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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Proteínas para Cães e Gatos

Juliana Rodrigues de Souza¹; Adriana Paula Martins² 

¹Aluna de graduação Zootecnia, Universidade Federal do Paraná. 
²Zootecnista, mestranda em Nutrição de Cães e Gatos.

1. Introdução

A presença de animais de companhia dentro dos lares cresceu com a domesticação e principalmente através da humanização dessas espécies. Com o pressuposto, fica evidente a demanda de estudos relacionados à nutrição de cães e gatos, visando elaborar dietas adequadas e balanceadas, a fim de proporcionar maior longevidade, sendo um ponto fundamental e positivo para os proprietários. Os pets necessitam de diversos nutrientes em sua dieta, visando obter um crescimento normal e manter o organismo saudável. Dentre os nutrientes essenciais, isto é, aqueles que devem estar presentes na dieta a fim de satisfazer as necessidades do animal, estão as proteínas.

Proteínas são compostos orgânicos constituídos de aminoácidos, fundamentais para o bom funcionamento das condições fisiológicas, tais como: crescimento, gestação, lactação ou atividade física que exige alta utilização de proteínas. Entre 25% a 40% da matéria seca de alimentos destinados para cães e gatos, são provenientes de coprodutos de origem animal. Estas matérias-primas são importantes fontes de proteínas, gorduras e minerais na alimentação de cães e gatos (MURRAY et al., 1997).

As proteínas são ingredientes de grande importância para a dieta dos pets principalmente porque são excelentes fontes de energia. As proteínas podem ser tanto de origem animal quanto de origem vegetal, ambas podem apresentar alto teor de digestibilidade e ser palatáveis para cães e gatos, porém, vai depender do nível de processamento.

Cães e gatos têm uma exigência de 23 aminoácidos diferentes, sendo estes unidades estruturais das proteínas. Os cães necessitam de 10 aminoácidos essenciais, que são aqueles que o organismo não é capaz de produzir ou não o produz suficientemente, já os gatos necessitam de 11, porque necessitam da Taurina (FERNANDES et al., 2009 e BURGER et al., 1988 e CASE et al., 1995). Os outros 12 aminoácidos podem ser fornecidos pela dieta ou sintetizados pelo próprio organismo.

2. O que são proteínas?

Proteínas são polímeros resultantes da desidratação de aminoácidos, e cada resíduo de aminoácido liga-se ao composto seguinte por ligação covalente, denominada ligação peptídica, sendo esta uma reação entre o grupo amina de um aminoácido e o grupo carboxila do outro. (LEHNINGER, 2006). Tais aminoácidos são produzidos pela quebra de proteínas da dieta no trato digestivo e estes desempenham papel na síntese das proteínas que são essenciais para construir, reparar órgãos e tecidos, transportar moléculas, exercer função hormonal, isto é, enviar mensagens de um órgão para o outro e principalmente, auxiliar no combate a doenças. (WALTHAM, 2012).

As proteínas são compostas por 20 aminoácidos, denominados alfa aminoácidos. Apesar de possuírem 20 tipos de aminoácidos, apenas 10 são essenciais aos cães e gatos, ou seja, não são produzidos pelo organismo e devem ser fornecidos através da dieta. Sendo eles: Fenilalanina, Valina, Triptofano, Treonina, Isoleucina, Metionina, Histidina, Arginina, Lisina e Leucina. O que difere uma proteína da outra é a sua composição de aminoácidos, por isso possuem funções distintas e específicas. 

3. Aminoácidos essenciais

Aminoácidos essências são aqueles que não são produzidos pelo organismo, sendo assim, necessitam ser obtidos através da dieta. (ALMEIDA et al.,2007).

A Metionina e a Cisteína são aminoácidos sulfúricos que exercem papel fundamental na síntese da queratina, proteína do pelo. Cerca de 30% das proteínas diárias gastas por cães adultos são utilizadas na síntese de queratina que mantém a pele e o pelo do animal. Ambos os aminoácidos são abundantes nas proteínas dos peixes e ovos, glúten de trigo e milho também são fontes muito ricas. (WALTHAM, 2012).

A Arginina é importante para a síntese de ureia a partir da amônia. Este aminoácido exerce função tanto na excreção da amônia quanto no relaxamento do vaso sanguíneo e liberação de diversos hormônios. A falta de Arginina na dieta pode ocasionar intoxicação por amônia nos felinos e também, salivação em excesso, tremores, vômito e morte. O aminoácido é encontrado em carnes, incluindo vísceras, e na gelatina. (WALTHAM, 2012).

A Lisina é um aminoácido essencial que tem como função a síntese de proteínas. É o primeiro aminoácido a apresentar limitação na dieta, ou seja, possui risco de ser deficiente se o alimento não for formulado corretamente. A Lisina é sensível ao calor, por isso, durante o processamento sofre uma reação química com o açúcar, sendo importante na criação de sabores e aromas. O aminoácido é abundante em fontes animais e também vegetais, como a soja. A deficiência da Lisina pode levar à perda de peso, devido à falta de apetite e o excesso provoca deficiência de arginina. (WALTHAM, 2012).

A Fenilalanina é um aminoácido aromático que é vital para a produção de Feomelaninas e Eumelanina que são responsáveis por definirem a cor da pelagem do animal. Este aminoácido é fundamental para a produção de hormônios da tireoide e para a síntese de tirosina, além disso, auxilia no bom funcionamento do cérebro e da reprodução. A Fenilalanina é encontrada nas proteínas de origem animal. Sua deficiência ocasiona disfunção neurológica, andar descoordenado e hiperatividade em gatos e em cães, provoca perda de peso e avermelhamento das pelagens pretas. (WALTHAM, 2012).

Leucina, Isoleucina e Valina constituem a classe de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA). Esses aminoácidos estimulam a síntese de proteínas e desaceleram sua quebra nos músculos, ajudam a aumentar a massa magra e auxiliam na prevenção de desgaste muscular. Os BCAAs são encontrados em fontes proteicas de origem animal. A deficiência causa perda de peso e letargia. (WALTHAM, 2012).

A Histidina age como precursora de diversos compostos neurológicos, como a Histamina, e tem função estrutural em proteínas. A carne é uma das fontes desse aminoácido. Sua deficiência resulta em perda de peso e falta de apetite e nos gatos, pode acarretar catarata. (WALTHAM, 2012).

A Treonina é um alfa aminoácido e possui um grupo álcool em sua estrutura. Atua como precursora de moléculas que atuam na produção de energia. Esse aminoácido é encontrado em fontes de origem animal. Sua deficiência provoca perda de peso e em gatos, problemas no sistema nervoso. (WALTHAM, 2012).

O Triptofano é um aminoácido importante na produção de hormônios. Em cães, age como precursor na síntese de niacina. O Triptofano é encontrado em fontes proteicas de origem animal e sua deficiência resulta em recusa para comer e perda de peso.

4. Importância das proteínas para cães e gatos

Os cães e gatos necessitam das proteínas para o crescimento e manutenção de grande parte dos tecidos do corpo, pois elas constituem um importante componente estrutural da pele, dos tendões, dos ligamentos, dos glóbulos sanguíneos e da cartilagem. As enzimas necessárias para reações químicas são sintetizadas a partir de proteínas, além disso, constituem os hormônios que atuam na célula como mensageiros químicos e os anticorpos que fazem parte do sistema imunológicos dos pets. Na dieta para esses animais, as proteínas são um dos principais nutrientes que fornecem energia. As células e tecidos dos pets se desgastam ao longo do tempo, por isso precisam ser substituídas (Purina, 2016).

Sendo assim, as proteínas do corpo estão em um estado constante de mudança, visando sintetizar novas proteínas para que não haja deficiência proteica no organismo dos cães e gatos. As proteínas que não são direcionadas para a reposição de células e tecidos são utilizadas como fonte de energia. A deficiência de proteína na dieta de cães e gatos não é muito comum, no entanto existem alguns indicadores para sabermos se esses animais estão bem nutridos, por exemplo, na falta de proteína ocorre redução do apetite, crescimento lento ou perda de peso, desenvolvimento de pelagem áspera e sem brilho, funções do sistema imunológico ficam comprometidas. Os gatos possuem uma necessidade maior em relação ao aminoácido taurina, que é fundamental no metabolismo dos ácidos da bile. Sua falta pode ocasionar perda de visão, doenças cardíacas e problemas reprodutivos. (ROMANINI et al., 2008).

5. Taurina na nutrição de pets

Os gatos possuem uma particularidade em relação à exigência da Taurina, um aminoácido classificado como essencial para a espécie. (WALTHAM, 2012).

A taurina é um aminoácido essencial apenas para os felinos, pois apenas eles não capazes de sintetizá-lo suficientemente. É um aminoácido sulfúrico encontrado nos tecidos dos animais. O gato absorve níveis mais adequados do nutriente quando este está no alimento seco. Fontes de proteína animal, principalmente as vísceras, são ricas em taurina. (WALTHAM, 2012). Embora os cães e gatos possam produzir sua própria taurina, os gatos não produzem quantidade suficiente para demanda metabólica de seu organismo. Comparado aos cães, eles necessitam fisiologicamente de uma maior quantidade deste aminoácido. Portanto, a adição de taurina na alimentação dos felinos é importantíssima, pois ela exerce funções essenciais no organismo, por exemplo, atua no crescimento do animal, auxilia na estabilidade e homogeneização de gorduras e conjugação com ácidos biliares, atua também nos músculos esqueléticos e cardíacos e na preservação das funções vasculares, e principalmente na resposta imunológica. Sua falta pode ocasionar granulação da área central da retina, onde há grande concentração de cones, que são responsáveis por permitir a visão de cores e detalhes de objetos e consequentemente, provocar a cegueira; e também alterações cardíacas, como a cardiomiopatia dilatada em felinos. Além disso, mães portadoras da deficiência de taurina podem gerar filhotes com anormalidades neurológicas. (ROMANINI et al.,, 2008 & NELSON E COUTO et al.,, 2006 & et al.,,STADES, 1999).

6. Fontes protéicas

As fontes proteicas utilizadas para cães e gatos podem ser classificadas em duas categorias: as de origem vegetal e as de origem animal, no entanto ambas podem ser combinadas na formulação (FELIX, 2011).

Os ingredientes de origem vegetal mais utilizados na formulação de rações são o farelo e a farinha de soja, concentrado proteico de soja, proteína isolada de soja, grão tostado de soja, soja micronizada e o glúten de milho. Já os de origem animal são co-produtos de origem animal, como a farinha de carne e ossos, farinha de vísceras e aves e farinha de vísceras de suínos. (FELIX, 2011).

As carnes frescas são as fontes de maior preferência nas formulações de dietas para animais de companhia, mas isso não é praticado por diversos problemas, tanto financeiros quanto qualitativos, dentre eles: altos custos associados com congelamento e refrigeração, despesas envolvidas com o transporte de matérias-primas com grandes quantidades de umidade, além disso, o processo de extrusão não suporta mais de 25% de carne fresca em uma fórmula, carnes frescas reduzem a eficiência de produção e dietas à base de carne fresca podem ser mais difíceis de estabilizar. Portanto, o que as indústrias utilizam são alimentos secos com proteína concentrada. Aldrich (2009) e França et al. (2011). Silva (2003) e França et al (2011) afirmam que como fontes alternativas de proteínas, buscam-se alimentos que sejam eficientes no fornecimento de nutrientes necessários para atender às exigências nutricionais dos animais de companhia, com menor custo e sem comprometimento da qualidade, possibilitando o acesso desses produtos para o consumidor.

As proteínas de origem animal apresentam maior variação em composição química do que as de origem vegetal, e também alto grau variação na qualidade e digestibilidade. As farinhas de fonte animal normalmente apresentam excesso de compostos minerais, limitando assim sua inclusão na fórmula, já os derivados proteicos de origem vegetal apresentam fatores anti-nutricionais que durante o processamento devem ser inativados. Proteínas vegetais são ótimos ingredientes na dieta de cães e gatos, pois apresentam grande digestibilidade e energia metabolizável, auxiliando na redução da matéria mineral da dieta e controlando o excesso de bases do alimento e mantendo adequada a digestibilidade do produto. (CARCIOFI, 2008).

7. Exigências protéicas

As exigências proteicas são determinadas em função do atendimento das necessidades metabólicas em aminoácidos e nitrogênio, ou seja, quanto mais estreita for a relação entre o perfil de aminoácidos do alimento e o perfil corporal do animal, maior será o valor biológico do alimento e menor será a porcentagem de proteína necessária na ração, Ost et al., 2007 & Redvet et al., 2011. Seixas et al., 2003 & Redvet et al., 2011, afirmam que as necessidades proteicas variam em função da faixa etária do cão e do gato, além de estresse, crescimento, gestação, lactação e estado de saúde, conforme a tabela 1.

Cães em crescimento têm exigência proteica muito maior do que cães adultos, afinal necessitam de mais proteína para construir novos tecidos associados ao processo de desenvolvimento (crescimento). No entanto, essa fórmula é a mesma para os filhotes de gatos. Já na fase adulta esses pets necessitam de proteínas de alta qualidade para auxiliarem na manutenção da massa magra, além disso, é uma das fontes de energia preferidas por eles. Cães e gatos idosos, ao contrário do que muitos pensam, necessitam de concentrações proteicas superiores aos níveis encontrados nas dietas de manutenção. Um nível suficiente de proteína na dieta é essencial para manter a condição física saudável desses animais e principalmente, prevenir a perda de massa muscular e ter um sistema imunológico saudável. Gatos idosos apresentam naturalmente alta exigência de proteína. (PURINA, 2016).

8. Processamento

O processamento das fontes proteicas pode ocasionar diversas alterações nesses compostos. Cavalari et al,. (2006) avaliaram o efeito da extrusão na digestibilidade de alguns ingredientes utilizados na alimentação de cães. Para os autores a utilização de técnicas de processamento adequadas permite aumento no nível de inclusão de soja extrusada nas dietas de cães.

Já nas proteínas de origem animal, como a farinha de carne extrusada e não extrusada e farinha de vísceras extrusada e não extrusada percebe-se melhora nos coeficientes de digestibilidade aparente da proteína, conforme tabela 2. Para Egaña et al,. (1991) & Redvet et al. (2011) os efeitos positivos relacionados a extrusão sobre a digestibilidade estariam ligados à desnaturação de enzimas, à destruição de fatores tóxicos e à diminuição da contaminação bacteriana do produto final. Afinal, durante o processo de extrusão, os aminoácidos podem sofrer alterações substanciais quando submetido ao tratamento térmico. Exemplo disso é o processamento da lisina, um aminoácido responsável pela síntese proteica e sensível ao calor, podendo assim sofrer uma reação química com o açúcar, como já citado neste artigo. Essa reação é conhecida como Mailard, segundo Lehninger et al., 2006, ocorre uma junção do grupo carbonila dos açúcares redutores com o grupo amino das proteínas, de peptídeos ou aminoácidos. Parte do nitrogênio estaria inativado no trato gastrointestinal dos animais, atribuído à redução da taxa de hidrólise proteica, portanto impedindo o acesso das proteases. (VAN SOEST, 1994). Sendo assim, é de extrema importância controlar o processamento de fontes proteicas tanto de origem animal quanto de origem vegetal, visando manter a qualidade dos produtos.

9. Considerações finais

Cães e gatos tornaram-se parte da família dos brasileiros. Portanto, o estudo relacionado à nutrição desses pets é de extrema importância, visto que o proprietário busca produtos no mercado que proporcionem maior qualidade de vida e longevidade para seus companheiros, além disso, apreciam aqueles que são de qualidade e de baixo custo. Sendo assim, este trabalho buscou aprofundar conhecimentos relacionados a um dos componentes fundamentais para a dietas de cães e gatos, a proteína, um composto que deve ser processado com profunda atenção devido as suas peculiaridades relacionadas a desnaturação.

Proteínas são excelentes fontes de energia para o organismo. Além disso, são responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento do animal. Por isso compreender as diferenças nutricionais entre os pets é essencial para os profissionais que atuam na área de nutrição animal. Como foi observado, gatos necessitam de maiores quantidades de nutrientes proteicos do que os cães, pois são estritamente carnívoros e possuem sensibilidade em relação a deficiência de taurina.

O processo de extrusão das proteínas é um fator importante para a digestibilidade dos animais. De acordo com as pesquisas, as fontes proteicas de origem animal apresentam maior variação em fatores químicos, digestibilidade e qualidade quando comparadas com as fontes de origem vegetal.

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
As Bases do Conhecimento Bioquímico/ Flávia de Marco Almeida, Luciene Rodrigues Kattah, Márcia Helena Borges.- 1. Ed.- São Paulo: látria, 2007. 
Avaliação de ingredientes convencionais e alternativos em rações de cães e gatos. REVISTA BRASILEIRA DE ZOOTECNIA., v.40, p.222-231, 2011 (supl. especial). 
CARCIOFI, AULUS CAVALIERI. Fontes de proteína e carboidratos para cães e gatos. Revista Brasileira de Zootecnia. Sociedade Brasileira de Zootecnia, v. 37, n. spe, p. 28-41, 2008.
CARCIOFI, AULUS CAVALIERI. Métodos para estudo das respostas metabólicas de cães e gatos a diferentes alimentos. Revista Brasileira de Zootecnia. Sociedade Brasileira de Zootecnia, v. 36, p. 235-249, 2007.
CAMPOS GONDIM MARTINS COELHO, CAMILA, ZEIDLER STASIENIUK, ERIKA VON, MOTTA FERREIRA, WALTER, Avaliação de alimentos protéicos utilizados na alimentação dos cães REDVET. Revista Electrónica de Veterinaria vol 12, enero de 2011.
FÉLIX, ANANDA PORTELLA, Avaliação nutricional de derivados protéicos de soja para cães- Curitiba, 2011.
LEHNINGER, A. L.; NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de bioquímica. Tradução de W.R. Loodi, e A.A. Simões. São Paulo: Sarvier, 2006. 839 p. Tradução de: Principles of biochemistry.
FERNANDES, Roberta Assalim Diferenças nutricionais entre cães e gatos/Roberta Assalim Fernandes/São Paulo: Centro Universitário FMU, 2009.
Manual Técnico: WALTHAM, Nutrição Essencial para Cães e Gatos, 2ª Edição, 2012. Manual: VB ALIMENTOS, Jaciara, MT e UFPR. Guia Nutricional Cães & Gatos.
Manual de Nutrição Aplicada, NESTLÉ PURINA, 2016.
Manual de Nutrição Básica para Animais de Estimação, NESTLÉ PURINA, 2016. 
MURRAY, S. M. et al. Raw and Rendered Animal By-Products as Ingredients in Dog Diets. Journal of Animal Science, v. 75, n. 9, p. 2497–2505, 1997. 
OLIVEIRA, LUCIANA DOMINGUES DE. Avaliação de fontes protéicas e de tratamentos industriais da farinha de carne e ossos para cães e gatos. 2009. vi, 100 f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2009.
STADES, F.C., et al. Fundamentos de Oftalmologia Veterinária. São Paulo: Manole, 1999. 
www.em.com.br/app/noticia/nacional/2016/07/28/interna_nacional,788614/no-brasil-44-3-dos-domicilios-possuem-pelo-menos-um-cachorro-e-17-7.shtml (ACESSADO EM 27/09/2017). 
www.fai.com.br/portal/ojs/index.php/omniasaude/article/viewFile/26/pdf_1 (ACESSADO EM 13/10/2017, ÀS 20h24m).

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A Importância da Nutrição na Prevenção e Tratamento de Doenças Metabólicas: Diabetes melito e Hipersensibilidade Alimentar

Nathália Viana Barbosa¹, Melisa Fructuoso Machado² 

¹Graduanda em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria 
²Mestranda em Zootecnia pela Universidade Federal do Paraná

Introdução

A nutrição clínica é entendida como um conjunto de processos que envolve a ingestão, digestão, absorção, metabolismo e excreção dos nutrientes, tendo como objetivo o desenvolvimento e manutenção das funções do organismo e seus metabólitos, fornecimento de energia, prevenção de doenças e sustentação no processo de convalescença ou terapêutico em doenças agudas e crônicas (GRANDJEAN, 2006).

Com a disponibilidade de tratamentos medicamentosos e cirúrgicos, o suporte nutricional do animal enfermo pode ser negligenciado, tornando a desnutrição fator determinante na morbidade, mortalidade e na alteração do efeito terapêutico dos fármacos (CARCIOFI et al, 2015).

De acordo com Abood (1998), o suporte nutricional adequado favorece o estado metabólico na doença, otimiza a resposta a tratamentos clínicos, impede a deterioração da função imune e minimiza a perda de massa corpórea magra.

Nutrição Clínica

A nutrição apresenta papel decisivo no tratamento de enfermidades, visto que as alterações metabólicas provocadas por doenças resultam em desnutrição e há diferentes respostas de um organismo em estado saudável para um em estado de desnutrição (CARCIOFI et al, 2015).

Ainda conforme Carciofi et al (2015), a resposta inflamatória em animais doentes induz a alterações como liberação de citocinas e síntese ou inibição de hormônios, resultando em uma alteração metabólica para um estado catabólico. Com o aumento dos níveis de catecolaminas, hormônio do crescimento (GH), glucagon e citocinas, ocorre uma ação antagônica à insulina, provocando hiperglicemia e degradação de proteína tecidual para gliconeogênese aumentada. Na anorexia, manifestação de diversas doenças, a fonte de energia é proveniente da proteólise acelerada, ocasionando também a perda de massa magra e refletindo na reparação tecidual, metabolismo de medicamentos e ação do sistema imunológico.

Diabetes melito

Diabetes melito é uma doença crônica resultante da ineficiente síntese ou absorção da insulina, prejudicando o metabolismo da glicose no organismo. Existem dois tipos de diabetes melito, determinados de acordo com a necessidade da insulina para estabelecer o controle glicêmico. Diabetes melito tipo 1 ou insulino-dependente (DMID) é decorrente da destruição das células β pancreáticas, resultando em baixa concentração de insulina, transporte prejudicado da glicose circulante para as células e acentuada gliconeogênese hepática e glicogenólise, enquanto o tipo 2 ou não insulino-dependente (DMNID) é causado pela resistência periférica à insulina (MEYRER, 2014; NELSON, 2015).

O tipo 1 de diabetes melito é frequente em cães e sua causa é pouco conhecida, podendo ser multifatorial. Os fatores iniciais podem ser predisposição genética, infecção, obesidade, doença ou medicamento antagonista à insulina, mecanismos imunomediados e pancreatite, que resultam na perda irreversível de células β, hipoinsulinemia, prejuízo do transporte de glicose para células e acelerada gliconeogênese e glicólise hepática (NELSON, 2015).

A maioria dos cães que apresentam a doença tem de 7 a 9 anos, sendo o aparecimento antes de 1 ano (diabetes juvenil) pouco comum. As cadelas inteiras são duas vezes mais acometidas, pela presença da progesterona. Foi observada maior predisposição em raças como Terrier Australiano, Schnauzer, Bichon Frise e Poodle. O diabetes tipo 2 é pouco frequente, sendo observada a intolerância à glicose induzida pela obesidade (CRIVELLENTI, 2015; NELSON, 2015; PÖPPL, 2005). O tratamento consiste numa associação da insulinoterapia com exercícios físicos e uma dieta adequada (CRIVELLENTI, 2015).

A terapia nutricional deve ser prescrita em todo caso de diabetes melito, afim de reduzir ou manter o peso e evitar flutuações glicêmicas. Preconiza-se a utilização de dietas densas com baixa caloria, com cuidados para que o nível de energia não seja insuficiente para o metabolismo, e aumento do gasto calórico por meio de exercícios físicos. Menor teor de gordura diminui a densidade calórica dos alimentos (GRECO, 2003).

Dietas ricas em gordura diminuem a sensibilidade periférica à insulina, além de reduzir a utilização de insulina pelo sistema nervoso central, causando inibição do centro da saciedade no hipotálamo e estimulação do centro da fome (KAIYALA et al, 1999). A administração de dietas ricas em fibras solúveis e insolúveis promovem a absorção de glicose a partir do intestino, minimizando a hiperglicemia pós brandial, além de auxiliar a perda de peso (NELSON, 2015).

Apesar de benéficas na regulação da glicemia, as dietas ricas em fibras devem ser usadas com cautela afim de evitar excessiva defecação, além de que podem dificultar o ganho de peso em cães magros e ter baixa palatabilidade (ANDRADE, 2002).

Um estudo realizado por Schermerhorn (2003) demonstrou que a administração de fibra diminuiu os níveis de colesterol total em cães saudáveis e que a utilização de uma dieta rica em fibras a cães diabéticos, teve efeitos significativos no controle da glicemia. Já no estudo de Nelson (2015), foi observado que monossacarídeos e dissacarídeos, propilenoglicol e xarope de milho, devem ser evitados.

A utilização de carboidratos complexos é favorável em cães, enquanto felinos necessitam de baixa quantidade de carboidratos e de proteínas de alto valor biológico (OLIVEIRA, 2003). Em gatos, o aminoácido arginina é ótimo estimulante da insulina e a manutenção da insulina é mais eficiente em dietas ricas em proteínas e pobre em carboidratos. (MARTIN, 2000).

Doenças concomitantes devem ser consideradas no momento da formulação da dieta. Como exemplo, a diminuição dos níveis de proteína, fósforo, sódio e utilização de arginina e ômegas 3 e 6 na dieta de pacientes com doença renal crônica, assim como uso de dieta hipoalergênica em animais com doença intestinal inflamatória (NELSON, 2015).

Nelson (2015) ressaltara a importância do pico de glicemia coincidir com o pico de efeito da insulina, sendo assim, recomendado o fornecimento do alimento próximo ao momento da injeção de insulina na terapia a cada 12 horas e no momento da injeção de insulina e 8 a 10 horas após a aplicação, na terapia a cada 24 horas.

Hipersensibilidade Alimentar

Outras afecções presentes na clínica veterinária são as reações adversas aos alimentos que podem ser de origem imunológica ou não imunológica. A alergia alimentar, dermatite trofoalérgica ou hipersensibilidade alimentar, é definida como resposta anormal do sistema imune contra a ingestão de algum alimento ou aditivo alimentar, gerando reação orgânica que caracteriza a alergia. (SALZO, 2009).

A reação alérgica é iniciada pela exposição de um organismo sensível a um antígeno, numa dose tolerada por indivíduos normais. (TIZARD, 2009). Alérgenos alimentares são, na maioria das vezes, glicoproteínas de 18 a 36 mil Daltons, sendo geralmente termo e ácido estáveis (SAMPSON, 1988). Essas glicoproteínas são hidrossolúveis, relativamente estáveis ao calor, ácidos e proteases. A estrutura primaria da proteína determina a sua antigenicidade, que pode ser diminuída quando a estrutura tridimensional é interrompida (estruturas secundárias e terciárias), alterando a estrutura das cadeias laterais de aminoácidos ou clivando as ligações peptídicas, processo conhecido como hidrólise (FERNANDES, 2005; CAVE, 2006; PLANT, 2011). Os antígenos alimentares mais comuns são as proteínas encontradas na carne bovina, na carne de frango, no leite, ovos, milho, trigo e soja (FERNANDES, 2005).

Acredita-se que há envolvimento dos mecanismos de hipersensibilidade dos tipos I, III e IV (PATERSON, 2008). A reação imediata (Hipersensibilidade I) envolve a combinação do alérgeno com IgE específica fixada a mastócitos teciduais ou basófilos circulantes, sensibilizado as células localizadas na pele e provocando a liberação de mediadores químicos como histamina, serotonina, prostaglandina e leucotrienos (ISHIZAKA, 1967). Ocorre de minutos a horas após a ingestão do alimento. Quando a ação em células é restrita ao trato gastrointestinal, ocorre sintomatologia específica deste sistema, caracterizada por diarreias e vômito (FERNANDES, 2005).

Hipersensibilidade do tipo II ou intermédia é resultado de uma fase tardia da degranulação de células mediada pela IgE. Há formação de imunocomplexos, que também podem se depositar na pele, na lâmina própria do intestino e fixação do complemento, gerando reação inflamatória local. É a responsável por sinais clínicos digestivos tardios (LESSOF, 1988).

Respostas de hipersensibilidade tipos III e IV possuem fisiopatologia não esclarecida e caracterizam uma reação tardia ao alérgeno. Na espécie humana, observa-se relação destas hipersensibilidades com doenças inflamatórias intestinais (FERNANDES, 2005). De acordo com White (1998), a hipersensibilidade alimentar tem maior prevalência em cães jovens com menos de um ano de idade.

A qualidade do alimento e as condições individuais dos animais são fatores predisponentes à alergia alimentar, além de outros fatores que contribuam para intolerância imunitária, que podem ser pela má digestão, problemas de permeabilidade intestinal, imunizações ou atopia (DURANTI, 2011). Dietas com proteínas de baixa digestibilidade aumentam a permeabilidade da mucosa do intestino, visto que sua digestão é incompleta, diminuindo o trânsito intestinal e aumentando o contato da mucosa com o alérgeno. A maioria dos cães com sintomas de hipersensibilidade alimentar ficaram expostos ao alimento por pelo menos dois anos antes da apresentação dos sinais clínicos (FERNANDES, 2005).

O teste de dieta de eliminação (TDE) é de eleição para o diagnóstico da doença, porém existem dificuldades de execução pelo proprietário do animal (SALZO, 2009; ZIMMER, 2011). Este teste consiste no fornecimento de alimentos com os quais o animal não teve contato até então, principalmente no que diz respeito à proteína (FERNANDES, 2005). Carboidratos podem também agir como alérgenos, porém isso ocorre em uma frequência bem menor, portanto, a dieta de teste inclui uma nova fonte de carboidrato, como arroz integral e batata (GASCHEN, 2006; PLANT, 2011). Normalmente em 15 dias, nota-se regressão das lesões e prurido. Durante a fase de teste, não se deve fornecer ao animal nenhum outro tipo de alimento, como petiscos, bolachas e doces, e o uso de aditivos, como óleo e sal, deve ser o mínimo possível. (JACKSON, 2001; FERNANDES, 2005; SALZO, 2009). Outra alimentação disponível para utilização no teste de eliminação são as dietas comerciais hidrolisadas além de tratamento, serve como método diagnóstico para cães com hipersensibilidade alimentar. As propriedades alergênicas dos alimentos são reduzidas através de processos enzimáticos. (BOND, 2008). Esses alimentos são conhecidos comercialmente como rações hipoalergênicas e são obtidas através da modificação da estrutura física da proteína, reduzindo a resposta imune provocada pelo alérgeno. As alterações estruturais são obtidas através da proteólise enzimática, processo que reduz o peso molecular da proteína para menos de 18 mil dáltons. (NASCENTE, 2006). 

Entretanto, as dietas atualmente disponíveis no mercado não são suficientemente hidrolisadas para garantir a completa ausência de todos os alérgenos, tornando a escolha de fonte de proteína alternativa ainda necessária. (CAVE, 2006).

Os ácidos graxos poli-insaturados (AGP) vem sendo amplamente utilizados na alimentação em casos de hipersensibilidade alimentar, pois são componentes estruturais da membrana celular, precursores dos ácidos graxos da série ômega, além de possuir papel importante na secreção e regulação dos hormônios hipotalâmicos e hipofisiários e ser indispensáveis em processos inflamatórios e imunes. (ORGANNACT)

Ácidos graxos poli-insaturados (AGP) possuem capacidade cicatricial cutânea e aumento da perda transepidermal de água (CAMPBELL, 1995). O ácido cis-Iinoleico (AL) é incorporado às ceramidas no extrato córneo da pele, impedindo a evaporação de água através da pele. O ácido aracdônico (AA) é o precursor da PGE2 e sua deficiência resulta em hiperqueratose e descamação da epiderme em felinos (CARCIOFI et al, 2010).

O grau de inflamação depende, da reação entre ácidos graxos ômega-3 (ácido linolênico) e ácidos graxos ômega-6 (ácido linoleico). A predominância de ácidos da série n-6 levaria a quadros inflamatórios mais intensos, já os ácidos graxos ômega-3 diminuiriam o processo inflamatório. (REINHART, 1998).

O ômega 3 é encontrado na linhaça, enquanto o ômega 6 em óleos de soja, milho e girassol, entretanto, gatos e cães atópicos são incapazes de converter ácido linolênico em EPA e DHA, e linoleico em GLA. Sendo assim, é necessário o fornecimento de fontes diretas de EPA, DHA e GLA nesses casos, através do óleo de peixe (EPA e DHA) e óleo de borragem (GLA). (ROYAL CANIN, 2017). 

Um nutriente importante na manutenção da integridade de pele e pelos é a proteína, visto que constitui cerca de 95% da composição de pelos, com alta porcentagem de aminoácidos sulfurados, e que o crescimento normal e queratinização da pele exigem 25-30% das necessidades proteicas do animal. Hiperqueratose, hiperpigmentação e perda do pigmento piloso são decorrentes da deficiência proteica (ORGANNACT). A associação de aminoácidos com vitaminas do complexo B promovem a diminuição da perda de água através da pele e a síntese de ceramidas, importante na nutrição e hidratação de células cutâneas (ROYAL CANIN, 2017).

Algumas vitaminas e minerais podem auxiliar no tratamento e prevenção dos danos cutâneos provocados pelos alérgenos alimentares, Vitamina A exerce inúmeras funções no organismo, como crescimento, desenvolvimento e manutenção do tecido epitelial, função imunológica e reprodutiva (ORGANACT). A vitamina C, além de possuir ação antioxidante, serve de coenzima para produção de colágeno. Vitamina B5 e B13 agem na proliferação e diferenciação de queratinócitos e como precursor na síntese de ceramidas, respectivamente. O zinco também atua na diminuição da perda de água, reforçando a barreira cutânea, e em forma quelada, acelera o crescimento do pelo. A associação de ômega 6 com zinco melhora aparência e qualidade da pelagem (ROYAL CANIN, 2017).

Considerações Finais

O manejo nutricional correto é determinante na melhora do quadro clínico de pacientes enfermos por atender a demanda de nutrientes requerida nas alterações metabólicas presentes nas afecções. A aplicação da nutracêutica na clínica veterinária deve sempre ser considerada na prevenção e tratamento de doenças crônicas e degenerativas, a fim de permitir maior qualidade de vida e longevidade ao paciente.


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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A função da embalagem para o alimento pet food

Camilla Mariane Menezes Souza¹; Gislaine Cristina Bill Kaelle¹ 
¹Mestrandas em Zootecnia, Universidade Federal do Paraná, UFPR

Introdução

O segmento pet food é o principal responsável pelo faturamento mundial do mercado pet. O expressivo crescimento da produção de rações foi proporcionado pelo aumento significativo da população dos animais de companhia, visto que uma fração relevante consome ração industrializada. 

Com maior exigência e expansão desse mercado, se faz necessário o desenvolvimento de produtos para atender a expectativa dos donos dos animais com intuito de lhes proporcionarem segurança e qualidade. Dessa forma, o investimento em alimentos de alta qualidade, seja em termos nutricionais ou de aceitabilidade e consumo, torna-se indispensável. Com o expressivo crescimento do setor, as empresas deixaram de se preocupar apenas com o conteúdo e deram início a uma forte pesquisa de qualidade de embalagem, com o intuito de fornecer, através dos seus produtos, cada vez mais praticidade aos donos dos animais. Neste contexto, investimentos são constantemente realizados nas embalagens, os quais devem ser seguras e resistentes afim de garantir a devida proteção permitindo que produto chegue em condições adequadas ao consumidor, que neste caso são os nossos cães e gatos. 

Neste sentido, a embalagem para o segmento de Pet Food passa a ser tão importante quanto o produto em si, garantindo barreiras eficazes contra a umidade, odor, luz, oxigênio e gordura. Evitando também variações de temperatura, luminosidade, choques, vapores ácidos, bactérias, insetos e outros agentes nocivos que podem contaminador o produto. Além disso, ela deve ser atrativa para despertar a atenção dos compradores, pois se um produto é exposto em lojas, juntamente com outros similares elaborados pelos concorrentes, a embalagem pode permitir um maior destaque e ajudar a vender o seu produto, apresentando-se como um critério de escolha.

No setor de pet food, as embalagens devem seguir a Instrução Normativa nº 30/2009 estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Desta forma, os fabricantes precisam estar atentos para cumprir todas as obrigatoriedades apresentadas.

A embalagem e suas múltiplas funções

Nos últimos anos, novos materiais, equipamentos e processos de impressão impulsionaram o mercado de embalagens. Não só visando atrair os bons olhos do comprador, mas principalmente para atender uma demanda exigente por qualidade, economia e praticidade.

A embalagem é caracterizada como o recipiente que contém o produto, permitindo o seu transporte, distribuição e manuseio. O papel que a embalagem desempenha é fundamental para as indústrias pet food. Além de acondicionar o produto, a embalagem é muito importante para conservar e manter a qualidade e segurança, garantindo uma barreira contra fatores que podem levar a deterioração química, física e microbiológica daquele determinado produto.

Muitos conceituam a embalagem como o vendedor silencioso, uma vez que um dos critérios de compra se estabelece pela forma que o consumidor se atrai por tal produto, sendo a embalagem um veículo de informação, levando os compradores a se interessarem em buscarem informações sobre as características e benefícios daquele alimento.

A característica da embalagem está muito associada ao tipo de segmento do produto. Alimentos completos caracterizados como super premium apresentam embalagens com maior tecnologia. Por exemplo, possuem monocamadas com laminação, que conciliam proteção e bom aspecto visual.

Torna-se necessário que o produto seja armazenado de forma adequada para chegar até seu consumidor final em condições perfeitas preservando a integridade do material. Neste sentido, a armazenagem de rações requer cuidados específicos para preservar as características do produto, por se um alimento perecível, ficando sujeito às variações de temperatura e umidade que se tornam prejudiciais na alimentação animal. As principais funções da embalagem estão descritas no esquema a seguir.
Fonte: Mestriner (2002, p.58)

Proteção

A proteção do alimento está muito associada à forma em que o produto é armazenado, visto que são necessários muitos cuidados específicos para preservar as características do produto, pois danos podem causar prejuízos à saúde no animal.

A embalagem tem a capacidade de proteger o produto contra choques, vibrações e compressões durante o transporte. Além disso, protege contra adulterações ou perdas de integridade, acidentais ou provocadas por alguma evidência de abertura. Diversas características da embalagem conferem proteção a:
• Umidade: Muito importante para os alimentos de cães e gatos, pois mantém a “crocância dos pellets” e a maciez. Além de evitar a proliferação de “ácaros”;
• Barreira Odor: Evita a atração de insetos e roedores em gôndolas de supermercado, Pet Shop e na casa do consumidor;
• Barreira Luz: Evita a degradação dos nutrientes encontrados nos alimentos para Cães e Gatos. Por exemplo: Vitaminas, Proteínas, Gorduras, etc.;
• Barreira a microrganismos: Impede o desenvolvimento de microrganismos presentes na atmosfera envolvente;
• Barreira Oxigênio: Evita a oxidação das gorduras contidas nos alimentos. Aumenta o tempo “Shelf Life” do produto, ou seja, a vida útil do mesmo.
• Barreira Gordura: Evita a perda da “palatabilidade” dos alimentos, além de reduzir a atração dos animais pelo alimento e diminuir o tempo de “Shelf Life” do produto.

Conservação

A embalagem é parte importante no processo de preparação e conservação dos alimentos. A manutenção da qualidade e a segurança do produto permite o aumento do seu tempo de prateleira, sem que haja perdas da qualidade nutricional do alimento a partir de algum tipo de deterioração. Basicamente se associa a manutenção da integridade sanitária e nutricional.

Outro fator importante é que durante a confecção da embalagem deve-se utilizar matérias e substâncias de sua constituição que não migrem para o produto, em quantidades que não possam colocar em risco a segurança dos animais ou alterar as características organolépticas do produto (odor, sabor, textura).

Muitas tecnologias hoje são incorporadas nas embalagens, sendo indispensáveis. Alguns exemplos:
• Processamento térmico: as embalagens devem ser herméticas, resistir à temperatura e permitir as variações no volume do produto durante o processo, sem perigo de deformação permanente e sem promover a contaminação pós-processo.
• Acondicionamento asséptico: o produto é esterilizado separadamente e introduzido assepticamente em embalagem também estéril. A embalagem deve ser adequada ao processo de esterilização e permitir o enchimento do produto processado e o fechamento em condições perfeitamente assépticas, mantendo a integridade e hermeticidade do material e das soldas.
• Embalagem em atmosfera modificada: consiste no acondicionamento em uma atmosfera gasosa, na qual emprega-se normalmente uma mistura de oxigênio, dióxido de carbono e nitrogênio ou, em alguns casos, apenas nitrogênio como gás inerte. Na maioria dos produtos, a conservação é também feita sob refrigeração. Esta tecnologia de processamento requer máquinas de acondicionamento eficientes e materiais de embalagem com permeabilidade seletiva e controlada, que permitem manter na atmosfera gasosa da embalagem, os seus gases em proporções constantes ou dentro de determinados limites, não obstante, o metabolismo ativo dos produtos embalados.

Veículo de informação e praticidade

Aquele ditado popular que sempre ouvimos: “mais vale o conteúdo que a embalagem” vem perdendo seu sentido estrito. Com o passar do tempo novos materiais, equipamentos e processos de impressão passaram a ser introduzidos na elaboração das embalagens, com intuito de ser bem visto pelo comprador e atender requisitos de qualidade, praticidade e custo beneficio. Além de ser um veículo de informação, a embalagem deve reter a atenção e seduzir o comprador no ponto de venda. Dessa forma, empresas estão em constante modernização de suas embalagens, buscando sempre a inovação.

A embalagem oferece informações relevantes ao comprador referente o produto, visto que no setor de pet food são essas as pessoas que realizam a compra. Além disso, remetem indicações e esclarecimentos que favorecem a distribuição e venda. Para os consumidores, ou para ser mais exato, aos compradores, a embalagem oferece um suporte sobre o produto. Estas contêm informações sobre quantidade, data de consumo, fabricante, informações nutricionais, instruções de uso e armazenamento, além da propaganda.

Outra característica da embalagem está associada a sua praticidade. As indústrias têm cada vez mais investindo em funções que forneçam aos donos maior facilidade. Alguns exemplos são as tampas dosadoras; sistema abre/fecha (easy open) possibilitando o fechamento entre utilizações, além de praticidade, esse sistema permite manter o produto na embalagem sem diminuir a sua qualidade, viabilizando maior conservação do sabor, do aroma e da crocância do alimento, principalmente quando essa tecnologia vem associada à inclusão de zíper; possibilidade de aquecer/cozinhar e servir na própria embalagem; utilização em fornos micro-ondas; permitir a combinação de produtos distintos; diferentes quantidades, alimentos duo.

A preocupação com a sustentabilidade da cadeia, desde a produção das embalagens até o consumo do produto e o descarte, foi também um impulsionador para o desenvolvimento do setor. Isso foi observado pelo uso de embalagens de fácil reciclagem e a implantação de sistemas de processamento de todo seu resíduo industrial, além da retirada das embalagens o uso de solventes. Exemplos podem ser dados a embalagens compostáveis que combinam na estrutura papel e filmes à base de celulose, que se tornam adubo orgânico em 180 dias em ambiente de compostagem. 

Considerações Finais

As embalagens deixaram de ser apenas itens básicos com função de armazenamento e passaram a ser vistas como parte essencial de um complexo sistema de busca por qualidade final do produto. Das várias funções desempenhadas, seja ela através da proteção a agentes externos, como luz, umidade e alguns organismos ou como um meio de conservação do alimento fabricado, as embalagens atuam de forma positiva sobre a estabilidade dos nutrientes presentes nos ingredientes, evitando assim o crescimento de patógenos que interfiram na qualidade e aparência final do produto, favorecendo a saúde dos animais que consomem o alimento presente nestas embalagens.

Referências:
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MESTRINER, F. (2002). Design de Embalagem: curso básico (2a ed.). São Paulo: Pearson Makron Books.

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REVISTA PET FOOD BRASIL. São Paulo: Novembro 2010. Disponível em: http://www.nutricao.vet.br/pdfs/revista_pet_food_brasil_dez_2010.pdf. Acesso em: 10 de Out. 2017.