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sábado, 16 de dezembro de 2017

Muito além de alimentar: Nutrição como terapia em pacientes neurológicos e o papel da imunoterapia na clínica

Gabriel Maissack Campos¹, Gislaine Cristina Bill Kaelle²

¹Aluno da graduação Medicina Veterinária, UFPR.
²Mestranda em Zootecnia, UFPR.

INTRODUÇÃO

No início do atual século o papel dos animais de companhia atingiu um novo patamar, em que se passou de uma visão meramente funcional, como auxiliar em atividades e prover a segurança do “ambiente”, para uma em que são tidos como membros da família. Esse novo cenário acarretou uma demanda tanto a nível social, onde o tutor passa a se preocupar com a promoção de um maior bem-estar, qualidade de vida e longevidade (FAHEY, 2003), quanto a nível científico, em que busca-se atender as exigências desse mercado contemporâneo, atendendo para além das necessidades mínimas de manutenção homeostática, como também prevenir doenças, fortalecer o sistema imunológico, promover a saúde oral (CARCIOFI et al., 2007) e dar suporte perante condições fisiopatológicas, até mesmo em âmbitos puramente estéticos. (CARCIOFI & JEREMIAS, 2010).

Com esse enfoque cada vez menos simplista da nutrição, áreas do conhecimento como neurologia e imunologia ganham um importante aporte terapêutico (TORTOLA et al., 2009; JEREMIAS et al., 2009). Somado a uma maior longevidade, algumas patologias até então desconhecidas ou quase inexistentes, passaram a incidir de maneira mais expressiva na população animal, algumas destas degenerativas (VASCONCELLOS et al., 2013), ocasionadas pelo estresse oxidativo e fisiológico. Contudo, há certas patologias que permeiam a vida animal que antes eram negligenciadas, mas que, se amparando no contexto atual, ganham atenção clínica e novas abordagens dentro desta em relação a tais doenças. Entre essas abordagens se destaca a nutrição, em alguns casos mesclando-se à outras frentes, como ao empregar na dieta nutrientes com potenciais imunomoduladores.

Nutrição Neurológica

Uma das doenças degenerativas que mais tem chamado atenção dos profissionais da saúde é a Disfunção cognitiva canina (DCC), comumente comparada ao Alzheimer humano, devido às características morfofisiológicas. Estima-se que aproximadamente 60% dos cães acima de 11 anos apresentam essa patologia (AUTRAM, 2006), que tem como sinais clínicos comportamentais e fisiológicos: ansiedade por separação, menor interação com humanos e outros animais, alteração na frequência e intensidade da vocalização, agressividade, alteração do ciclo circadiano, distúrbios de micção e defecação e desorientação espacial (ROCHA, 2008). Esses sinais estão fortemente associados a deposição de placas senis, constituídas por β-amiloide, uma substancia que altera a condução nervosa (HEAD, et al.,2008; CURTIS, 2010) nas regiões do hipocampo e cortéx pré-frontal, responsáveis pela formação, consolidação de memórias de longo prazo e tomada de decisões, respectivamente (NEILSON, et al., 2001). Contudo, é válido ressaltar que esse processo é posterior ao estresse oxidativo do tecido nervoso e um declínio da ação excitatória deste (VASCONCELLOS et al., 2013). Isto é decorrente da queda da síntese de antioxidantes pelo organismo, consequentemente há uma maior degeneração da substancia branca (neurônios mielinizados), presentes no cortéx, assim como de neurotransmissores, neuropeptídios, lipídeos e gases que são responsáveis pela sinapse química no animal.

Como o estresse oxidativo é um ponto chave da gênese e do desenvolvimento da DCC, a terapia nutricional foca nesse aspecto para suprir as necessidades oriundas deste agravo com a adição de antioxidantes à dieta. Apesar do organismo animal possuir várias defesas contra espécies reativas, como superóxido dismutase, catalase e glutationa (LANDSBERG e HEAD, 2008), a suplementação é feita por vitaminas que também possuem propriedades antioxidantes. Estudos comparativos entre cães que foram alimentados com tais vitaminas e um outro grupo controle alimentado com uma dieta convencional, evidenciou-se que a dieta acrescida com antioxidantes resultou em um relevante ganho na aprendizagem em cães em idade longeva (GRAVES, 2005). A vitamina C e E atuam se contrapondo principalmente à atividade oxidativa em lipídeos, sequestrando e servindo como espécies de sacrifício, sendo oxidadas no lugar dessas que são responsáveis por inúmeras funções vitais do indivíduo, tal como a estrutura celular. Outros compostos intimamente ligados a atividade estrutural, como os ácidos graxos essenciais de cadeia longa – ácido araquidônico (AA); ácido eicosapentaenoico (EPA); e docosa-hexaenóico (DHA) – Que segundo Borges:
[...] fazem parte da estrutura dos fosfolipídios que são componentes importantes das membranas e da matriz estrutural de todas as células. Além de seu papel estrutural, esses lipídeos podem também modular a função celular ao atuarem como mediadores intracelulares da transdução de sinais e como moduladores das interações entre células. BORGES, 2013, p. 16-17. 

Ressaltando a importância desses compostos na manutenção morfofisiológica cerebral.

Outra patologia muito importante para área neurológica e que se tem utilizado a nutrição como viés terapêutico é a epilepsia, a doença crônica mais frequente nessa especialidade clínica. Ela própria pode ser subdividida em tipos específicos, de acordo com sua causa ou forma com que se apresenta, no entanto, o termo amplo da palavra se refere a qualquer quadro de convulsões recorrentes (BERENDT, 2004; MUNS, 2003). A mais frequente delas é a idiopática, que, segundo Da Silva (2013), há uma prevalência estimada entre 0,5 e 5,7% em cães. Esse tipo específico é caracterizado por um diagnóstico de exclusão que, por não conseguir determinar nenhuma causa aparente (MUNS, 2003; SAITO et al, 2001; PATTERSON et al, 2003; De LAHUNTA, 2009; ZIMMERMANN et al, 2009; GULLOV et al, 2011), admite-se que possui origem genética. As convulsões características do agravo são ocasionadas por uma descarga anormal de impulso nervoso no encéfalo, podendo ser focais, atingindo somente um hemisfério cerebral alterando ou não o estado de consciência do indivíduo, ou generalizadas que ocorrem por todo encéfalo. Essa descarga anormal pode ser oriunda de um desiquilíbrio entre cargas excitatórias e inibitórias das sinapses químicas, as vezes provenientes de lesões estruturais tais como, tumores cerebrais (ZIMMERMANN et al, 2009; BRAUER et al, 2011).

Estudos em modelos humanos e em ratos, utilizando dieta cetogênica, ou induzindo um quadro de cetose, tiveram um efeito benéfico sobre a frequência e intensidade das crises epilépticas. Não está claramente esclarecido os mecanismos bioquímicos subjacentes envolvidos em tal benefício, mas acredita-se que esteja vinculado à maior concentração de corpos cetônicos no cérebro, desempenhando um papel anticonvulsivo (STAFSTROM, 2004; CHANDLER, 2006). Pode-se inferir que não só na epilepsia idiopática, mas também na hipoglicemica e nutricional (deficiência de tiamina, importante para reações do metabolismo dos carboidratos), o efeito anticonvulsivo dos corpos cetônicos venham do fornecimento de uma segunda opção energética ao cérebro, que está deficiente em glicose, sendo a possível causa do desiquilíbrio entre cargas excitatórias e inibitórias, resultando em convulsões. Porém a indução desse quadro se torna mais difícil em animais, impossibilitando mensurar com exatidão a eficácia da dieta.

Imunonutrição

Assim como as várias áreas de conhecimento da clínica veterinária e suas abordagens que tem ganhado força nas últimas décadas, uma que vem se destacando é a imunoterapia, que consiste em fortalecer o sistema imune, que é responsável pela defesa do organismo. O sistema imune possui respostas distintas, uma inata e outra adquirida, e a nutrição pode fornecer o aporte necessário para que as células responsáveis pelas respostas inespecíficas, específicas ou até mesmo ambas, possam exercer eficientemente sua função. São inúmeros os nutrientes capazes de modular a imunidade, tais como vitaminas, prebióticos, ácidos graxos poli-insaturados e outro leque de biomoléculas. Das vitaminas as que mais se destacam são A, C e E, por conta de suas propriedades antioxidantes. Pelo fato das células deste sistema serem particularmente sensíveis ao estresse oxidativo, devido a sua característica de comunicação célula a célula, além de como qualquer outra célula, ter uma membrana rica em ácidos graxos poli-insaturados que, quando passam por tal estresse, comprometem a dinâmica da membrana, inclusive aqueles gerados a partir dos seus receptores (HUGHES, 1999). O β-Caroteno, precursor da vitamina A, age intensificando a proliferação dos linfócitos, sobretudo otimizando o potencial das células natural killers contra células cancerígenas, segundo SAAD, et al. (2015). A Vitamina E além do seu papel como antioxidante, age de forma semelhante ao β-caroteno, aumentando a atividade dos linfócitos T, assim como a de macrófagos. Em contrapartida sua deficiência na dieta gera uma menor produção das células de defesa, a exemplo, imunoglobulinas (SLOBODIANIK, 1995). Prebióticos também tiveram seus efeitos benéficos comprovados, esses provindos da capacidade dos grupos β-glucanos e α-mananos (principais polissacarídeos da parede celular de leveduras) reagirem com inúmeras células imunocompetentes (MEDZHITOV; JANEWAY JUNIOR, 2000), aumentando assim a população dessas e suas respectivas respostas imunes (ZAINE, et. Al.2014). Os ácidos graxos anteriormente citados podem ser liberados ao interstício, onde enzimas agem transformando-os em prostaglandinas, leucotrienos e tromboxanos. Como cada ácido graxo resulta em um intermediário especifico, acabam por balancear as diferentes populações de células imunes (NRC, 2006). Há compostos menos lembrados quando se pensa em potenciais imunomoduladores, apesar de possuírem papeis tão importantes quanto qualquer nutriente aqui já mencionado. Um exemplo é a glutamina, sua capacidade de imunomodulação confere a ela o poder inibitório sobre a carcinogênese (OLGIVIE et al., 2000), ou a luteína, que teve seu poder imunomodulador comprovado em um estudo com adições crescentes de concentração, obtendo resultados principalmente sobre a resposta imunológica especifica. (KIM et al., 2000a).

Considerações Finais

A nutrição tem se mostrado uma importante ferramenta na pratica clínica, ultrapassando sua função primária de alimentar, apesar de também a faze-la. Embora forneça importante auxílio às terapêuticas convencionais, através de inúmeros resultados comprovadamente benéficos, ela ainda não é tão amplamente aderida pelos médicos veterinários, tampouco conhecida por parte significativa dos tutores. Cenário que tem mudado, mesmo que a passos lentos. Não obstante, assim como nas demais faculdades do conhecimento, faz-se necessário maiores estudos, para que se possa consolidar as descobertas e propostas atuais, afim de tornar mais abrangente e universal o uso da nutrição como uma terapia aliada às abordagens clássicas.


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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Uso do ômega 3 na nutrição de cães e gatos

Amanda Mazur¹; Camilla Mariane Menezes Souza² 

¹Aluna de graduação Medicina Veterinária, UFPR.
²Mestranda em Zootecnia, UFPR.

Introdução

Resultado de uma melhor relação entre tutor e os animais de companhia, a nutrição tem sido uma grande aliada no cuidado da saúde desses animais, tendo como objetivo a maior longevidade e qualidade de vida.

Neste sentido, o uso de ômega 3 (n-3) na alimentação de cães e gatos tem sido uma alternativa interessante. O n-3 é considerado um ácido graxo poliinsaturado (AGPI) essencial, e deve ser suplementado na dieta, já que sua síntese em cães é pouco eficiente e em gatos é nula devido à ausência de certas enzimas.

O metabolismo n-3 leva a síntese de dois compostos benéficos no organismo, o ácido eicosapentaenóico (EPA) e ácido docosahexaenóico (DHA), que são precursores de eicosanoides, o que promovem a família uma característica antiinflamatatória. O uso desse composto é associado no tratamento de diversas afecções, como cardiopatias, neuropatias e dermatopatias.

As características dos Ácidos graxos

Os ácidos graxos possuem importantes funções no organismo que estão associadas ao armazenamento de energia, função estrutural e transportadora. São derivados de hidrocarbonetos, sendo então ácidos carboxílicos (COOH) com cadeias hidrocarbonadas, podendo ter uma variação de comprimento de 4 a 26 carbonos (LEHNINGER, 2002). Além disso, são identificados e nomeados pelo seu comprimento de cadeia (número de carbonos), quantidade e localização de duplas ligações (LEAF et al., 2005).

As duplas ligações podem ser saturadas onde todas as ligações são do tipo simples, e podem ser insaturados, o qual existe a presença de duplas ligações entre os carbonos. Essa dupla ligação pode ser única, dessa forma o ácido graxo é nomeado de monoinsaturado, se houver a presença de mais de uma dupla ligação, é considerado um poliinsaturado.

Figura 1- Exemplos de ácidos graxos Fonte: abq.org

Os ácidos graxos saturados são encontrados geralmente de forma sólida na temperatura ambiente, sendo as gorduras de origem animal ricas nesse tipo de ácido graxo, como exemplos têm-se o ácido palmítico. Na nutrição animal, a gordura bovina é uma fonte de gordura saturada comumente utilizada. Já em relação aos ácidos graxos insaturados, são compostos que em temperatura ambiente apresentam-se na forma liquida, faz parte desse grupo o ácido linolênico, conhecido como n-3. A gordura de frango é um exemplo de um ácido graxo saturado usado na formulação de cães e gatos.

Os ácidos graxos poliinsaturados (AGPI)

Os ácidos graxos poliinsaturados (AGPI) estão sendo relacionadas com a prevenção de uma série de doenças, mudando assim o conceito de que a gordura de forma geral é uma vilã para a saúde. Assim como podem agir auxiliando no controle de afecções cardíacas, podem também agir nos efeitos causados pelas gorduras saturadas (MAHAN, 1998; JENKINS, 1993) Essa classe não é sintetizada endogenamente pelo organismo dos animais, denominado de ácido graxo essencial, precisando de uma suplementação na dieta, já que existe uma deficiência enzimática que seria capaz de realizar essa síntese, as enzimas Δ9 e Δ15 dessnaturases (GONZALEZ, 2003).

Os AGPI podem ser classificados, entre n-3, ômega 6 (n-6) e ômega 9 (n-9) (Quadro 1), possuem cadeia longa, sendo que sua numeração varia conforme seu local de ligação dupla. O n-3, por exemplo, tem sua ligação entre o 3º e o 4º carbono, dando origem assim, ao seu nome.

Quadro 1 - Ácidos Graxos Poliinsaturados

Como mostrado no quadro 1, cada classe de ômega, tem um precursor, o ômega 6 (n-6) tem como precursor o ácido linoleico, e a partir desse precursor ocorre a síntese de outros AGPI essenciais por ação enzimática, o mesmo ocorre com o n-3, essas enzimas agem no comprimento de cadeia e desnaturação da mesma, com a ação de desnaturases e elongases.
Figura 2 – Metabolização dos ácidos graxos n-3 e n-6 Fonte: Adaptado por MOREIRA et al., (2002)
Para que os ácidos graxos das séries n-6 e n-3 exerçam sua ação nos processos fisiológicos, é necessário que estejam em proporções adequadas no organismo (SHEIBEL, 2016) já que esses AGPI competem pelo mesmo aporte enzimático, afetando assim a quantidade dos seus derivados (ácido araquidônico (AA) para n-6 e EPA para n-3), e realizando essa proporção, se tem uma melhor modulação de processos inflamatórios (LLOYDE, 1989; REINHART, 1996; VAUGHN e REINHART 1996), já que os eicosanoides derivados do n-6 são pró-inflamatórios, levando a quadros inflamatórios mais severos, em contraste os eicosanoides sintetizados a partir dos n-3 são menos inflamatórios. Porém a proporção de n-3 não deve ser maior do que n-6, já que ele tem uma função moduladora apenas, de equilíbrio, de forma que os eicosanoides do AA ainda possam ser sintetizados, considerando que suas funções são de extrema importância, o processo inflamatório em si é um importante mecanismo de defesa, sendo que é um sinalizador para o sistema imune.

Segundo Burr e Burr (1929), foi constatado que os animais e humanos necessitam dessas substâncias para a garantia de suas funções orgânicas. Existindo consequentemente recomendações de ingestão diária desses componentes.

A suplementação de ácidos graxos da família do n-3 tem sido um grande aliado na nutrição de cães e gatos, sendo ela com o caráter de auxílio ao tratamento ou prevenção de doenças. E por isso os conhecimentos sobre seu metabolismo, e da importância na dos seus derivados no organismo dos animais de companhia.

Ômega 3 (n-3)

A família do n-3 é formada por compostos de cadeia longa, com sua dupla ligação localizada entre o terceiro e quarto carbono. Pela ação de enzimas especificas ocorrem alterações na estrutura do precursor dessa família, o ácido alfa linolênico (18: 3 ALA), que levam a síntese de outros componentes dessa família, o ácido eicosapentaenóico (20:5 EPA) e posteriormente o ácido docosahexanoico (22:6 DHA) (CARCIOFI 2002).
Figura 3 - Metabolização do n-3 Fonte: BORGES et al. (2013)
As principais fontes dessa classe, quando considerado o ALA, são em sementes de plantas, e um grande exemplo é a semente de linhaça (TEITEBAUM e WALKER, 2001). Entretanto, ingredientes de origem animal são mais completos e também fornecem a maior parte ALA, EPA e DHA (TREVISAN e KESSLER, 2009). Segundo os mesmos autores, tradicionalmente, os ácidos graxos essenciais são comumente presentes em níveis significativos em vísceras de animais e derivados de peixes, como é o caso do óleo e da farinha.

Entretanto por haver baixa eficiência de transformação de ALA em EPA ou DHA no organismo (BURDGE, 2006; KARAPANAGIOTIDIS et al., 2007; BRENNA et al., 2009) há limitação na utilização desses produtos como fonte de n-3 na dieta de cães.

Apenas a suplementação por ALA, não é suficiente, já que a atividade enzimática para este composto em cães é pouco eficiente e em gatos nula, ou seja, mesmo que o ALA esteja presente nos ingredientes dos alimentos fornecidos aos cães e gatos o organismo não terá a capacidade de aproveitar esse composto para produzir DHA e EPA.

Óleos derivados de fontes marinhas, a concentração de derivados da série n-3 é bastante expressiva, especialmente do DHA (SANTOS, 2012). Assim, essas fontes de n-3 são preferíveis na dieta, uma vez que já estão prontamente disponíveis, havendo menor necessidade de metabolização, para gerar efeitos benéficos ao organismo (TREVISAN e KESSLER, 2009). Desta forma, são suplementados nas dietas de cães e gatos.

Para cães em crescimento, consideram-se importante suplementar os ácidos graxos n-3 ALA, EPA e DHA, uma vez que possuem funções fisiológicas importantes, especialmente em relação ao sistema nervoso central, estando em elevadas concentrações no leite da cadela supondo-se desta forma, que possam ser condicionalmente essenciais para filhotes.

As necessidades mínimas de ALA, EPA+ DHA estão descritos abaixo conforme FEDIAF (2016). Necessidades mínimas 100g MS (FEDIAF 2016)
Os AGPI estão relacionados com a síntese de eicosanoides, por exemplo, e isso ocorre para ambas às famílias (n-3 e n-6). Além disso, os ômegas garantem participação em funções estruturais de membrana e de atividade enzimática (YOUDIM et al, 2000; MOREIRA et al, 2002). A presença de atividades inflamatórias é de extrema importância para o organismo, já que o sistema imune, por exemplo, pode ser estimulado e modulado por citocinas presentes nessas reações. Porém, respostas inflamatórias exacerbadas podem ser prejudiciais à saúde e ao bem-estar.

Ácido eicosapentaenoico (EPA)

Uma das principais funções relacionada com esse ácido graxo é a sua participação na síntese de compostos biologicamente ativos, os eicosanoides, sendo esses compostos oxigenados dos ácidos graxos poliinsaturados, sendo participantes da família, as prostaglandinas (PGs), leucotrienos (LTs) e tromboxanos (TXs) (ANDRADE e CARMO 2006). Além do EPA, o ácido araquidônico (AA) também é formador de eicosanoides.

Os AGPI têm como função a participação estrutural em membranas, onde fica ligado a um grupo fosfato, sendo considerado um fosfolipídio. O mesmo é clivado por enzimas, as fosfolipases, e metabolizado, o que pode ocorrer por vias diferentes, a via da ciclooxigenase ou da lipooxigenase, que terão como produtos os eicosanoides PG (prostaglandina), TXs (tromboxanos) da série 3 e leucotrienos da série 5, e as enzimas responsáveis por essas vias são a COX e 5-LOX. O EPA compete com o AA por essas enzimas, e os derivados do EPA são considerados com atividade menos inflamatória em comparação aos derivados do AA, dando a família ômega 3 uma propriedade antiinflamatória em relação a família ômega 6. Esse efeito da família n-3 sobre a n-6 pode ocorrer devido a uma maior predileção enzimática da COX e da 5-LOX, as enzimas da síntese de eicosanóides, pelo EPA em relação ao AA, o que possibilita a diminuição da síntese de derivados do ácido araquidônico (Figura 4).
Figura 4 - Síntese dos eicosanoides Fonte: CALDER, 1998; YOUDIM et al., 2000; MOREIRA et al., 2002

Ácido docosahexaenóico (DHA)

O efeito terapêutico do DHA em grande parte está associado ao seu papel de precursor dos eicosanoides e ao seu impacto no metabolismo dessas substâncias. Assim, a suplementação dietética com fontes desse ácido graxo altera a razão entre estes eicosanoides, favorecendo os compostos menos inflamatórios (BARRETT e BIGBY 1995, REINHART et al., 1996; SCHEIBEL et al., 2015). Segundo Scheibel et al. (2015) em um estudo com gatos a suplementação de DHA foi eficiente para diminuir a PG da série par (PG2) derivada do metabolismo de AA que tem um caráter mais inflamatório que os derivados do metabolismo do DHA, ou seja, a suplementação de DHA foi capaz de desviar o metabolismo do AA.

Porém, esse AGPI tem uma importante função estrutural nas membranas celulares, inclusive de tecidos nervosos como o cérebro e no desenvolvimento da retina em filhotes de cães (CARCIOFI et al., 2002; PERINI et al., 2010). Segundo Heinermannet et al (2005) níveis plasmáticos maiores de DHA após a suplementação dietética em cães filhotes foram relacionados com uma melhor função visual. Esse efeito pode estar associado a presença do DHA em alto nível nos fosfolipídios da retina dos cães (TREVISAN e KESSLER, 2009).

De acordo com LeBlanc (2005) o uso de DHA e EPA podem levar a menor concentrações séricas de triglicerídeos e pode ser uma opção no tratamento de hiperlipidemias.

Estudos demonstram que o uso de DHA também pode ter ação antiinflamatória. De acordo com Keilley et al (2009), a suplementação de DHA em humanos diminuiu o número de neutrófilos circulantes, de proteína C reativa (PCR), uma proteína presente em inflamação, e de estimuladores de colônias de leucócitos. A suplementação com DHA, somente, foi suficiente para diminuir os níveis de PGE2, metabolito do AA, um biomarcador da inflamação (SCHEIBEL, 2015).

Uso do ômega 3 aliado a saúde de cães e gatos

Devido aos seus amplos efeitos benéficos o uso de n-3 tem sido extrapolado no tratamento de diversas afecções em cães e gatos. E uma de suas principais formas de uso é no tratamento de doenças não transmissíveis e doenças degenerativas como cardiopatias e doenças oncológicas, essas afecções são encontradas na rotina clínica, principalmente se associadas com a senilidade.

A cardiomiopatia dilatada é uma das enfermidades de maior incidência em cães de pequeno porte (PORSANI et al., 2015). Estudos demonstram que o uso de EPA está relacionado com o controle da hipertensão e o DHA nas arritmias (SOUZA et al., 2007). Um dos mecanismos do seu efeito antiarrítmico pode estar relacionado com a sua incorporação à membrana de miócitos alterando assim a função de canais de cálcio e sódio, que levam a alterações na despolarização dessas células, o que diminui a frequência cardíaca. Já o efeito antitrombótico está relacionado ao desvio do metabolismo do AA em suplementações com n-3, onde ocorre menor formação de eicosanóides como o tromboxano A2 e prostaciclina (PGI2) (FARRÉ et al., 2006). Além disso, o efeito antiinflamatório do n-3 e a redução de triglicerídeos a nível plasmático causados pelo EPA e DHA são importantes fatores no controle de cardiopatias.

Waldron et al (1998) relatam que o DHA é necessário para o desenvolvimento neurológico pois a suplementação de n-3 durante a gestação e a lactação propiciou aos filhotes melhorias no desenvolvimento do sistema nervoso com reflexos positivos na memória e na aprendizagem (HEINEMANN et al., 2005). 

No câncer a redução de óxido nítrico (NO), ciclooxigenase-2 (COX-2) pela ingestão do n-3 são importantes. A COX-2 é um produto da metabolização do AA, e essa está aumentada em diversos tipos de câncer, como o de mama (STEHR e HELLER, 2006), sendo que o câncer de mama é o de principal ocorrência em cadelas, segundo um trabalho realizado por De Nardi (2002) a neoplasia mamária foi a principal encontrada dentre os casos oncológicos, somando quase 70% dos casos, sendo que a maioria de caráter maligno. O óxido nítrico é um potenciador carcinogênico, por isso a inibição de sua síntese é benéfica (STEHR e HELLER, 2006). O eicosanóides pares são relacionados com metástases e proliferação celular, a síntese desses é diminuída pela ingestão de n-3 (STOLL, 1998).

As dermatopatias também tem alta incidênciana rotina, e em estudos realizados com a suplementação de n-3 pode se evidenciar a diminuição de prurido. As dermatites são doenças inflamatórias e por isso pode se observar o efeito benéfico da família n-3 pela maior proporção eicosanoides (CARCIOFI et al., 2002 e LLOYDE 1989).

Em pesquisas com cães caquéticos Freeman (2008) observou que uma suplementação diária de EPA e DHA levou a menores níveis de fator necrose tumoral alfa (TNF α), prostaglandina E (PGE) e a produção de interleucina 1 (IL-1), ajudando desta forma tratamento da caquexia. Segundo Ogilvie (2004) o uso do n-3 em modelos animais, observou-se uma diminuição da lipólise e na degradação de proteínas, o que em animais caquéticos ajudaria em uma melhor manutenção de seu escore corporal.

Os efeitos do uso de ômega 3 também podem ser benéficos a uma série de doenças, como a doença renal crônica, doenças odontológicas e afecções oftalmológicas. Como citado por Elliot e Lefebvre (2009), onde os efeitos anti-hipertensivos da família n-3 são benéficos na DRC, assim como a diminuição de triglicerídeos a nível plasmático. Cavallet et al., (2009) realizaram um estudo em cães que desenvolveram olho seco de forma induzida após uma cirurgia de catarata, e o uso do n-3 foi um agente na recuperação do olho seco.

Além disso, têm recebido atenção significativa no que se refere à diminuição dos sinais clínicos associados à osteoartrite (CARCIOFI et al., 2002).

Efeitos adversos relacionados ao uso de ômega 3

O uso desbalanceado pode levar a efeitos indesejáveis. Começando por problemas de coagulação devido à diminuição da agregação plaquetária, porém, em um estudo realizado por Hall (1995) não foram encontradas alterações em coagulogramas de animais alimentados a um longo período com ácidos graxos n-3.

Um estudo utilizando animais realizado por Pompéia (2000) onde os mesmos foram alimentados com n-3 tiveram uma menor resposta proliferativa linfócitos, com diminuição de células natural killer (NK) e uma pior fagocitose. É valido ressaltar que o efeito antiinflamatório é importante, porém o a resposta inflamatória é crucial na resposta do organismo a um agente agressor, uma resposta inflamatória ineficaz pode significar uma maior suscetibilidade em frente a um desafio.

Um maior número de insaturações na estrutura do DHA o deixa mais vulnerável a oxidação, o que resulta em um composto danoso a membranas celulares, e por esse motivo o uso de DHA pode ser associada com uso de vitamina E, um antioxidante no intuito de diminuição esses compostos (CATALÁ, 2009; CARCIOFI et al., 2002).

Considerações Finais

O uso de correto de ácido graxos poliinsaturados da família n-3 tem uma série de benefícios a saúde dos animais, sendo um potente coadjuvante no tratamento de diversas doenças extremamente comuns em cães e gatos. Através da suplementação de AGPI da família n-3 podem gerar respostas positivas. Uma proporção correta entre o n-6 e n-3 e uma dieta balanceada devem ser estabelecidos afim de não prejudicar nenhuma das funções orgânicas dos animais. Ainda são necessários maiores estudos sobre os efeitos adversos que podem ser causados pelo uso incorreto e indiscriminado de compostos ômega.


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