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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Uso de condroitina, glucosamina e GLM para osteoartrose em cães

ANA C. DORADO DE OLIVEIRA¹; LARISSA RISOLIA²; 
¹Graduanda em Medicina Veterinária – UFPR. E-mail: Anadoradotev@gmail.com 
²Mestre em Ciências Veterinárias – UFPR 

INTRODUÇÃO 

A osteoartose é a forma mais comum de artrite em cães e gatos e a causa número um de dor crónica em cães (Fox, 2010; Innes, 2012). É estimado que 20% dos cães no Reino Unido e nos Estados Unidos da América tenham dor atribuída a esta doença (Fox, 2010; Hielm-Björkmanet al., 2011; Taylor, 2009; Innes, 2012). 
A doença articular degenerativa (DAD), também denominada de artrose, osteoartrose ou osteoartrite, é uma enfermidade progressiva, complexa, não infecciosa, que acomete a cartilagem de articulações sinoviais (CALDEIRA, et al., 2002), sendo que uma multiplicidade de alterações bioquímicas, físicas e patológicas podem ser reconhecidas nesta doença (JOHNSTON et al., 2008). É uma doença crônica, de evolução lenta, que pode vir acompanhada por formações ósseas nas margens sinoviais, artrólitos (FOSSUM et al., 2002) e fibrose de tecidos moles periarticulares (FROST-CHRISTENSEN et al., 2008).
A osteoartrose está relacionada muitas vezes com queixas de rigidez, claudicação e desconforto doloroso, inicialmente depois de um período de exercício que se pode agravar com tempo frio e úmido. Cães moderadamente afectados podem recuperar da claudicação com exercícios de aquecimento. A progressão da doença leva a que a fibrose e a dor reduzam a tolerância ao exercício, claudicação constante e, em casos severos, atrofia muscular (Taylor, 2009). 

CONDROPROTETORES NA DOENÇA ARTICULAR DEGENERATIVA 

Os condroprotetores mais comumente utilizados são considerados, na realidade, como agentes condromoduladores, por apresentar função de retardar ou diminuir a progressão degenerativa. Considerados agentes de ação lenta, propõem-se três efeitos primários dos condroprotetores: sustentar o aumento do metabolismo dos condrócitos e células sinoviais, inibir as enzimas degenerativas do líquido sinovial e da matriz cartilaginosa, e inibir a formação de microtrombos nos vasos da circulação que nutrem a articulação (BOOTHE, 1997).
De acordo com França et al. (2011), o manejo nutricional relacionado às várias patologias, bem como a prevenção destas, direcionou a utilização de ingredientes denominados nutracêuticos, especialmente devido ao fato de a manipulação do estado de saúde por meio de medicação, não ser mais aceita como preferida, ou como o único meio de tratamento para os animais de estimação. 
O uso de nutracêuticos tem sido amplamente difundido na medicina veterinária com função imunomoduladora para prevenção de diversas doenças, como a osteoartose, proporcionando longevidade e melhorando qualidade de vida do animal (BORGES, 2013). 
Para Birchard ;Scherding (2008), existem dois grupos de pequenos animais que podem ser submetidos ao tratamento conservador (com condroprotetores), entre eles estão os cães com osteoartrite em que a cirurgia não resolve porque já está muito avançada ou porque a cirurgia é muito arriscada em razão de doenças concomitantes ou aqueles cães cujos proprietários não desejam realizar a cirurgia por motivos financeiros ou emocionais. No grupo de cães em que a cirurgia pode ser parte do tratamento o uso de condroporotetores também pode ser indicado. 

Glucosamina e Condroitina 

Os nutracêuticos condroprotectores, tais como glucosamina e sulfato de condroitina estão entre os tratamentos propostos para reparar os danos Doença articular degenerativa, pois constituem uma terapia não invasiva e favorecem o metabolismo da cartilagem articular (Chard&Dieppe, 2001). 
A glucosamina é um açúcar aminado não essencial, que pode ser obtido dieteticamente (glicose+glutamina) ou industrialmente a partir da hidrólise da quitina (carapaça de caranguejo ou camarão). Estimula a síntese de colágeno e proteoglicanos articulares pelos condrócitos, inibe enzimas degradativas e tem efeitos antiinflamatórios moderados (ANFALPET, 2010). 
Enquanto a Condroitina é uma glucosaminoglucana comumente encontrada na forma de sulfato, a qual é extraída dos tecidos cartilaginosos de bovinos e suínos e é adicionada à dieta para estimular regeneração da cartilagem devido à sua tendência em inibir a produção e ação de enzimas que a degradam. (ANFALPET, 2010). 
Experimentos in vitro demonstraram que, além de aumentar a síntese de glicosaminoglicanos e reduzir a degradação da glucosamina, a condroitina age inibindo a interleucina-1, com grande atividade na degradação do colágeno tipo II (BASSLER; ROVATI; RANCHIMONT, 1998). 
Enquanto a glucosamina apresentou in vitro influência da expressão de mediadores inflamatórios, reduzindo a degradação de proteoglicanos, inibindo a síntese e atividade de mediadores como as metaloproteinases, óxido nítrico e prostaglandinas. Contudo, seu efeito anabólico é limitado, não agindo sobre o colágeno tipo II, um dos principais componentes da matriz extracelular, responsável pela força de tensão da cartilagem articular (BASSLER; ROVATI; FRANCHIMONT, 1998).
Dobenecker, Beetz e Kienze (2002) compararam o tratamento entre dois condroprotetores, o extrato de mexilhão (perna canaliculus), rico em glicosaminoglicanos (18 cães), e o sulfato de condroitina (21 cães), e um grupo controle com placebo (19 cães), durante 84 dias. Foram avaliados os tratamentos por meio de uma escala de sinais clínicos que iam de 1 a 7, de acordo com a severidade dossintomas sem qualquer medicação concomitante. Não constataram diferença significativa (p < 0,05) entre os grupos, inclusive do grupo controle com placebo. Concluíram que a possível melhora poderia ter ocorridonaturalmente, sem a ação de qualquer medicamento, uma vez que obtiveram a mesma resposta no grupocontrole com o placebo. 
Contudo, Henrotinet al. (2005) defende que o efeito desses compostos é tardio, sendo necessário 6 a 8 semanas para observar melhora no quadro clínico do animal. 
Estudo realizado com 16 cães adultos, SRD, para avaliar a ação do sulfato de condroitina na reparação da cartilagem da articulação coxofemoral de cães submetidos à acetabuloplastia e reconstituição do ligamento da cabeça do fêmur em comparação ao controle,sendo administrado ao grupo tratamento2 ml de sulfato de condroitina a 12% pela via subcutânea semanalmente, concluíram após 60 dias que o sulfato de condroitina acelerou a formação do tecido cartilaginoso e reduziu a reação inflamatória. 
Em estudo realizado com 48 cães, para testar eficácia de um nutracêutico condroprotetor veterinário à base de sulfato de condroitina e glucosamina, na reparação de defeitos osteocondrais no côndilo femoral lateral, por meio de análises clínica e radiográfica. Os animais foram distribuídos em grupos tratado (GT) e controle (GC), de forma que somente o GT recebeu o nutracêutico a cada 24 horas na forma de comprimidos, contendo cada um 200 mg de sulfato de condroitina, 300 mg de glucosamina, 24 mg de agente palatalizante e 1200 mg de veículo q.s.p.Os resultados dos quatro tempos de tratamento utilizados (15, 30, 60 e 90 dias) mostraram que o produto na dose, formulação e no período de administração utilizados não proporcionou melhora dos sinais clínicos e não influenciou radiograficamente o processo de reparação dos defeitos, visto que os grupos tratado e controle apresentaram aspectos radiográficos idênticos ao término dos tratamentos. (ELEOTERIO etal., 2012).
Segundo Francis; Read (1993), é improvável que um único composto seja efetivo no controle da DAD e para Lipielloet al. (2000) demonstraram que a ação conjunta do sulfato de condroitina e glucosamina auxiliaram, retardando as lesões cartilaginosas de joelhos com instabilidade induzidas experimentalmente (LIPIELLO et al., 1999; SOUZA et al., 1999). 
De acordo com Lascelles (2006), a dose sugerida de glucosamina e sulfato de condroitina é de 13-15mg/kg, VO, a cada 24 horas. Há controvérsias sobre a administração oral de condroitina, por causa de seu tamanho de 6 a 50 kd (SAKAI; ONOSE; NAKAMURA, 2002). 
Entrentanto, Jonhsonet al. (2001) realizaram um estudo para avaliar os efeitos de uma mistura de administração oral de sulfato de condroitina, cloridrato de glucosamina e manganês no metabolismo da cartilagem articular em cães com ligamento cruzado cranial deficiente após a transecção experimental e sua reconstrução ou não, formando quatro grupos. Foram mensuradas as concentrações de epítopos 3B3, 7D4 e glicosaminoglicanos sulfatados totais (GAG) do líquido sinovial. Encontraram um aumento considerável dos epítopos e dos glicosaminoglicanos até os cinco meses de uso do medicamento, em relação ao grupo controle sem medicação. Comprovou-se a ação moduladora desses agentes in vivo pelo aumento dos glicosaminoglicanos da matriz. 
Com base nos estudos analisados, pode-se concluir que a eficácia dos condropotectores pode variar de acordo com produto, tempo, via de administração e dose. Sendo necessários mais estudos comparativos entre relação da matéria-prima, processamento com a eficácia dos produtos administrados, visto que poucos estudos detalham as fontes de condroitina e glicosamina utilizados. Além da prescrição do uso em associação com manganês. Entretanto, pode-se salientar a eficácia observada em alguns cães na melhora da resposta antiinflamatória, resultando em melhoras nos sinais clínicos e retardo da progressão da degenaração articular, sendo fortemente indicado para auxiliar na terapia da DAD e em pacientes incapacitados de realizar tratamento invasivo. 

Glm (green-lipped mussels) 

Conhecido como extrato do Mexilhão de Lábios Verdes (GLM) os primeiros produtos baseados em GLM eram frequentemente produzidos a partir de rejeitos da carne de mexilhões proveniente da transformaçãode alimentos para humanos, que tipicamente incluíam processamento a vapor no processo de fabricação e os ensaios iniciais usando esses GLM instáveis, apresentaram resultados ruins. Nos anos 80, um método de processamento frio a temperatura controlada e estabilização do GLM pela adição de ácidos orgânicos para evitar oxidação e liofilização foi patenteado depois de 1986. Este novo GLM estabilizado é documentado como sendo eficaz no tratamento de artrite experimental em ratos, artrite clínica em humanos e mais recentemente também em cães. 
O pó de GLM é um extrato da carne do mexilhão de lábios verdes. Os mexilhões agem como um filtro da água do mar, retendo vários nutrientes, como resultado o GLM contém uma grande quantidade de substâncias potencialmente ativas que combatem a inflamação da artrite: ácidos graxo ômega 3, condroitina, glutamina, vitaminas E e C e elementos-traço (zinco, cobre, manganês). (Royal Canin, 2013). 
De acordo com Bierer & Bui, 2002, o processamento térmico dos GLM pode destruir a sua capacidade terapêutica, desta forma o processamento do GLM e a incorporação em produtos alimentares requerem técnicas especiais de processamento, pois se não houver cuidados pode ocorrer à perda da eficácia do produto final, devendo haver processamento com baixa temperatura. 
Segundo os mesmos autores, o GLM em pó é eficaz na redução dos sinais de artrose em cães, tanto quando incorporados na ração ou aspergidos sobre a dieta. Os escores totais da artrite nas pontuações de dor e inchaço foram reduzidos significativamente após 6 semanas de suplementação com o GLM. 
Em estudo por realizado por Hielm-Bjorkman et. al,. (2007) com 45 cães, afetados uni ou bi-lateralmente pela doença articular degenerativa. Separados aleatoriamente em grupo controle, grupo com GLM e grupo tratamento com antiinflamatório não esteroidal. Os resultados encontrados demonstraram melhora significativa nos sinais clínicos de dor nos animais em animais tratados com GLM, em comparação ao grupo controle. Entretanto, menor do que ao submetido a ANES. Revelando a capacidade de que pacientes que necessitam de apoio analgésico por longos períodos de tempo, o GLM oral pode ser uma alternativa, embora, ele não alivia a dor tão bem como carprofeno. Embora tenha havido apenas alguns estudos publicados sobre o uso de GLM estabilizado em cães, já está disponíveis para cães com AO na Finlandia, na forma de pó, cápsulas ou incorporados em seixos. 
Os resultados observados no uso de GLM demonstram-se promissores, ressaltando-se a importância de controle da temperatura com intuito de obter a eficácia desejada, justifica-se o uso, pela facilidade de adição a qualquer alimento, com asperção em pó sobre o alimento. Podendo realizar, caso haja disponível, aquisição de outras formas de administração, como em cápsulas. Além de ter um período de ação aproximado ao de outros condroprotectores, como glucosamina e condroitina. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A osteorartrose é uma doença recorrente na prática clinica dos animais de companhia e o uso de nutracêuticos como meio auxiliar de tratamento ou alternativa para pacientes incapacitados de realizar tratamento invasivo demonstram-se viável. Trabalhos apontados demonstram resultados controversos no uso de condroitina e glucosamina, demonstrando a necessidade de pesquisa referentes a dose, tempo de uso, vias administração, matéria-prima e processamento dos mesmos. Entretanto, demonstram resultados promissores no apoio ao tratamento da doença articular degenerativa em cães, assim como o extrato de Mexilhão de Lábios Verdes (GLM), que tem se demonstrado uma boa fonte alternativa, necessitando, entretanto, de mais estudos com objetivo de garantia na segurança alimentar. 

REFERÊNCIAS
1. BIRCHARD; SHERDING – Clínica de Pequenos Animais terceira edição. Editora ROCA. Capítulo 123 página 1244 – 1248. 2008. 
2. BOOTHE, D. M. Nutricalceuticals in veterinary medicine. Compendium Continuum Education Practice Veterinary,v. 19, n. 11, p. 1248-1255, 1997. 
3. Chard J & Dieppe P (2001) Glucosamine for osteoarthritis: magic, hype or confusion? British Medical Journal, 322:1439-1440. 
4. DOBENECKER, B.; BEETZ, Y.; KIENZE, E. A Placebo-controlled double-blind study on the effect of nutraceuticals(Chondroitin Sulfate and Mussel extract) in dogs with joint diseases as perceived by their owners. Journal of Nutrition,v. 132, n. 6, p. 1690S-1691S, 2002. 
5. CALDEIRA, F.M.C.; MUZZI, L.A.L.; MUZZI, R.A.L. Artrose em cães. Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. Editora MVZ-FEP. n. 37. 2002. p. 53-79. 
6. JOHNSTON, S.A.; MCLAUGHLIN, R.M.; BUDSBERG, S.C. Nonsurgical management of osteoarthritis in dogs. Veterinary Clinics Small Animal. v. 38. 2008. p. 1449-1470 
7. FOSSUM, T.W.;HEDLUND, C.S.; HEELSE, D.A.; JOHNSON, A.L.; SEIM, H.B.; WILLARD, M.D.; CARROLL, G.L. Tratamento da doença articular. Cirurgia de Pequenos Animais. Editora Roca. 2002. p. 983-987. 
8. FROST-CHRISTENSEN, L.N.; MASTBERGEN, S.C.; VIANEN, M.E.; HARTOG, A.; DEGROOT,J.; VOORHOUT,G.; VANWEES, A.M.C.; LAFEBER,F.P.J.G.; HAZEWINKEL, H.A.W. Degeneration, inflammation, regeneration, and pain/disability in dogs following destabilization or articular cartilage grooving of the stifle joint. Oteoarthritis and Cartilage. Internacional Cartilage Repair Society. v. 16. 2008. 
9. BASSLER, C.; ROVATI, L.; FRANCHIMONT, P. Stimulation of proteoglycan production by glucosamine sulfate in chondrocytes isolated from human osteoarthritis articular cartilage in vitro. Osteoarthritis Cartilage, v. 6, n. 6, p. 427-434, 1998. 
10. RONCA, F. et al. Anti-infl amatory activity of chondroitin sulfate. OsteoarthritisandCartilage, v. 6, p. 14-21, 1998. Suppl A. 
11. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES DE ALIMENTOS PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO- ANFALPET. Manual do Programa Integrado de Qualidade Pet, 4ª ed., 612 p., São Paulo, 2010 
12. ELEOTERIO, Renato Barros et al . Glucosamine and chondroitin sulfate in the repair of osteochondral defects in dogs - clinical-radiographic analysis. Rev. Ceres, Viçosa , v. 59, n. 5, p. 587-596, Oct. 2012 . Available from . access on 18 Apr. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-737X2012000500003.
13. FRANCIS, D.J.; READ, R.A. Pentosanpolysulphate as a treatment for osteoarthritis (degenerative joint disease) in dogs. Aust. Vet. Pract.,v.23, p.104-109, 1993. 
14. LIPIELLO, L.; WOODWARD, J.; KARPMAN, R.; HAMMAD, T. In vivo chondroprotection and metabolic synergy of glucosamine and chondroitin sulfate. Clin. Orthop. Relat. Res., p.229-240, 2000. 
15. SOUZA, R.L.; RAISER, A.G.; GUIMARÃES, L.D.; RIOS, M.V.; ARAUJO, L.; LEOTTEE, A.M.; HINTZE, C.W. Precursores de glicosaminoglicanosna reparação articular após trauma iatrogênico no joelho de cães. Cli. Vet., v.23, p.33-38, 1999. 
16. SAKAI, S.; ONOSE, J.; NAKAMURA, H. Pretreatment procedure for the microdertermination of chondroitin sulfatein plasma and urine. Analytical Biochemistry, v. 302, n. 2, p. 169-174, 2002. 
17. JOHNSON, K. A. et al. Effects an orally administered mixture of chondroitin sulfate, glucosaminahydrochloryde andmaganeseascorbate on synovial fluid chondroitin sulfate 3B3 and 7D4 epitopes in a canine cruciate ligament transaction model of osteoarthritis. Osteoarthritis and Cartilage, v. 9, n. 1, p. 14-21, 2001. 
18. KNOTT, L. et. al. Regulation of osteoarthritis by omega-3 (n-3) polyunsaturated fatty acids in a naturally occurring model of disease. OsteoarthritisandCartilage, Bristol, n. 
19, p. 1150-1157, 2011. 19. Fox, S. M. (2010) Pathophysiology of Osteoarthritic Pain, In: Fox, S. M., Chronic Pain inSmall Animals, pp. 74-96, 1ª Edição, Manson Publishing. 
20. Taylor, S. M. (2009) Disorders of the Joints. In: Nelson, R. W. &Couto, C. G., Small Animal Internal Medicine, pp. 1127-1128..4ª Edição, Mosby Elsevier. 
21. Royal Canin. Nutrição e saúde animal. (2013). Disponível em: . Acesso: 15/04/2017. 
22. Bierer, L. T. & Bui, M. L. (2002). Improvement of arthritic signs in dogs fed Green-Lipped Mussel (Pernacaniculus). The JournalofNutrition, 132:1434S-1636S.

domingo, 2 de julho de 2017

Guia Nutricional - Manejo nutricional do cão

Dorie Zattoni e Ananda Félix

Introdução 

A nutrição tem papel fundamental na saúde e no desempenho dos animais. Assim, uma dieta corretamente equilibrada é essencial para evitar doenças associadas com deficiências ou toxicidades de um ou mais nutrientes. 
Este guia foi desenvolvido para pessoas que buscam por um bom manejo nutricional ao seu cão. 

Escolha do alimento 

Os tutores podem escolher dois tipos de alimentos para fornecer ao seu pet, o alimento comercial e o alimento caseiro. Devido à praticidade, a grande maioria fornece o alimento comercial. Caso o tutor queria alimentar o seu cão com alimento caseiro, ele deve procurar um profissional para indicar a dieta e o manejo mais adequado. 
Ao longo da vida, os cães possuem necessidades nutricionais diferentes. Um alimento formulado para todas as fases da vida não é o ideal. Para manter a saúde do pet, deve-se alimenta-lo de acordo com seu estágio de vida (filhote, adulto, gestante/lactante e idoso), porte do animal, grau de atividade e saúde. 
Cães de porte pequeno e médio atingem a idade adulta entre os 9 e 12 meses de idade, enquanto os cães de porte grande e gigante são considerados adultos entre 18 e 24 meses. Após os 7 anos de idade, os cães podem ser considerados idosos. 
Antes de atingir a idade adulta o animal deve se alimentar com alimento para filhotes. Após a infância, até os 7 anos, deve comer alimento para adulto e, após isso, alimento sênior (Figura 1).  
Figura 1- Alimento comercial para os diferentes estágios de vida.

No geral, animais de porte grande e gigante necessitam de menos energia do que animais de porte pequeno. Assim, alimentos para cães de porte grande e gigante geralmente apresentam grãos maiores e menos energia/kg. 
Quando comparado aos sedentários, os cães mais ativos gastam mais energia. Por isso, para a sua manutenção, eles necessitam de mais calorias na dieta. 
Animais com problemas de saúde devem comer alimentos específicos para a sua doença, segundo recomendação do médico veterinário. Isso traz o melhor controle da enfermidade e resulta em qualidade de vida e longevidade. 

TIPOS DE ALIMENTO:

Os tipos de alimentos comerciais são: 


1. ALIMENTO SECO: contém de 6 a 12% de umidade. O alimento seco de boa qualidade é completo e capaz de atender integralmente todas as necessidades do animal (Imagem 1). 

2. ALIMENTO ÚMIDO: contém em média 75% de umidade. No geral é mais palatável e digestível do que o alimento seco. Assim como o alimento seco, o alimento úmido de boa qualidade é completo (Imagem 2). 
3. ALIMENTO SEMIÚMIDO: contém de 15 a 30% de umidade. Geralmente mais palatável que o alimento seco, porém menos palatável quando comparado ao úmido. Não requer refrigeração após aberto. Perde a umidade quando fica exposto ao ambiente por muito tempo (Imagem 3). 




4. PETISCOS: os petiscos não são fornecidos por causa do seu valor nutricional, mas para mostrar afeto e carinho com o pet. Os biscoitos, bifinhos e palitinhos são exemplos de petiscos. As necessidades nutricionais do animal geralmente não são atendidas por esse tipo de alimento. Ainda, não se deve fornecer petiscos em excesso, pois pode engordar o animal (Imagem 4).

IMAGEM 1 - http://www.sunpring.com/dog-food-machine-101/
IMAGEM 2 - http://www.pfma.org.uk/types-of-dog-food
IMAGEM 3 - http://en.paperblog.com/four-forms-of-commercially-prepared-dog-food-635047/
IMAGEM 4 - http://erikarecord.com/project/dog-treats/

CLASSIFICAÇÃO DE ALIMENTO:

Os alimentos são classificados como: 

1. SUPER PREMIUM: desenvolvido para garantir ótima nutrição em todos os diferentes estágios e estilos de vida e de acordo com o porte do animal. Apresenta ingredientes de alta qualidade, juntamente com vários tipos de ingredientes funcionais que fornecem nutrientes benefícios para a saúde. Possui alta digestibilidade. 

2. PREMIUM: garante uma boa nutrição para os estágios, estilos de vida e segundo o porte do animal. Possui boa disponibilidade de nutrientes. A qualidade dos ingredientes e a digestibilidade são boas. 

3. STANDARD e ECONÔMICO: São produtos com formulação variada, ou seja, nem todo lote possui os mesmos ingredientes. Apresentam menor preço. Os alimentos standard possuem digestibilidade mais baixa que o premium e super premium, porém eles apresentam maior digestibilidade e melhor qualidade de ingredientes quando comparados aos econômicos. Pelo fato desses alimentos possuírem ingredientes de menor qualidade e níveis nutricionais que não são ótimos para a saúde dos animais, eles são menos indicados aos cães. 

Não existe legislação que classifica um alimento como super premium, premium, standard e econômico. A classificação é feita pela empresa que o produz. Cada empresa tem uma forma de classificação. Por isso, a recomendação de um profissional capacitado é fundamental. 

Como armazenar o alimento 

O alimento deve ser mantido em local seco, arejado, sem acesso a pragas e a exposição à luz solar. Não deve ficar em contato com o chão ou com a parede. Idealiza-se armazenar na cozinha, onde não existe o risco de contato com substâncias químicas que podem ser prejudicais a saúde. 
Se o alimento durar até 15 dias, ele deve ser mantido no próprio saco, devidamente fechado sem ser manuseado com a mão úmida. 
Caso a ração dure mais de 15 dias, recomenda-se que a quantidade para 10 dias seja armazenada em um pote e o resto do alimento fique bem fechado e sem manipulação – sendo manipulado somente para encher o pote novamente. O pode deve ser escuro e bem vedado (Imagem 5), impossibilitando o contato da luz com o alimento e diminuindo a entrada de ar. 
Imagem 5.1
Imagem 5.2
Imagem 5 – Potes indicados para o armazenamento do alimento. 

IMAGEM 5.1 - http://www.caogauderio.com.br/2012/05/porta-racao-lindo-e-pratico.html
IMAGEM 5.2 - http://www.organizeshop.com.br/balde-para-racao-marromverde-6l-00004963/p

Como fornecer o alimento 

Geralmente a melhor maneira de se alimentar o cão é seguindo as quantidades recomendadas no rótulo do alimento ou segundo recomendação profissional. Essa quantidade pode ser fornecida uma vez ao dia ou de preferência ser fracionada em duas a quatro refeições, principalmente se o animal precisar perder peso ou for filhote. Em situações em que haja vários filhotes, cadelas em lactação, animais que precisam ganhar peso ou cães que regulem a ingestão de energia pode se fornecer alimento à vontade, desde que seja bem monitorado o peso dos animais. 
O alimento não deve ficar grudado ao pote de água, para se evitar que os animais que não comam imediatamente molhem o alimento. O pote do alimento também não deve ser deixado ao sol, ou em locais com presença de formigas e outros insetos, pois pode se deteriorar. Não se deve adicionar ingredientes caseiros, como arroz e carne, ao alimento comercial, pois além de acostumar mal o animal, pode ocorrer desequilíbrio nutricional, ganho de peso excessivo e até intoxicação do animal por alguns temperos, por exemplo. 

Escolha da tigela de alimento

A escolha da tigela é feita de acordo com as características raciais e o hábito alimentar do animal. Cães braquicefálicos (de focinho curto), como os pugs, devem utilizar potes amplos, com a lateral baixa, facilitando a apreensão do alimento. Para animais de orelha cumprida, como, por exemplo, o Cocker, as tigelas profundas com a borda alta são as mais recomendadas, elas evitam que a orelha entre em contato com o alimento. 
Imagem 6
Para cães de porte grande e gigante são indicados tigelas suspensa, evitando que o animal fique com a cabeça muito baixa durante a alimentação. Os doligocefálicos (de focinho alongado), como os whippets, se adaptam bem a maioria dos potes. Para cães com hábito alimentar voraz, recomenda-se o uso de tigela slow feeder (Imagem 6), esse pote cria obstáculos fazendo com que o animal se alimente mais lentamente.
As tigelas mais utilizadas são as de plástico, são facilmente encontradas e as mais baratas do mercado. Alguns animais apresentam alergia a esse material. Além disso, o pote de plástico é facilmente destruído pelos cães e ressecam com o passar dos anos, quebrando com facilidade. Tigelas de cerâmica são encontradas com certa facilidade e são fáceis de limpar, entretanto elas quebram com facilidade e não são indicadas para animais agitados. Tigelas de alumínio soltam partículas e criam ranhuras, tornando o pote mais difícil de higienizar. Potes de cimento são recomendados para cães que arrastam e viram a tigela. O aço inoxidável é o mais indicado como material para tigelas. São duráveis e resistentes, são facilmente laváveis e podem ser flambados para eliminar bactérias.
Imagem 7
A higienização deve ser feita diariamente antes de colocar alimento novo.
Além das tigelas, o mercado pet conta com brinquedos interativos, como as petball (Imagem 7). Esses brinquedos aliviam o estresse e a ansiedade dos animais que tem pouca interatividade ou muita energia disponível. Serve como comedouro, onde se pode colocar ração ou petiscos. O animal brinca e os movimentos realizados fazem com que o alimento caia do brinquedo, sendo o pet “recompensado” pela atividade.

IMAGEM 6 - https://www.petflow.com/product/kyjen/kyjen-dog-games-slo-bowl-slow-feeders-flower-design-dog-bowl
IMAGEM 7 - http://lista.mercadolivre.com.br/cachorros/brinquedos/pet-ball

Avaliação da condição corporal

A forma mais pratica de dizer se o animal está abaixo ou acima do peso é por meio do escore de condição corporal (ECC). O sistema de avaliação da condição corporal foi desenvolvido em 1997 no Centro Nestlé Purina de Pesquisa e Desenvolvimento3 (Figura 2). Amplamente utilizada na avaliação do cão, a tabela representa a porcentagem de gordura e massa magra para um determinado peso.
Os escores de 1 a 3 representam os animais subnutridos. O 1 e 2 retratam os animais caquéticos que necessitam de tratamento intensivo, enquanto o 3 simboliza os animais que estão abaixo do peso ideal.
Os escores 4 e 5 representam os cães que estão no peso ideal.
Nos escores 6 a 9 estão os animais sobrealimentados. No 6 e 7 se enquadram os animais com sobrepeso. Obesidade é representada pelos escores 8 e 9.
Embora seja o método mais prático e mais difundido de avaliação da condição corporal, o ECC não se enquadra para todas as raças. O sistema não se aplica para animais com conformação corporal distinta, como os whippets e os buldogues.
Para melhor avaliação da condição corporal um profissional deve ser procurado.

Figura 2 – sistema de avaliação corporal canina.

Literatura consultada:

1. GLOBAL VETERINARY COMMUNITY –WSAVA. Nutritional assessment guidelines. 1ed. WSAVA International, 2011. p1-12. 
2. CASE, L. P.; CAREY, E. P.; HIRAKAWA, D.A. Growth. Canine and Feline Nutrition. 3ed. Madrid, 1998. 576 p. 
3. Laflamme, D. [1997]. Development and validation of a body condition score system for dogs. CANINE PRACTICE, vol 22, No 4. p10 – 15.