domingo, 2 de julho de 2017

Guia Nutricional - Manejo nutricional do cão

Dorie Zattoni e Ananda Félix

Introdução 

A nutrição tem papel fundamental na saúde e no desempenho dos animais. Assim, uma dieta corretamente equilibrada é essencial para evitar doenças associadas com deficiências ou toxicidades de um ou mais nutrientes. 
Este guia foi desenvolvido para pessoas que buscam por um bom manejo nutricional ao seu cão. 

Escolha do alimento 

Os tutores podem escolher dois tipos de alimentos para fornecer ao seu pet, o alimento comercial e o alimento caseiro. Devido à praticidade, a grande maioria fornece o alimento comercial. Caso o tutor queria alimentar o seu cão com alimento caseiro, ele deve procurar um profissional para indicar a dieta e o manejo mais adequado. 
Ao longo da vida, os cães possuem necessidades nutricionais diferentes. Um alimento formulado para todas as fases da vida não é o ideal. Para manter a saúde do pet, deve-se alimenta-lo de acordo com seu estágio de vida (filhote, adulto, gestante/lactante e idoso), porte do animal, grau de atividade e saúde. 
Cães de porte pequeno e médio atingem a idade adulta entre os 9 e 12 meses de idade, enquanto os cães de porte grande e gigante são considerados adultos entre 18 e 24 meses. Após os 7 anos de idade, os cães podem ser considerados idosos. 
Antes de atingir a idade adulta o animal deve se alimentar com alimento para filhotes. Após a infância, até os 7 anos, deve comer alimento para adulto e, após isso, alimento sênior (Figura 1).  
Figura 1- Alimento comercial para os diferentes estágios de vida.

No geral, animais de porte grande e gigante necessitam de menos energia do que animais de porte pequeno. Assim, alimentos para cães de porte grande e gigante geralmente apresentam grãos maiores e menos energia/kg. 
Quando comparado aos sedentários, os cães mais ativos gastam mais energia. Por isso, para a sua manutenção, eles necessitam de mais calorias na dieta. 
Animais com problemas de saúde devem comer alimentos específicos para a sua doença, segundo recomendação do médico veterinário. Isso traz o melhor controle da enfermidade e resulta em qualidade de vida e longevidade. 

TIPOS DE ALIMENTO:

Os tipos de alimentos comerciais são: 


1. ALIMENTO SECO: contém de 6 a 12% de umidade. O alimento seco de boa qualidade é completo e capaz de atender integralmente todas as necessidades do animal (Imagem 1). 

2. ALIMENTO ÚMIDO: contém em média 75% de umidade. No geral é mais palatável e digestível do que o alimento seco. Assim como o alimento seco, o alimento úmido de boa qualidade é completo (Imagem 2). 
3. ALIMENTO SEMIÚMIDO: contém de 15 a 30% de umidade. Geralmente mais palatável que o alimento seco, porém menos palatável quando comparado ao úmido. Não requer refrigeração após aberto. Perde a umidade quando fica exposto ao ambiente por muito tempo (Imagem 3). 




4. PETISCOS: os petiscos não são fornecidos por causa do seu valor nutricional, mas para mostrar afeto e carinho com o pet. Os biscoitos, bifinhos e palitinhos são exemplos de petiscos. As necessidades nutricionais do animal geralmente não são atendidas por esse tipo de alimento. Ainda, não se deve fornecer petiscos em excesso, pois pode engordar o animal (Imagem 4).

IMAGEM 1 - http://www.sunpring.com/dog-food-machine-101/
IMAGEM 2 - http://www.pfma.org.uk/types-of-dog-food
IMAGEM 3 - http://en.paperblog.com/four-forms-of-commercially-prepared-dog-food-635047/
IMAGEM 4 - http://erikarecord.com/project/dog-treats/

CLASSIFICAÇÃO DE ALIMENTO:

Os alimentos são classificados como: 

1. SUPER PREMIUM: desenvolvido para garantir ótima nutrição em todos os diferentes estágios e estilos de vida e de acordo com o porte do animal. Apresenta ingredientes de alta qualidade, juntamente com vários tipos de ingredientes funcionais que fornecem nutrientes benefícios para a saúde. Possui alta digestibilidade. 

2. PREMIUM: garante uma boa nutrição para os estágios, estilos de vida e segundo o porte do animal. Possui boa disponibilidade de nutrientes. A qualidade dos ingredientes e a digestibilidade são boas. 

3. STANDARD e ECONÔMICO: São produtos com formulação variada, ou seja, nem todo lote possui os mesmos ingredientes. Apresentam menor preço. Os alimentos standard possuem digestibilidade mais baixa que o premium e super premium, porém eles apresentam maior digestibilidade e melhor qualidade de ingredientes quando comparados aos econômicos. Pelo fato desses alimentos possuírem ingredientes de menor qualidade e níveis nutricionais que não são ótimos para a saúde dos animais, eles são menos indicados aos cães. 

Não existe legislação que classifica um alimento como super premium, premium, standard e econômico. A classificação é feita pela empresa que o produz. Cada empresa tem uma forma de classificação. Por isso, a recomendação de um profissional capacitado é fundamental. 

Como armazenar o alimento 

O alimento deve ser mantido em local seco, arejado, sem acesso a pragas e a exposição à luz solar. Não deve ficar em contato com o chão ou com a parede. Idealiza-se armazenar na cozinha, onde não existe o risco de contato com substâncias químicas que podem ser prejudicais a saúde. 
Se o alimento durar até 15 dias, ele deve ser mantido no próprio saco, devidamente fechado sem ser manuseado com a mão úmida. 
Caso a ração dure mais de 15 dias, recomenda-se que a quantidade para 10 dias seja armazenada em um pote e o resto do alimento fique bem fechado e sem manipulação – sendo manipulado somente para encher o pote novamente. O pode deve ser escuro e bem vedado (Imagem 5), impossibilitando o contato da luz com o alimento e diminuindo a entrada de ar. 
Imagem 5.1
Imagem 5.2
Imagem 5 – Potes indicados para o armazenamento do alimento. 

IMAGEM 5.1 - http://www.caogauderio.com.br/2012/05/porta-racao-lindo-e-pratico.html
IMAGEM 5.2 - http://www.organizeshop.com.br/balde-para-racao-marromverde-6l-00004963/p

Como fornecer o alimento 

Geralmente a melhor maneira de se alimentar o cão é seguindo as quantidades recomendadas no rótulo do alimento ou segundo recomendação profissional. Essa quantidade pode ser fornecida uma vez ao dia ou de preferência ser fracionada em duas a quatro refeições, principalmente se o animal precisar perder peso ou for filhote. Em situações em que haja vários filhotes, cadelas em lactação, animais que precisam ganhar peso ou cães que regulem a ingestão de energia pode se fornecer alimento à vontade, desde que seja bem monitorado o peso dos animais. 
O alimento não deve ficar grudado ao pote de água, para se evitar que os animais que não comam imediatamente molhem o alimento. O pote do alimento também não deve ser deixado ao sol, ou em locais com presença de formigas e outros insetos, pois pode se deteriorar. Não se deve adicionar ingredientes caseiros, como arroz e carne, ao alimento comercial, pois além de acostumar mal o animal, pode ocorrer desequilíbrio nutricional, ganho de peso excessivo e até intoxicação do animal por alguns temperos, por exemplo. 

Escolha da tigela de alimento

A escolha da tigela é feita de acordo com as características raciais e o hábito alimentar do animal. Cães braquicefálicos (de focinho curto), como os pugs, devem utilizar potes amplos, com a lateral baixa, facilitando a apreensão do alimento. Para animais de orelha cumprida, como, por exemplo, o Cocker, as tigelas profundas com a borda alta são as mais recomendadas, elas evitam que a orelha entre em contato com o alimento. 
Imagem 6
Para cães de porte grande e gigante são indicados tigelas suspensa, evitando que o animal fique com a cabeça muito baixa durante a alimentação. Os doligocefálicos (de focinho alongado), como os whippets, se adaptam bem a maioria dos potes. Para cães com hábito alimentar voraz, recomenda-se o uso de tigela slow feeder (Imagem 6), esse pote cria obstáculos fazendo com que o animal se alimente mais lentamente.
As tigelas mais utilizadas são as de plástico, são facilmente encontradas e as mais baratas do mercado. Alguns animais apresentam alergia a esse material. Além disso, o pote de plástico é facilmente destruído pelos cães e ressecam com o passar dos anos, quebrando com facilidade. Tigelas de cerâmica são encontradas com certa facilidade e são fáceis de limpar, entretanto elas quebram com facilidade e não são indicadas para animais agitados. Tigelas de alumínio soltam partículas e criam ranhuras, tornando o pote mais difícil de higienizar. Potes de cimento são recomendados para cães que arrastam e viram a tigela. O aço inoxidável é o mais indicado como material para tigelas. São duráveis e resistentes, são facilmente laváveis e podem ser flambados para eliminar bactérias.
Imagem 7
A higienização deve ser feita diariamente antes de colocar alimento novo.
Além das tigelas, o mercado pet conta com brinquedos interativos, como as petball (Imagem 7). Esses brinquedos aliviam o estresse e a ansiedade dos animais que tem pouca interatividade ou muita energia disponível. Serve como comedouro, onde se pode colocar ração ou petiscos. O animal brinca e os movimentos realizados fazem com que o alimento caia do brinquedo, sendo o pet “recompensado” pela atividade.

IMAGEM 6 - https://www.petflow.com/product/kyjen/kyjen-dog-games-slo-bowl-slow-feeders-flower-design-dog-bowl
IMAGEM 7 - http://lista.mercadolivre.com.br/cachorros/brinquedos/pet-ball

Avaliação da condição corporal

A forma mais pratica de dizer se o animal está abaixo ou acima do peso é por meio do escore de condição corporal (ECC). O sistema de avaliação da condição corporal foi desenvolvido em 1997 no Centro Nestlé Purina de Pesquisa e Desenvolvimento3 (Figura 2). Amplamente utilizada na avaliação do cão, a tabela representa a porcentagem de gordura e massa magra para um determinado peso.
Os escores de 1 a 3 representam os animais subnutridos. O 1 e 2 retratam os animais caquéticos que necessitam de tratamento intensivo, enquanto o 3 simboliza os animais que estão abaixo do peso ideal.
Os escores 4 e 5 representam os cães que estão no peso ideal.
Nos escores 6 a 9 estão os animais sobrealimentados. No 6 e 7 se enquadram os animais com sobrepeso. Obesidade é representada pelos escores 8 e 9.
Embora seja o método mais prático e mais difundido de avaliação da condição corporal, o ECC não se enquadra para todas as raças. O sistema não se aplica para animais com conformação corporal distinta, como os whippets e os buldogues.
Para melhor avaliação da condição corporal um profissional deve ser procurado.

Figura 2 – sistema de avaliação corporal canina.

Literatura consultada:

1. GLOBAL VETERINARY COMMUNITY –WSAVA. Nutritional assessment guidelines. 1ed. WSAVA International, 2011. p1-12. 
2. CASE, L. P.; CAREY, E. P.; HIRAKAWA, D.A. Growth. Canine and Feline Nutrition. 3ed. Madrid, 1998. 576 p. 
3. Laflamme, D. [1997]. Development and validation of a body condition score system for dogs. CANINE PRACTICE, vol 22, No 4. p10 – 15.