quinta-feira, 8 de junho de 2017

Expansão do mercado pet no Brasil: inovação da nutrição

Juliana Alves Bastian¹, Fabiane Yukiko Murakami² 

¹Graduanda em Zootecnia – UFPR. E-mail: julianabastian01@gmail.com 
²Doutoranda em Zootecnia – UFPR

Introdução

O Mercado pet brasileiro prevê um crescimento de 6,6% por ano, essa projeção é da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação – ABINPET. Apesar do impacto dos problemas econômicos do Brasil no setor, ainda mantém-se a expectativa de crescimento. Segundo os dados da (ABINPET, 2016) em 2015, a alta foi superior a 7%, o que demonstra um crescimento mais lento em 2016, mas que não impediu que o mercado movimentasse R$ 19,2 bilhões esse ano. Além disso, o comércio de alimentos para animais é o maior responsável pelos resultados, representando 67,5% do faturamento; seguido de serviços como banho e tosa, com 16,3%; e da venda de equipamentos, acessórios, produtos de higiene e beleza animal, com 8,1%. Os medicamentos veterinários representam 8,1% da movimentação do setor (ABINPET, 2016). 
Portanto a procura por exclusividade no setor pet food, combinada com uma tendência permanente de humanização na indústria pet, provoca um aumento da procura por alimentos diferenciados para animais de estimação. O número de fabricantes de alimentos para animais de estimação que estão iniciando nesse mercado e o perfil dos proprietários que se associam a esses tipos de produtos, em um nível estratégico, estão aumentando rapidamente (GROOT & SCHREUDER, 2009). Desta forma, numerosos novos nichos estão ascendendo a posições privilegiadas no mercado PET globais: alimento fresco resfriado, alimento cru, alimentos orgânicos; cru; orgânico; livre de grãos (grain free); ingredientes com padrão de qualidade humano; natural; ingredientes exóticos; "superpremium"; "ultrapremium"; refeições caseiras enriquecidas com suplementos; dietas a base de carne (carne-centric) e a base de proteínas (protein-focused), além de dietas de nicho como: saúde da pele e pêlo, saúde intestinal, saúde bucal, saúde do trato urinário, animais senis, animais atletas, treinamento de filhotes entre outras (SAAD & FRANÇA, 2010). 
Portanto, é importante ressaltar que de nada adianta conhecer as tendências de mercado se os fabricantes de pet food não conhecerem adequadamente seu público-alvo. Afinal, não se pode oferecer um mesmo produto para todos os públicos. Também é importante entender para quem se pretende vender, visando reconhecer suas diferenças e compreender suas necessidades e concepção de valor. 

Condição atual de cães e gatos

A população canina e felina vem crescendo numa velocidade significativa. Atualmente, existem 370 milhões de cães em todo o mundo. No Brasil, as estimativas populacionais indicam a existência de 29 milhões de cães e 11 milhões de gatos como animais de estimação, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Alimentos para Animais. Outro dado a considerar é que esses animais também representam um mercado em ascensão. O crescimento do mercado de produtos e serviços para pequenos animais, dito mercado “pet” é confirmado quando se verifica os dados comerciais envolvidos no segmento. Todos os números relacionados a ele são grandiosos, representando um mercado que inclui milhares de empregos, na indústria e no comércio de alimentos e acessórios.

Humanização dos animais de companhia

Cada vez mais as pessoas têm tratado seus animais de estimação como se fossem pessoas, principalmente como se fossem crianças. A essa humanização dos animais, dá-se o nome de antropomorfismo. Atualmente, há um crescente aumento da humanização de cães e gatos na sociedade. 
Entendemos por “humanização” dos animais certas atitudes e práticas de tratá-los como seres “quase humanos”. Isto pode ser observado através da construção de relações afetivas com os mesmos, percebendo-os como “membros da família” e “sujeitos de direitos”. No entanto, optamos por investigar este processo de “humanização” através das práticas de consumo dos donos de pets, considerando que é nestas práticas que este processo ganha concretude. Assim, as atitudes e práticas de “humanização” são inferidas na pesquisa através da investigação de alguns comportamentos e práticas de consumo pet, tais como a utilização de roupas e acessórios nos animais, o peso dos gastos com os animais no orçamento familiar, a circulação dos animais no domicílio e as práticas dos donos quanto à vida sexual e reprodutiva de seus animais.

Tendencias do mercado pet

Uma tendência que vêm impulsionando o crescimento do mercado é a Premiunização que compreende o fato de pessoas migrarem para produtos cada vez mais nobres e específicos. Apesar de uma parcela significativa do mercado estar concentrada nos mercados econômicos e standard, aos poucos os segmentos Premium e Super Premium vêm crescendo em participação de mercado. 
Outro mercado muito influente é o de alimentos naturais. Apesar de no Brasil não haver uma definição clara do que é considerado um ‘‘produto natural’’, esse segmento abrange produtos que transmitem aos consumidores conotações e atributos como ‘‘sem aditivos artificiais’’, ‘‘com frutas’’, ‘‘livre de grãos’’, ‘‘sem transgênicos’’, ‘‘com gãos integrais’’, entre outros. 
Dentro dos novos nichos de mercado temos a segmentação de mercado de pet food no Brasil que pode ser apresentada de diversas formas - por estágio de vida (filhote, adulto, sênior), dietas específicas, por porte do animal (pequeno, médio, grande), raça, entre outros. Obviamente que quando segmentamos alcançamos um número mais limitado de consumidores. Por outro lado, as pessoas que compram um produto específico para suas necessidades estão mais propenso a pagar mais por ele. Podemos identificar uma intensificação destas segmentações de mercado, visto que hoje podemos encontrar produtos que aglutinam diversas segmentações, como por exemplo, um alimento para cão sênior que esteja com problemas de obesidade ou um alimento para gatos castrados que seja específico para felinas fêmeas. 

Nutrição: Ascensão de produtos para pets

Muitas vezes confundida com petiscos, as rações úmidas, a maioria acondicionada em latinhas ou sachês e utilizadas recorrentemente nos Estados Unidos e na Europa, vem invadindo as prateleiras dos pet shops brasileiros. “Nunca tivemos tantas opções com tipos diversos de proteínas, como cordeiro, pato, fígado, peru, atum, salmão, entre outras receitas mais elaboradas, como risoto de frango, carne com vegetais, frango com maçã, galinha caipira. Diferentemente da ração seca, que contém aproximadamente 10% de água, a úmida tem entre 80% e 85%” (Eduardo Braghirolli, 2015). 
Alimentos Grain free: (Philips Donaldson, 2011) considera os alimentos grain free como a mãe de todas as tendências atuais do pet food. Essa nova modalidade não exclui totalmente o teor de carboidratos da dieta, mas tem como base uma significativa redução dos mesmos aumentando-se o teor de lipídeos e proteínas.
Outra novidade também mostra que mais consumidores estão começando a cozinhar para seus bichos de estimação. Isso não está prejudicando as vendas, mas, ao contrário, está conduzindo à maior demanda por produtos inovadores que possam ajudar os donos de pets a cozinhar petiscos mais facilmente ou preparar diferentes refeições para seus amigos peludos. 

Considerações finais

Desde que os cães e gatos foram domesticados, a relação entre eles e os homens foi mudando. E, naturalmente a interação da família com seu animal também. Eles passaram a ser considerados membros da família. O princípio desta relação deve respeitar o funcionamento biológico e fisiológico de cada espécie, assim novas tendências em se tratando a nutrição de cães e gatos irão proporcionar cada vez mais a longevidade, saúde e bem estar dos animais, a ponto de fazer com que o mercado pet esteja em ascendência continuamente. 


Referências:
Abinpet ,setor pet chega a r$ 18 bilhões em 2015, mas não sem os efeitos da crise,Acesso em 23/04/17 http://abinpet.org.br/site/setor-pet-chega-a-r-18-bilhoes-em-2015-mas-nao-sem-os-efeitos-da-crise/ 
BERMUDES DIANA P, PET FOOD xv congresso cbna pet 2016 13 e 14 de abril de 2016 – expo d. pedro - campinas, sp tendências de mercado & perfil do consumidor 
EBINA, S F ; SAAD, F. M. O. B. Suporte Nutricional em cães com câncer (parte 1). Pet Food Brasil, São Paulo, p. 53 - 81, 01 jun. 2011. 
FLORES P, As tendências no mercado de comida para animais de estimação em 2016, Euromonitor International. Acesso em 20/04/17 http://blog.euromonitor.com/2016/04/as-tendencias-no-mercado-de-comida-para-animais-de-estimacao-em-2016.html 
GROOT, J.; SHREUDER, W. Biological, naturally logical. Amsterdam: AFB International, 2009. Disponível em:
OLIVEIRA BORGES F M, SAAD1 , FRANÇA J 2 novas alternativas alimentares para cães e gatos:- alimentos livres de grãos (grain free) PESSANHA L, PORTILHO F, Comportamentos e padrões de consumo familiar em torno dos “pets” IV ENEC - Encontro Nacional de Estudos do Consumo 
PHILLIPS-DONALDSON, D. The mother of all petfood trends: grain free. Petfood industry, 2011 SAAD, F.M.O.B.; FRANÇA, J. Natural foods for and cats. R. Bras. Zootec. vol.39