestão de produtos primários da deteriorização oxidativa de ácidos graxos promove irritação da mucosa intestinal, diarreia, degeneração hepática, distúrbios cardiovasculares, tumores, envelhecimento acelerado e até morte das células (CLUTTON, 1997; FERRARI, 1998). 
Dentre os compostos alimentares que mais facilmente se oxidam estão os lipídeos, principalmente os ácidos graxos insaturados e poliinsaturados, e as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) (Borges et al., 2011). Sendo assim, o uso de antioxidantes nos produtos para animais de companhia é imprescindível, tanto para evitar perdas nutricionais do alimento como para garantir a saúde dos mesmos. 
Desta forma, o objetivo deste trabalho é dar enfoque aos principais tipos de antioxidantes utilizados na fabricação de alimentos para animais de companhia, destacando os pontos mais relevantes de cada substância. 

Antioxidantes 

Os antioxidantes são substâncias utilizadas para preservar o alimento, exercendo a função de seqüestradores de radicais livres, absorventes de oxigênio e quelantes, retardando o processo de deterioração, rancificação e descoloração causada pela oxidação, processo estabelecido quando há uma adição de um átomo de oxigênio ou a remoção de um átomo de hidrogênio das moléculas dos alimentos, causando perda na qualidade do produto. 
Existem vários compostos que são utilizados como antioxidantes de grau alimentar visto a presença de gorduras na formulação de dietas para pets. Ao retardar a oxidação lipídica, esses aditivos desempenham um impacto positivo na palatabilidade do alimento, garantindo uma aceitação maior da dieta pelos animais. Desta forma, o consumo será satisfatório, garantindo longevidade e um aporte nutricional para o animal. 
Na seleção de antioxidantes, são desejáveis as seguintes propriedades: eficácia em baixas concentrações (0,001% a 0,01%); ausência de efeitos indesejáveis na cor, no odor, no sabor e em outras características do alimento; compatibilidade com o alimento e fácil aplicação; estabilidade nas condições de processo e armazenamento; o qual o composto e seus produtos de oxidação não podem ser tóxicos, mesmo em doses muitos maiores das que normalmente seriam ingeridas no alimento. Além disso, na escolha de um antioxidante deve-se considerar também outros fatores, incluindo legislação, custo e preferência do consumidor. 

Os antioxidantes são divididos em sintéticos e naturais: 

Antioxidantes naturais 

Os antioxidantes naturais, também conhecidos como biológicos, mostram-se promissores, pois sua preferência na utilização de alimentos para animais de companhia vem aumentando, pelo fato de não trazerem riscos à saúde como pensasse que os sintéticos tragam. Mas sua disponibilidade é inferior aos sintéticos. Os mais usados são os tocoferóis (Vitamina E), ácido ascórbico (Vitamina C), beta-caroteno, flavonoides e a taurina. 

Vitamina E 

É um componente dos óleos vegetais, sendo encontrada na natureza de quatro formas diferentes: a, b, g e d-tocoferol, estando o a-tocoferoltocoferol em sua forma antioxidante mais efetiva e amplamente distribuída nos tecidos e no plasma, sendo comumente encontrada em grande quantidade nos lipídeos. 
Dentre os antioxidantes naturais é o mais conhecido, possui a capacidade de neutralizar os radicais livres e evitar a propagação da oxidação lipídica nas membranas biológicas (TRABER; PACKER, 1995). Evidências recentes sugerem que essa vitamina impede ou minimiza os danos provocados pelos radicais livres associados com doenças específicas, incluindo o câncer, artrite, catarata e o envelhecimento (MORRISSEY et al., 1994; HEINONEN et al., 1998). 
É importante ressaltar, que para conservar sua eficácia, a vitamina E requer-se a presença da vitamina C, que torna possível sua regeneração, e preserva os níveis de vitamina E, beta-caroteno, antioxidantes endógenos na LDL durante o estresse oxidativo. (SAAD et al. 2011). 
Fisiologicamente os cães e gatos não necessitam da adição de vitamina E em sua alimentação, devido à síntese pelo organismo, podendo ser adicionada apenas com fins de preservar a qualidade do alimento, ou seja, como antioxidantes. 
Na nutrição de cães e gatos, a vitamina E talvez seja o antioxidante mais estudado. Estudos mostram que o fornecimento mínimo recomendado de vitamina E para se obter o benefício do efeito antioxidante é de 5 a 6 vezes mais do que a quantidade recomendada pela AAFCO (1994), que é de 50 mg por quilo de matéria seca. Entretanto Dzanis (2003) é evidenciado que as doses efetivas de vitamina E para cães e gatos ainda não estão bem estabelecidas. 
Além disso, a vitamina E também está relacionada ao selênio, pois ele é um cofator da glutationaperoxidase, que reduz os peróxidos formados durante o processo de oxidação dos ácidos graxos. A inativação desses peróxidos pela glutationa-peroxidase protege a membrana celular de um dano oxidativo adicional (CASE et al., 1998). 
As fontes mais ricas em vitamina E utilizadas no processo de fabricação de alimentos de animais de companhia são: trigo (gérmen de trigo contem mais vitamina E), óleos de peixe (principalmente de bacalhau) e sementes de girassol. 

Vitamina C 

Também conhecida como ácido ascórbico, é um antioxidante hidrossolúvel, removedor dos radicais superóxido hidroxila e oxigênio antes que estes atinjam os lipídeos celulares e iniciem a peroxidação. É responsável por preservar os níveis de vitamina E e beta-caroteno, antioxidantes endógenos na LDL, durante o estresse oxidativo, e participa de vários processos do metabolismo, um deles é a formação de colágeno. 
Nos alimentos de animais de companhia, esta vitamina atua prevenindo a oxidação dos ácidos graxos, como a vitamina E, agindo na manutenção da qualidade dos alimentos. Tanto cães como gatos conseguem sintetizar no organismo quantidades adequadas de vitamina C, quando há um fornecimento das demais vitaminas em sua dieta. O ácido ascórbico é produzido no fígado a partir da glicose, através da via metabólica do glucuronato. (CASE et al., 1998). 
Sendo assim, dificilmente haverá uma carência, mas como em momentos de estresse, os níveis séricos de vitamina C podem ser diminuídos, realizar uma suplementação adequada permite que o nível plasmático volte ao normal. Os benefícios oferecidos pela vitamina C no organismo dos cães e gatos estabelecem-se pela hidroxilação dos aminoácidos prolina e lisina, no processo de formação do colágeno, atuando sobre o tecido conjuntivo (Case et al., 1998). 
Segundo Dzanis (2003), estudos em curtos períodos mostraram que a suplementação de vitamina C para cães e gatos, em dosagens de 3 e 0,5 g dia, por espécie, respectivamente, não mostraram nenhum efeito adverso, entretanto, a utilização por longos períodos pode aumentar o risco de urolitíase, visto que a vitamina C se liga ao cálcio e forma oxalato de cálcio, provocando o aparecimento de pedras nos rins. 
As fontes de vitamina C que podem ser utilizadas na formulação de alimentos para animais de companhia são a batata, a beterraba. Mas como são produtos nobres, só irão entrar na formulação em segmentos premium ou super premium. 

Carotenóides 

São pigmentos lipossolúveis, amarelos, laranjas e vermelhos, presentes em muitas frutas e vegetais. Os exemplos mais comuns são: tomates (licopeno), cenouras (α e β-caroteno), milho (luteína e zeaxantina), pimentas vermelhas (capsantina), urucum (bixina) e batata doce (β-caroteno).
Podem ser divididos em dois grandes grupos: (a) carotenos ou carotenóides hidrocarbonos: compostos apenas de carbono e hidrogênio (ex. α e β-caroteno e licopeno) e (b) xantofilas: que são derivados oxigenados dos carotenos e contém pelo menos uma função hidroxi, ceto, epóxi, metoxi ou ácido carboxílico (ex. luteína, zeaxantina e astaxantina) (QUIRÓS; COSTA, 2006). 
Os carotenoides e pigmentos naturais apresentam propriedades benéficas à saúde tanto em humanos quanto em animais, atuando no fortalecimento do sistema imunológico e na diminuição do risco de doenças degenerativas (ALVES-RODRIGUES; SHAO, 2004). Além disso, apresentam atividade antioxidantes por serem facilmente oxidados, além da proteção celular e in vitro contra oxigênio singlet, os carotenóides inibem a peroxidação de lipídeos em baixas pressões de oxigênio. 
O mecanismo mais citado pelo qual o carotenóide proporciona ações benéficas ao organismo humano é o da ação antioxidante, podendo atuar na proteção de células contra radicais livres e seqüestrar espécies reativas de oxigênio devido à presença de ligações duplas conjugadas em sua estrutura. 
O oxigênio singlet é uma forma excitada do oxigênio que é nociva ao organismo, visto que é uma espécie reativa de oxigênio, que participam das alterações dos componentes celulares induzidas por radicais livres e são capazes de produzir danos nas células parenquimatosas e endotelias dos mais diversos tecidos e orgãos do nosso organismo, porém, normalmente, estas lesões são impedidas pela presença de antioxidantes celulares enzimáticos. 
Estudos apontam que a função antioxidante dos carotenóides desempenha um papel importante na redução do risco de câncer, catarata, ateriosclerose e no processo de envelhecimento (DAMODARAN, PARKIN; FENNEMA, 2008). 
Os mamíferos domésticos não sintetizam carotenóides e alguns destes também não os absorvem em quantidades suficientes (KIM et al., 2000b). Sua presença no organismo, portanto, está relacionada ao consumo de uma dieta rica em alimentos que possuam quantidades deste antioxidante. 

Beta-caroteno 

É um dos muitos carotenóides precursores da vitamina A e, por isso, designado pró-vitamina A, sendo transportado no sangue primariamente pelas LDL. Age como potente seqüestrador do oxigênio singlet, principalmente em baixas pressões de oxigênio. 
Dentro do grupo de antioxidantes, é o mais estudado na prevenção do câncer dada pelas suas potentes propriedades antioxidativas. Apresenta-se como uma fonte ótima de antioxidante que se armazena em camadas de gordura, atuando na proteção dos olhos, pois, os elementos neurais da retina são envolvidos por bainhas de gordura onde é necessária a proteção contra oxidação. 
As fontes ricas neste antioxidante são cenoura, beterraba, batata-doce, espinafre, couve, brócolis; podendo ser ingredientes selecionados em formulação de alimentos premium e super premium. 

Luteína 

É uma xantofila resultante do processo de hidroxilação de α-caroteno, Está presente em todos os vegetais de folhas escuras e frutas coloridas e é o carotenóide encontrado em maior quantidade no plasma humano e de certos animais, como ratos e algumas aves (STRINGHETA et al., 2006).Não apresenta a função característica do grupo dos carotenos de atividade pró-vitamina A, mas apresenta fortalecimento do sistema imune e proteção dos olhos. (MELÉNDEZ-MARTINEZ et al., 2004). 
Estudos indicam que sua ação benéfica está principalmente ligada à sua alta capacidade antioxidante, devido à alta eficiência em absorver e estabilizar radicais livres (OLSON, 1999). Alarça (2012) relata que com cães que a adição de luteína na dieta eleva as concentrações dos subtipos de linfócitos T CD4+ e CD8+, significando que a saúde dos animais melhora pelo efeito imunomodulador desta xantofila. 
Na indústria, pode ser encontrada como um pó de coloração amarela, formado por cristais em forma de prisma com brilho metálico, sendo na maioria das vezes encontrada nas frutas, vegetais de folhas escuras e em algumas flores, o qual se destaca a conhecida popularmente como “cravo-de-defunto”, que é a principal fonte de obtenção da luteína utilizada industrialmente, pois é uma fonte segura e com boa concentração deste carotenoide. (KEMIN FOODS, 1999; LOURENÇO, 2005). 

Flavonóides e polifenóis 

São compostos não nutritivos com potente atividade antioxidante. O principal flavonóide é a quercitina, atuando como removedora dos radicais superóxido, oxigênio singlet e peróxidos lipídicos e inibe a oxidação das LDL (Batlouni, 1997). 
Os polifenóis estão presentes em alimentos vegetais como na maça, brócolis, uva e chá verde, mas são extraídos geralmente da uva e do chá mate verde. O poder antioxidante dos polifenóis da uva, captadores de radicais livres e quelantes de ferro, é 20 a 50 vezes superior ao da vitamina E e por isso protege a célula submetida ao estresse. Os polifenóis inibem, in vitro, a peroxidação de lipídeos do cristalino, responsável pela ocorrência da catarata (BORGES, 2011). 
Experimentos mostram que os polifenóis da uva retardam o desenvolvimento de cânceres espontâneos em camundongos e os polifenóis de chá mate verde diminuem o crescimento de cânceres e suas metástases. 
Estudos de Oba et al. (2014) mostram que os polifenóis também contribuem para a diminuição da placa dentária, pois possuem atividade antibacteriana contra patógenos orais, visto que as bactérias são as principais responsáveis pela formação do tártaro dentário. A incorporação dos polifenóis na dieta fornece condições ideais para a manutenção da higiene bucal em cães idosos. 

Taurina 

A taurina é um ácido beta-amino sulfônico, ou seja, é um aminoácido que contém enxofre, que encontrado na maioria dos tecidos animais, se concentrando principalmente nos músculos. Ao contrário dos aminoácidos tradicionais, no entanto, a taurina não exerce nenhuma função na síntese protéica. 
Sua função é permitir que o fígado sintetize os sais biliares através de outros aminoácidos sulfurados como a metionina e cisteína. Ela também regula o fluxo de cálcio que entra e sai das células e, consequentemente, atua sobre a função cardíaca. Tem ação antioxidante nas células, mas também é precursora da síntese de lipídeos complexos da pele (glicoesfingolipídeos), que possuem propriedades antibacterianas. (ROYAL CANIN, 1994). 
Possui um efeito protetor frente a problemas do ritmo cardíaco, agindo sobre a regulação da contractilidade do coração, sendo benéfica em cães e gatos com problemas de cardiomiopatia dilatada, síndrome o qual se atinge preferencialmente cães de raça grande e gigante, sendo caracterizada por uma insuficiência miocárdica que leva a uma dilatação ventricular, que ocorre sem alteração visível da estrutura do sistema de válvulas do miocárdio. 
Nos felinos, é um aminoácido essencial, sendo obrigatória a inclusão na formulação das dietas para gatos. A dosagem para alimentos com nível protéico de 28% com indicação preventiva para problemas cardíacos é de 0,1%, para cães e gatos. Enquanto que em alimentos indicados para tratamento de cardiopatias é de 0,19% com 25% de proteína. (BORGES et al., 2011). 
Na tabela 1 estão apresentados os principais antioxidantes naturais com suas respectivas propriedades. 

Tabela 1 - Propriedades dos principais agentes antioxidantes 

Antioxidantes sintéticos 

Os antioxidantes sintéticos habitualmente são utilizados nos alimentos são os fenóis com várias substituições no anel de sua composição. A estrutura fenólica destes compostos permite a doação de um próton a um radical livre, regenerando, assim, a molécula do acilglicerol e interrompendo o mecanismo de oxidação por radicais livres. 
Os principais antioxidantes sintéticos utilizados são: BHA, BHT e o Etoxiquim. Se utilizados de maneira racional pela indústria, respeitando-se as dosagens máximas recomendadas, são eficientes em conservar as propriedades organolépticas dos alimentos sem oferecer riscos à saúde dos animais. Os níveis máximos recomendados pelo FDA de uso destes compostos para preservar a qualidade das gorduras é de 150 ppm ou 0,015% para o BHA e BHT e 75 ppm ou 0,0075% para o etoxiquim. 

BHA e BHT

Chamados de Hidroxitolueno butilado (BHT) E hidroxianisol butilado (BHA), são compostos fenólicos utilizados a vários anos para preservar a frescura, o sabor e a coloração dos alimentos. São antioxidantes chamados primários, pois atuam na etapa da iniciação da oxidação lipídica. 
O BHA é o antioxidante mais efetivo na supressão da oxidação em gorduras animais do que em óleos vegetais. É mais indicado em alimentos que sofrerão tratamentos térmicos, pois o BHT parece ser mais instável a elevações de temperatura quando comparados aos demais antioxidantes sintéticos (NATIONAL TOXICOLOGY PROGRAM, 2000). 
O BHT age como sinergista ou regenerador de radicais BHA, já o BHA age como sequestrante de radicais peróxidos. Ambos podem conferir odor em alimentos quando aplicados em altas temperaturas em condição de fritura por longo período. Por isso é imprescindível respeitar os limites de inclusão para não afetar na palatabilidade do produto final. 
São muito utilizados pela indústria pet por serem mais eficazes, necessitando doses menores quando comparados a um antioxidante natural, tornando-o mais barato dentro da formulação. 

Etoxiquim 

É mais eficiente que o BHT e o BHA por suportar processos de calor, pressão e umidade e sua inquestionável vantagem de baratear os custos de produção. Sendo assim, com o seu uso nas recomendações certas, desconhece se afeta ou não algo no organismo de humanos e animais. Mas é importante rotular os produtos que contém estes antioxidantes sintéticos para os consumidores estarem avisados e cientes de sua utilização naquele produto em questão, como se observa na Instrução Normativa 42/2010 – Artigo 14 do MAPA. 

Considerações Finais 

O uso de antioxidantes na fabricação de alimentos para animais de companhia é imprescindível, tanto para aumentar o prazo de prateleira (shelf-life) dos produtos, como para garantir um alimento livre de oxidação lipídica e de boa qualidade nutricional aos animais. 
A respeito disso deve-se notar que os antioxidantes sintéticos podem ser os antioxidantes mais eficazes para uso como conservantes alimentares, mas com a mudança de pensamento dos proprietários, a substituição pelos antioxidantes naturais só tende a crescer. 
Sendo assim, é muito importante ter conhecimento das principais fontes de antioxidantes naturais e sintéticas, juntamente com o conhecimento de suas propriedades, seu mecanismo de ação, sua estabilidade no processo, seu custo e sua eficácia para tomar a melhor decisão na escolha do antioxidante. Isto dependerá de cada caso e da finalidade do alimento produzido. 

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