segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A função da embalagem para o alimento pet food

Camilla Mariane Menezes Souza¹; Gislaine Cristina Bill Kaelle¹ 
¹Mestrandas em Zootecnia, Universidade Federal do Paraná, UFPR

Introdução

O segmento pet food é o principal responsável pelo faturamento mundial do mercado pet. O expressivo crescimento da produção de rações foi proporcionado pelo aumento significativo da população dos animais de companhia, visto que uma fração relevante consome ração industrializada. 

Com maior exigência e expansão desse mercado, se faz necessário o desenvolvimento de produtos para atender a expectativa dos donos dos animais com intuito de lhes proporcionarem segurança e qualidade. Dessa forma, o investimento em alimentos de alta qualidade, seja em termos nutricionais ou de aceitabilidade e consumo, torna-se indispensável. Com o expressivo crescimento do setor, as empresas deixaram de se preocupar apenas com o conteúdo e deram início a uma forte pesquisa de qualidade de embalagem, com o intuito de fornecer, através dos seus produtos, cada vez mais praticidade aos donos dos animais. Neste contexto, investimentos são constantemente realizados nas embalagens, os quais devem ser seguras e resistentes afim de garantir a devida proteção permitindo que produto chegue em condições adequadas ao consumidor, que neste caso são os nossos cães e gatos. 

Neste sentido, a embalagem para o segmento de Pet Food passa a ser tão importante quanto o produto em si, garantindo barreiras eficazes contra a umidade, odor, luz, oxigênio e gordura. Evitando também variações de temperatura, luminosidade, choques, vapores ácidos, bactérias, insetos e outros agentes nocivos que podem contaminador o produto. Além disso, ela deve ser atrativa para despertar a atenção dos compradores, pois se um produto é exposto em lojas, juntamente com outros similares elaborados pelos concorrentes, a embalagem pode permitir um maior destaque e ajudar a vender o seu produto, apresentando-se como um critério de escolha.

No setor de pet food, as embalagens devem seguir a Instrução Normativa nº 30/2009 estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Desta forma, os fabricantes precisam estar atentos para cumprir todas as obrigatoriedades apresentadas.

A embalagem e suas múltiplas funções

Nos últimos anos, novos materiais, equipamentos e processos de impressão impulsionaram o mercado de embalagens. Não só visando atrair os bons olhos do comprador, mas principalmente para atender uma demanda exigente por qualidade, economia e praticidade.

A embalagem é caracterizada como o recipiente que contém o produto, permitindo o seu transporte, distribuição e manuseio. O papel que a embalagem desempenha é fundamental para as indústrias pet food. Além de acondicionar o produto, a embalagem é muito importante para conservar e manter a qualidade e segurança, garantindo uma barreira contra fatores que podem levar a deterioração química, física e microbiológica daquele determinado produto.

Muitos conceituam a embalagem como o vendedor silencioso, uma vez que um dos critérios de compra se estabelece pela forma que o consumidor se atrai por tal produto, sendo a embalagem um veículo de informação, levando os compradores a se interessarem em buscarem informações sobre as características e benefícios daquele alimento.

A característica da embalagem está muito associada ao tipo de segmento do produto. Alimentos completos caracterizados como super premium apresentam embalagens com maior tecnologia. Por exemplo, possuem monocamadas com laminação, que conciliam proteção e bom aspecto visual.

Torna-se necessário que o produto seja armazenado de forma adequada para chegar até seu consumidor final em condições perfeitas preservando a integridade do material. Neste sentido, a armazenagem de rações requer cuidados específicos para preservar as características do produto, por se um alimento perecível, ficando sujeito às variações de temperatura e umidade que se tornam prejudiciais na alimentação animal. As principais funções da embalagem estão descritas no esquema a seguir.
Fonte: Mestriner (2002, p.58)

Proteção

A proteção do alimento está muito associada à forma em que o produto é armazenado, visto que são necessários muitos cuidados específicos para preservar as características do produto, pois danos podem causar prejuízos à saúde no animal.

A embalagem tem a capacidade de proteger o produto contra choques, vibrações e compressões durante o transporte. Além disso, protege contra adulterações ou perdas de integridade, acidentais ou provocadas por alguma evidência de abertura. Diversas características da embalagem conferem proteção a:
• Umidade: Muito importante para os alimentos de cães e gatos, pois mantém a “crocância dos pellets” e a maciez. Além de evitar a proliferação de “ácaros”;
• Barreira Odor: Evita a atração de insetos e roedores em gôndolas de supermercado, Pet Shop e na casa do consumidor;
• Barreira Luz: Evita a degradação dos nutrientes encontrados nos alimentos para Cães e Gatos. Por exemplo: Vitaminas, Proteínas, Gorduras, etc.;
• Barreira a microrganismos: Impede o desenvolvimento de microrganismos presentes na atmosfera envolvente;
• Barreira Oxigênio: Evita a oxidação das gorduras contidas nos alimentos. Aumenta o tempo “Shelf Life” do produto, ou seja, a vida útil do mesmo.
• Barreira Gordura: Evita a perda da “palatabilidade” dos alimentos, além de reduzir a atração dos animais pelo alimento e diminuir o tempo de “Shelf Life” do produto.

Conservação

A embalagem é parte importante no processo de preparação e conservação dos alimentos. A manutenção da qualidade e a segurança do produto permite o aumento do seu tempo de prateleira, sem que haja perdas da qualidade nutricional do alimento a partir de algum tipo de deterioração. Basicamente se associa a manutenção da integridade sanitária e nutricional.

Outro fator importante é que durante a confecção da embalagem deve-se utilizar matérias e substâncias de sua constituição que não migrem para o produto, em quantidades que não possam colocar em risco a segurança dos animais ou alterar as características organolépticas do produto (odor, sabor, textura).

Muitas tecnologias hoje são incorporadas nas embalagens, sendo indispensáveis. Alguns exemplos:
• Processamento térmico: as embalagens devem ser herméticas, resistir à temperatura e permitir as variações no volume do produto durante o processo, sem perigo de deformação permanente e sem promover a contaminação pós-processo.
• Acondicionamento asséptico: o produto é esterilizado separadamente e introduzido assepticamente em embalagem também estéril. A embalagem deve ser adequada ao processo de esterilização e permitir o enchimento do produto processado e o fechamento em condições perfeitamente assépticas, mantendo a integridade e hermeticidade do material e das soldas.
• Embalagem em atmosfera modificada: consiste no acondicionamento em uma atmosfera gasosa, na qual emprega-se normalmente uma mistura de oxigênio, dióxido de carbono e nitrogênio ou, em alguns casos, apenas nitrogênio como gás inerte. Na maioria dos produtos, a conservação é também feita sob refrigeração. Esta tecnologia de processamento requer máquinas de acondicionamento eficientes e materiais de embalagem com permeabilidade seletiva e controlada, que permitem manter na atmosfera gasosa da embalagem, os seus gases em proporções constantes ou dentro de determinados limites, não obstante, o metabolismo ativo dos produtos embalados.

Veículo de informação e praticidade

Aquele ditado popular que sempre ouvimos: “mais vale o conteúdo que a embalagem” vem perdendo seu sentido estrito. Com o passar do tempo novos materiais, equipamentos e processos de impressão passaram a ser introduzidos na elaboração das embalagens, com intuito de ser bem visto pelo comprador e atender requisitos de qualidade, praticidade e custo beneficio. Além de ser um veículo de informação, a embalagem deve reter a atenção e seduzir o comprador no ponto de venda. Dessa forma, empresas estão em constante modernização de suas embalagens, buscando sempre a inovação.

A embalagem oferece informações relevantes ao comprador referente o produto, visto que no setor de pet food são essas as pessoas que realizam a compra. Além disso, remetem indicações e esclarecimentos que favorecem a distribuição e venda. Para os consumidores, ou para ser mais exato, aos compradores, a embalagem oferece um suporte sobre o produto. Estas contêm informações sobre quantidade, data de consumo, fabricante, informações nutricionais, instruções de uso e armazenamento, além da propaganda.

Outra característica da embalagem está associada a sua praticidade. As indústrias têm cada vez mais investindo em funções que forneçam aos donos maior facilidade. Alguns exemplos são as tampas dosadoras; sistema abre/fecha (easy open) possibilitando o fechamento entre utilizações, além de praticidade, esse sistema permite manter o produto na embalagem sem diminuir a sua qualidade, viabilizando maior conservação do sabor, do aroma e da crocância do alimento, principalmente quando essa tecnologia vem associada à inclusão de zíper; possibilidade de aquecer/cozinhar e servir na própria embalagem; utilização em fornos micro-ondas; permitir a combinação de produtos distintos; diferentes quantidades, alimentos duo.

A preocupação com a sustentabilidade da cadeia, desde a produção das embalagens até o consumo do produto e o descarte, foi também um impulsionador para o desenvolvimento do setor. Isso foi observado pelo uso de embalagens de fácil reciclagem e a implantação de sistemas de processamento de todo seu resíduo industrial, além da retirada das embalagens o uso de solventes. Exemplos podem ser dados a embalagens compostáveis que combinam na estrutura papel e filmes à base de celulose, que se tornam adubo orgânico em 180 dias em ambiente de compostagem. 

Considerações Finais

As embalagens deixaram de ser apenas itens básicos com função de armazenamento e passaram a ser vistas como parte essencial de um complexo sistema de busca por qualidade final do produto. Das várias funções desempenhadas, seja ela através da proteção a agentes externos, como luz, umidade e alguns organismos ou como um meio de conservação do alimento fabricado, as embalagens atuam de forma positiva sobre a estabilidade dos nutrientes presentes nos ingredientes, evitando assim o crescimento de patógenos que interfiram na qualidade e aparência final do produto, favorecendo a saúde dos animais que consomem o alimento presente nestas embalagens.

Referências:
JORGE, N. Embalagens para Alimentos. São Paulo: Cultura Acadêmica, UNESP, 2013.

MESTRINER, F. (2002). Design de Embalagem: curso básico (2a ed.). São Paulo: Pearson Makron Books.

REVISTA PET FOOD BRASIL. São Paulo: Novembro 2011. Disponível em: http://www.nutricao.vet.br/pdfs/revista_pet_food_brasil_dez_2011.pdf. Acesso em: 10 de Out. 2017.

REVISTA PET FOOD BRASIL. São Paulo: Novembro 2010. Disponível em: http://www.nutricao.vet.br/pdfs/revista_pet_food_brasil_dez_2010.pdf. Acesso em: 10 de Out. 2017.