A linguagem corporal dos gatos, como decifrar?

Os animais de companhia fazem parte da vida do ser humano a bastante tempo. Hoje observa-se um aumento no número de animais de companhia, principalmente na população de gatos que no Brasil existem cerca 19,8 milhões...

Decifrando o rótulo do alimento pet food

A embalagem é uma forma de comunicação com o consumidor e tem grande participação na concorrência por um lugar no mercado, uma vez que é responsável pelo primeiro contato do consumidor com o produto, sendo objeto primordial para a definição da escolha para compra...

Importância da ingestão de água para o gato

A população de animais de estimação vem crescendo ao passar dos anos, colocando o Brasil como a segunda maior população de cães e gatos, ficando atrás através apenas dos Estados Unidos...

domingo, 25 de março de 2018

A linguagem corporal dos gatos, como decifrar?

Mariana Aparecida Gomes Pereira¹, Camila Mariane Menezes Souza²

¹Aluna da graduação Zootecnia, UFMG.
²Mestranda em Zootecnia, UFPR.

Introdução

Os animais de companhia fazem parte da vida do ser humano a bastante tempo. Hoje observa-se um aumento no número de animais de companhia, principalmente na população de gatos que no Brasil existem cerca 19,8 milhões (ABINPET, 2012). Segundo Serpell, (1989) os gatos cada vez mais estão deixando de ser simples animais de companhia e vem se tornado membros da família, sendo tratados como quase pessoas; devido principalmente à sua grande capacidade de adaptação aos diferentes tipos de ambientes (BEAVER, 2003). Além disso, agradam os gostos da sociedade moderna com a popularização de construções verticais, moradias menores e novos estilos de vida (NUNES, 2011).

Mas para se ter uma convivência harmônica entre os animais de companhia e os humanos, deve-se entender a linguagem expressada por este animal, que se comunica mediante a visão, olfato e audição, e para isso utilizam os olhos, orelhas, boca cauda, e principalmente a postura corporal (OVERALL, 1997). 

Principais posturas e expressões corporais

A postura mais conhecida segundo a Cat Friendly Clinic, (2018) é aquela em que o animal levanta o pêlo ao longo do dorso arqueado, mostra os dentes e achata a orelha; essa postura é utilizada principalmente para parecer maior e espantar o inimigo. No entanto, quando ele se sente ameaçado ele se recolhe e afasta para evitar brigas.

Já na postura ofensiva os gatos mantem um contato visual direto com o corpo curvado para frente e a cauda movimentando-se ou rígida. Quando o animal fica com a cauda no ar de aparência relaxada e ele se esfrega no corpo do seu tutor, indicando que o animal está querendo carinho. Observamos na imagem abaixo, o gato calmo (A0B0), agressivo, mas de forma ofensiva (A3B0), defensivo e ofensivo (A3B3), sendo que na série A0B0 - A3B0 o gato vai se tornando mais ofensivo e na A0B0 - A0B3 torna-se mais defensivo.

Adaptado de: Rivera, (2011).
Segundo a Royalcanin (2018) os gatos emitem suas expressões com a cabeça e para isso eles utilizam a posição das orelhas, formato dos olhos e bigodes. Quando o gato está neutro aparenta as orelhas eretas voltadas para frente e olhos arredondados; já quando ele está nervoso, suas orelhas vão estar levantadas, retas e viradas para o lado, e seus olhos em formato afunilado; na ocasião em que as orelhas ficam baixas, e pupilas arredondadas e dilatas o gato apresenta-se comportamento agressivo; orelhas abertas e em direção a frente, com olhos semiabertos e pupila em fenda indica que o gato está feliz. Observamos estas expressões na imagem abaixo:
Adaptado de: Royalcanin, (2018)
Ainda de acordo com o autor supracitado os gatos se expressam também através dos sons, tais como:
• Ronronar: que quando filhotes, durante a amamentação indica que estão satisfeitos e que tem completa dependência por ela. Já quando o animal ronrona com o tutor, indica que o gato está contente e com bem-estar.
• Rosnar: este som é emitido como forma de defesa do animal, geralmente o gato o emite para tentar intimidar.
• Miar: pode variar em função do gato, existem casos em que o gato costuma miar bastante, mas há situações em que o gato é mais quieto e quando mia muito é para indicar que ele não está bem. Conforme Madi (2015) existe o miado comum, que é para chamar a atenção de seu tutor, e o miado em um tom mais alto que indica que o animal está exigindo algo, ou mesmo, está insatisfeito com algo; porem se o miado for alto e longo, pode indicar que o animal está com dor.

O gato segundo Beaver (2003) possui em sua anatomia uma enorme quantidade de glândulas sebáceas que são localizadas ao redor da boca, queixo, área perianal e na base da cauda. Por isso que os gatos geralmente gostam de esfregar essas áreas, este ato é conhecido como rubbing sendo considerada outra forma que os gatos utilizam para se expressar. Muitas vezes indicam, dominância ou estatuto social (OVERALL, 1997). Há ainda uma outra forma de comunicação que é olfativa, realizada através urina (spraying) empregada, sobretudo, por machos não castrados, com intenção de marcação territorial, sexual e agonística (BEAVER, 2003).

De acordo com Henzel, (2015), diferentes tipos de glândulas presentes na pele e em certas membranas mucosas estão envolvidos na produção de feromônios que apresentam funções espaciais, sociais e sexuais, há 6 grandes áreas que atuam na produção de feromônios sendo elas:

1. Área facial: Área das glândulas periorais e da bochecha, com muitas estruturas secretoras no queixo.
2. Complexo podal: Local onde estão localizadas as glândulas podais dos membros torácicos e pélvicos. São estruturas presentes nos coxins e na região interdigital, que é usada para secretar suor, como exemplo em uma situação em que o gato está com medo.
3. Complexo perianal: Área onde estão localizadas as glândulas supra caudais, circum-anais e sacos anais.
4. Complexo genital: Estão presentes nesta área as glândulas sebáceas do prepúcio ou vulva, e glândulas mucosas uretrais ou genitais.
5. Complexo mamário: Feromônio secretado pelas glândulas sebáceas presente entre as cadeias mamarias.
6. Urina e fezes: São fontes de feromônios, sendo a fezes usada para indicar situações alarmantes.

A posição da cauda ainda expressa mais comunicações do gato. Quando ela está na horizontal indica confiança, demonstra que o gato está relaxado. Caudas côncavas mostra que o gato está na defensiva. Quando ela se encontra na vertical indica que o gato está amigável. Na ocasião em que a cauda é colocada entre os membros posteriores mostra que o animal está submisso (OVERALL, 1997).

Por que entender a linguagem dos gatos

A relação homem-gato tem implicação direta no comportamento de ambos, podendo ser relação de prazer ou até mesmo de conflito (SANTOS, 2014). A linguagem corporal dos gatos é sem dúvida muito importante, sendo esta desenvolvida para melhorar a convivência com estes felinos. Suas expressões faciais associadas às corporais são a melhor maneira que os gatos encontram para transmitir uma mensagem clara (CAT FRIENDLY CLINIC, 2018). 

Compreender como o gato se sente, se está feliz, relaxado, ou mesmo angustiado e perturbado, torna-se uma importante tarefa que o tutor deve desempenhar. Permite aumentar a sensação de segurança do gato, o que consequentemente aumenta a demonstração de amor e afeto do animal para com o seu tutor, proporcionando desta forma, uma boa convivência entre gato-homem (VIGNE et al, 2004).

Conclusão

É de grande importância entender o comportamento do gato através de suas expressões corporais ou sonoras já que é o modo de comunicação dos gatos, os quais expressam suas emoções, desejos ou mesmo um estado de doença. Este entendimento permite aos tutores de gatos um aprofundamento na relação gato-homem, gerando um ambiente harmônico de boa convivência e socialização. 



Referências:
ABINPET, Associação Brasileira da indústria de produtos para animais de estimação, 2012, Disponível em:< http://abinpet.org.br/site/>. Acesso em: 24 de fevereiro de 2018. 
BEAVER B. V., Feline behavior: A Guide for Veterinarians, 2ºEd, W B Saunders Company, 2003. 
CAT FRIENDLY CLINIC, Linguagem Corporal nos Gatos, 2018, Disponível em:. Acesso em: 24 de fevereiro de 2018. 
HENZEL M., RAMOS D., Uma introdução ao uso dos feromônios sintéticos na clínica veterinária comportamental, 2015, Disponível em:< http://psicovet.com.br/wp-content/uploads/pdf/image/ceva_PetJournal-Ed21.pdf>. Acesso em: 24 de fevereiro de 2018. 
MADI R., Miado de gato – Como entender o seu gato, 2015, Disponível em:< http://www.cachorrogato.com.br/gato/miado-gato/>. Acesso em: 24 de fevereiro de 2018. 
NUNES, J. O. R. Contribuição para o estudo da dinâmica de populações de cães e gatos do Município de Jaboticabal, São Paulo. 91f. Dissertação (mestrado em Medicina Veterinária). Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias. Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Reprodução Animal. Universidade Estadual Paulista – Unesp, Jaboticabal, São Paulo, 2011. 
OVERALL K. L., Clinical Behavioral Medicine for Small Animals, 1ºEd, Mosby, 1997. 
RIVERA, D. G., Agressividade felina contra pessoas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, porto alegre, 2011/2. 
ROYALCANIN, Interpretando a linguagem e o comportamento de seu gato, 2018, Disponível em:< http://www.royalcanin.com.br/newsletter/gato-adulto/interpretando-a-linguagem-e-o-comportamento-de-seu-gato>. Acesso em: 24 de fevereiro de 2018. 
SANTOS, M. I. M. M. F. Epidemiologia das alterações comportamentais em cão e gato da consulta de referência em Portugal. Portugal. 2014. 
SERPELL, J.A. Pet-keeping and animal domestication: a reappraisal. In: 
CLUTONBROCK, J. The Walking Larder: Patterns of Domestication, Pastoralism and Predation. Cambridge: Cambridge University Press, p.11-19, 1989. 
VIGNE, J.D. et al. Early Taming of the Cat in Cyprus. Science, v. 304, n. 9, p. 259, 2004.


quinta-feira, 1 de março de 2018

Importância da ingestão de água para o gato

Lizia Cordeiro de Carvalho¹; Camilla Mariane Menezes Souza²; Cristina Sá-Fortes3 

¹Mestranda em Zootecnia, UFMG 
²Mestranda em Zootecnia, UFPR 
³Docente, UFMG 

A população de animais de estimação vem crescendo ao passar dos anos, colocando o Brasil como a segunda maior população de cães e gatos, ficando atrás através apenas dos Estados Unidos. O país possui 22,1 milhões de gatos (ABINPET, 2013), sendo essa a população que mais se multiplica entre os animais de estimação (IBGE, 2013) visto a modernização das cidades e individualização crescente da sociedade. 

Com o aumento afetivo por estes animais, cresceu também a preocupação com sua saúde e longevidade. Um fornecimento incorreto de alimento pode aumentar às chances de diversas alterações metabólicas propiciando o surgimento de enfermidades (CARCIOFI, 2007).

Os gatos são classificados com carnívoros estritos, adaptados a uma dieta de alta digestibilidade, com elevada concentração proteica, moderada de lipídeos e mínima de carboidratos (ZORAN, 2002). Esses mantêm suas características de caça e extinto predador mesmo nos animais bem alimentados (KIRK, et al., 2000). Além do alimento a dieta completa inclui a ingestão de água, que é esquecida ou pouco discutida.

A água exerce funções essenciais no organismo, dentre elas, meio de transporte para substâncias, solução tampão, lubrificação, reações de hidrólise, auxilio na termorregulação, além de ser o principal constituinte de células, tecidos e órgãos (OLIVEIRA, 2016). No entanto, o consumo de água potável pelos gatos é baixo (GRANT, 2010; WEI et al., 2011).

A ocorrência da baixa ingestão de água pode aumentar o risco de várias enfermidades, dentre elas destacam-se doenças no trato urinário inferior de felinos (CASE et al., 1998; CARCIOFI, 2007). Outros sistemas como o cardiovascular, respiratório e nervoso, o trato digestivo, e o fígado dependem da adequada hidratação para o bom funcionamento. Enfatizando, a necessidade de maior ingestão de água pelos gatos. 

Urolitíase em gatos

Várias doenças principalmente renais e no trato urinário inferior de felinos, podem ser causadas ou agravadas pela desidratação. De acordo com O’NEILL et al. (2015) nos EUA estas doenças são consideradas como a maior causa de morte em gatos, com mais de cinco anos. Dentre elas, a urolitíase é um problema clínico preocupante, e acomete felinos em diversos países (LULICH et al., 2016) estando associado com concentração de diferentes minerais e formação de urólitos na bexiga urinária e/ou uretra (YAMKA et al., 2006). 

Ainda, segundo o autor supracitado, dentre os urólitos formados, os de estruvita e oxalato de cálcio são os de maior ocorrência. A sua formação também está relacionada com o pH urinário, que pode ser alterado por aminoácidos sulfurados e macronimerais, encontrados na dieta do animal. A urolitíase pode causar obstrução urinária, que são fatores que provocam à cistite, caracterizada pela inflamação da mucosa da bexiga, sendo aguda ou crônica (LIMA et al., 2008).

Uma das alternativas para diminuir a formação de urólitos baseia-se no aumento da ingestão de água, que consequentemente irá aumentar o volume urinário, diminuindo a concentração dos minerais na urina, auxiliando na eliminação destes (Lima et al., 2008).

Consumo de água pelos gatos

Sabe-se que os gatos são originalmente de regiões desérticas, os quais tinham baixa disponibilidade de água potável, porém, eles se alimentavam várias vezes ao dia de presas com elevado teor de água, uma média de 70 a 80%, diminuindo a necessidade de ingestão da mesma (STETOFF, 2004). Os cães, diferente dos gatos, suprem facilmente a necessidade de água que o corpo precisa, devido ao impulso de sede controlado pelo hormônio antidiurético (PENZ, 2016), que não é tão desenvolvido nos gatos.

Neste sentindo, como os gatos não sentem necessidade de ingerir água várias vezes ao dia, mesmo em estado de desidratação, esses animais podem concentrar a urina, afim de, perder pouca água corporal e sobreviver com baixo consumo (HOUSTON, 2007). Entretanto, manter o corpo bem hidratado é fundamental para um bom funcionamento do organismo, sobrevivência e manutenção da saúde.

O estimulo de ingestão de água é influenciado por fatores internos ao animal como: a ingestão de alimento, a composição proteica e mineral que esse alimento apresenta, o seu estado fisiológico e seu desenvolvimento de atividades físicas, além de fatores externos como: temperatura, umidade relativa do ar e condição da água oferecida (ZANATTA, 2016).

Os gatos têm particularidades individuais, quanto à fonte de água, dentre elas a temperatura e a forma de oferecê-la (GRANT, 2010). Existem no mercado dois tipos de bebedouros para gatos, o tipo tigela e o tipo fonte, o qual a água mantem-se em movimento. No entanto Grant (2010) relata que mesmo após o estimulo pelo bebedouro não houve alterações significativas no consumo.

Além da fonte, a temperatura da água pode aumentar ou diminuir o consumo. Em dias quentes podem-se adicionar cubos de gelo a água do animal, a fim de manter a temperatura mais agradável e ajudar na termorregulação do animal. Além disso, a localização do bebedouro é essencial. Distribuir vários bebedouros ao longo do ambiente que o animal vive preferivelmente em lugares mais calmos que não atrapalhe ou desestimule o consumo, é uma prática recomendada.

O alimento também é uma importante fonte de água para o animal. Atualmente encontram-se três tipos de alimento completo para gatos, os úmidos que contêm de 72 a 80% de umidade, semi-úmidos com 25 a 35% de água e os mais consumido o alimento seco que apresentam10 a 12% de umidade (RICE, 1997). A variação da água da dieta regula o consumo de água potável pelo animal. Gatos que consomem alimentos úmidos ingerem menos água, diferente dos animais que consomem alimento seco. No entanto, o consumo total de água é maior em animais consumindo dieta úmida, pelo elevado teor de água no alimento (WEI et al., 2011).

Desta forma, como o alimento consumido pelo gato, interfere na ingestão de água, uma das formas de aumentar esse consumo seria com adição de água nas suas refeições. Esse processo deve ser gradual, para que assim o animal se acostume com a textura da dieta.

Considerações finais

É evidente que o aumento do consumo de água tem função de prevenção de doenças no trato urinário inferior de felinos. Há uma falta de ênfase nas pesquisas e na indústria, sobre a importância da água como um nutriente essencial para os gatos. Estimular seu consumo é essencial, afim de, proporcionar para seu gato de estimação uma vida mais saudável e longevidade.


Referências:
ABINPET . Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de estimação, 2013. Disponível em: . Acesso 25 Fevereiro de 2017. 
CARCIOFI, A.C. Métodos para estudos das resposta metabólicas de cães e gatos a diferentes alimentos. R. Bras. Zootec., v. 36, suplemento especial, p. 235-249, 2007. 
CASE, L.P.; CAREY, D.P.; HIDREAKAWA, D.A. Nutrição canina e felina: manual para profissionais. Madrid: Harcourt Brece, p. 424, 1998. 
GRANT, D.C. Effect of water source on intake and urine concentration in healthy cats. J Feline Med Surg, p.431-4. 2010. 
HOUSTON, D.M. Water intake and urine output: what we think we know about cats and urinary tract disorders. In: Small Animal-Nephrology and Urology-The North American Veterinary Conference, p. 673-674, 2006. 
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2013. Disponível em:http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv39560.pdf. Acesso em: 25 Fevereiro de 2017. 
KIRK, C.A., D.J.;. ARMSTRONG P.J. Normal cats, in Small animal clinical nutrition, M.S. Hand, et al., Editors. Mark Morris Institute: Missouri. P. 291 – 340, 2000. 
LIMA, E.R.; REIS, J.C.; MENEZES, M.M.; SANTOS, F.L.; PEREIRA, M.F.; ALMEIDA, E.L.; TEIXEIRA, M.N.; SILVA, M.G.V. Aspectos anatomopatológicos em gatos domésticos com doença do trato urinário inferior. Medicina Veterinária, Recife, v. 2, n. 4, p. 17-26, 2008. 
LULICH, J.P.; BERENT, A.C.; ADAMS, L.G.; WESTROPP, J.L.; BARTGES, J.W.; OSBORNE, C.A. Recommendations on the treatment and prevention of uroliths in dogs and cats. J. Vet. Intern Med. p. 1564-1574, 2016. 
OLIVEIRA, J.P.C.A.; GONÇALVES, L.C.; JAYME, D.G.; DINIZ, T.H.; PIRES, F.P.A.A.; CÔRTES, I.H.G.; CRUZ, D.S.G.; SANTOS, D.; MOURA, A.M. Considerações sobre o consumo de água por bovinos. Nutri Time, vol. 13, n. 01, 2016. 
O'NEILL, D.G.; CHURCH, D.B.; MCGREEVY, P.D.; THOMSON, P.C.; BRODBELT, D.C. Longevidade e mortalidade de gatos que atendem a práticas veterinárias de atenção primária na Inglaterra. J Feline Med Surg. ; v.17 (2), p.125-33, 2015. 
PENZ, A.M.JR. Importância da água na produção de Frangos de corte IV SIMPÓSIO PORTELA, M. E. P. Doenças do trato urinário inferior dos felinos: revisão de literatura. Monografia, UNIFOR-MG, p. 8-10, 2016. 
RICE, D. The complete book of the cat breeding. p. 168, 1997. 
STEFOFF, R. AnimalWays, Cats. Benchmark Books, Marshall Cavendish, NewYork. p. 53, 2004. 
WEI, A.; FASCETTI, A.J.; VILLAVERDE, C.; WONG, R.K.; RAMSEY, J.J. Effect of water content in a conned food on voluntary food intake and body weight in cats. Am J Vet Res. p.918-23, 2011 . 
YAMKA, R.M.; FRIESEN, K.G.; SCHAKENRAAD, H. The prediction of urine pH using dietary cations and anions in cats fed dry and wet foods. The International Journal of Applied Research in Veterinary Medicine, Apopka, v. 4, n. 1, p. 58-66, 2006. 
ZANATTA, C.P.; FÉLIX, A.P.; OLIVEIRA, S.G.; MAIORKA, A. Fatores que regulam o consumo e a preferência alimentar em cães. Sci. Agrar. Parana., Marechal Cândido Rondon, v. 15, n. 2, p. 109-114, 2016. ZORAN, D.L., The carnivore connection to nutrition in cats. J Am Vet Med Assoc. 221(11): p. 1559-67, 2002.

Decifrando o rótulo do alimento pet food

Camilla Mariane Menezes Souza¹; Gislaine Cristina Bill Kaelle¹ 

¹Mestrandas em Zootecnia, Universidade Federal do Paraná, UFPR 

Introdução

A embalagem é uma forma de comunicação com o consumidor e tem grande participação na concorrência por um lugar no mercado, uma vez que é responsável pelo primeiro contato do consumidor com o produto, sendo objeto primordial para a definição da escolha para compra.

As embalagens cada vez mais presentes no cotidiano vêm apresentando diversas transformações em função de novos materiais e tecnologias. Com uma apresentação estética e visual adequada, tem uma vantagem competitiva e decisiva na concorrência nos postos de venda. Além disso, as embalagens possuem transcrito em seu material os rótulos, que são responsáveis por toda e qualquer informação referente ao produto.

Os rótulos são elementos essenciais de comunicação entre produtos e consumidores. Desta forma, é importante que as informações sejam claras e de fácil orientação a escolha adequada dos alimentos. As informações contidas nos rótulos das rações devem ser reais, para que o consumidor saiba todos os nutrientes contidos no alimento que será fornecido ao seu animal de estimação.

Neste contexto, o artigo tem como objetivo decifrar todas as informações contidas nos rótulos das embalagens de alimentos para cães e gatos.

O rótulo e suas atribuições

O rótulo deve ser o mais claro possível, permitindo ao comprador analisar com facilidade a constituição do alimento.

Para auxiliar a escolha dos diferentes alimentos industrializados, as embalagens dos produtos para cães e gatos obedecem a uma regulamentação do Ministério da Agricultura. Portanto, a forma como são apresentados os níveis de garantia e o modo de uso do alimento deve ser igual para todos os fabricantes.

O que deve conter na embalagem pet food?

Segundo estabelece o Decreto nº 76.986, de 06 de janeiro de 1976, é obrigatório em uma embalagem de alimentos completos e alimentos especiais pet food os seguintes itens: 
• Designação do alimento, seguido da finalidade a que se destina, em letras da mesma cor e tamanho; 
• Declaração dos níveis de garantia, acrescida de todos os nutrientes específicos associados aos atributos indicados ou de seus componentes;
• Informação nutricional, em caráter obrigatório e em conformidade com o presente regulamento;
• Quantidade administrada, exceto para alimentos especiais/específicos, tais como os petiscos “Snack”, deve ser expressa em unidades de peso e volume por kg de Peso Corporal – PC, de forma que atenda a exigência de energia metabolizável (EM) que deverá corresponder ao alimento tal e qual exposto à venda, nas seguintes especificações: 
a) Cães em mantença (adulto) - EM (kcal/dia) igual 132 vezes PC elevado 0, 75 (kg);
b) Cães em crescimento - EM (kcal/dia) igual 1,6 vezes EM cães em mantença;  
c) Gatos em mantença (adulto) - EM (kcal/dia) igual 70 kcal/kg vezes PC (kg); 
d) Gatos em crescimento - EM (kcal/dia) igual 160 kcal/kg vezes PC (kg);

Para alimentos especiais/coadjuvantes: Deve ter em destaque informando que o produto deve ser usado como auxiliar, NÃO substituindo o tratamento convencional e “Alimentos sob orientação profissional”.

INFORMAÇÕES CONTIDAS NO RÓTULO

Expressões: 

• “Light”, “lite”, “leve”, “baixa caloria”, “low calorie”, “reduced calorie”, “caloria reduzida”, “low energy”, “baixa energia”, “low fat”, devem ser colocados na face externa/frontal do rótulo. 
• Free: significa o atributo “não contém”. 
• Para alimentos especiais/específicos, tais como petiscos, “Snack”, deverão constar nos dizeres de rotulagem da seguinte expressão “ESTE PRODUTO NÃO SUBSTITUI O ALIMENTO COMPLETO”.

Composição Básica:

Neste item devem estar expostos os ingredientes utilizados na formulação do alimento, incluindo fontes de carboidratos, proteínas, gordura, vitaminas, minerais, aditivos, prebióticos, palatabilizantes, corantes. Devem ser listados em ordem decrescente conforme a quantidade utilizada na fórmula. É indicado que estes ingredientes sejam dispostos por ordem de inclusão, de maior quantidade para menor quantidade, ou seja, começando do ingrediente que tem em maior quantidade na formulação.

O alimento, popularmente conhecido como rações, possui diversos ingredientes na sua constituição. É altamente proibido as empresas mentirem ou omitirem em relação aos ingredientes que utilizam. Muitas vezes os ingredientes são o que diferem uma marca da outra. Então atente-se a descrição desse item.

Termos gerais e ambíguos como “cereais” ou “carne e subprodutos (ou derivados) animais” são referentes a uma série de ingredientes de qualidade variável. As indústrias usam estes termos quando as receitas estão sujeitas a alterações frequentes ou como prática de marketing, porque se os ingredientes fossem descritos os clientes poderiam deixar de comprar. Além disso, termos gerais como os apresentados acima são utilizados para não descrever a fórmula secreta utilizado pela empresa. 

Composição básica (Ingredientes): Farinha de vísceras de frango, farelo de glúten de milho 60*, ovo desidratado, proteína isolada de suíno, milho integral moído*, quirera de arroz, polpa de beterraba, gordura de frango, óleo de peixe, gordura suína, ácido propiônico, antioxidantes BHA e BHT, cloreto de potássio, cloreto de sódio, hidrolisado de suíno e frango, levedura seca de cervejaria, mananoligossacarídeos (0,20%), parede celular de levedura, vitamina A, vitamina B12, vitamina C, vitamina D3, vitamina E, vitamina K3, ácido fólico, ácido pantotênico, biotina, cloreto de colina, niacina, piridoxina, riboflavina, tiamina, cobre aminoácido quelato, ferro aminoácido quelato, iodeto de potássio, manganês aminoácido quelato, proteinato de selênio, sulfato de cobre, sulfato de ferro, sulfato de manganês, sulfato de zinco, zinco aminoácido quelato. *Contém milho e farelo de glúten de milho 60 transgênicos (espécies doadoras de gene: Bacillusthuringiensis, Agrobacteriumtumefaciens, Streptomycesviridochromogenes) Fonte: Premier Pet.

Subprodutos:

Define um subproduto animal como qualquer parte de uma carcaça de um animal, ou qualquer matéria de origem animal, não destinados ao consumo humano. Caracterizados como tecido animal reciclado sem adição de pêlos, cascos, chifres, couro, esterco e conteúdo estomacal, exceto em quantidades que as boas práticas de processamento não conseguiram evitar.

Os subprodutos comumente utilizados na composição de rações para cães e gatos são: farinha de carne e ossos, farinha de vísceras de aves, farinha de sangue, farinha de peixe e, dependendo do segmento a qual se destina, farinha de penas.

Além dos ingredientes provenientes do processamento de carcaças animais, há subprodutos de origem vegetal, os quais são resíduos obtidos a partir do beneficiamento do milho, soja, trigo, arroz, entre outros, por exemplo. Sendo que ao final de cada processamento o subproduto terá um papel nutricional diferente. O glúten de milho, por exemplo, será utilizado na composição como fonte proteica, já a casca de soja, por sua vez, fonte fibrosa.

Cereais:

O termo “cereais” refere-se a qualquer produto de qualquer cereal incluindo trigo, arroz, cevada, milho e outros. Apesar deste termo atrair bastantes críticas, é preciso notar que não é necessariamente indicativo de ingredientes de má qualidade já que inclui todos os cereais, dos melhores aos piores. Muitas vezes apresenta-se individualmente na constituição.

Níveis de garantia:

Contém as quantidades de nutrientes contidos no alimento. É importante os donos compreenderem sua relevância na alimentação do seu animal de estimação.
• Os níveis de garantia deverão estar correlacionados com a composição do produto;
• Deverão ser expressos em mg/kg quando a concentração for inferior a 10.000 mg/kg e em g/kg quando for superior ou igual a 10.000 mg/kg;
• Na declaração dos níveis de garantia de macrominerais e aminoácidos deverá ser considerada a quantidade total, referente à quantidade adicionada e o presente nos demais componentes do produto;
• Os níveis de garantia de macrominerais, microminerais, vitaminas e aminoácidos devem ser expressos em valores mínimos, com exceção do cálcio expresso em mínimo e máximo e do flúor expresso em valor máximo.

Proteína bruta (PB): É expressa em porcentagem, declara a quantidade mínima de proteína presente no alimento. Conforme os ingredientes utilizados na formulação é que se pode saber a qualidade da proteína usada na formulação, o que explica que nem sempre um alimento com maior percentual de proteína é melhor que um outro produto com menos quantidade. Uma dica ao escolher um alimento é levar em consideração a digestibilidade das fontes utilizadas. A digestibilidade de uma proteína (ou de qualquer alimento) é simplesmente o quanto o tratogastrinstestinal consegue absorver dos nutrientes ofertados.

A proteína está diretamente ligada à formação dos ossos, músculos e estruturas nervosas, por isso é um componente importantíssimo para a saúde do seu animal. Dietas de qualidade inferior utilizam partes pobres em proteína, deixando o alimento fraco do ponto de vista nutricional.

Alguns benefícios da Proteína Bruta:
• Favorece o desenvolvimento estrutural do organismo;
• Promove a formação e o crescimento dos músculos, órgãos, pele e ossos; 
• Esta presente na carne, peixe, ovos, soja e outros.

Extrato etéreo (EE): Expressa a quantidade mínima de gordura presente no alimento, em unidade de porcentagem. Assim como a proteína, a qualidade está associada às fontes utilizadas na formulação. Esses ingredientes possuem ácidos graxos que são essenciais aos animais e participam de diversos processos biológicos no organismo.

Além de serem uma das principais fontes de energia, são importantes para o crescimento, para a reprodução e para a agregação de vitaminas. Ainda, auxiliam também na palatabilidade do alimento. O percentual mínimo sugerido é de 8%, e uma excelente ração pode chegar a 14% ou mais. 

Umidade (UM): Expressa em porcentagem, demonstra a quantidade máxima de água presente no alimento.

Toda a ração precisa de água na sua composição e esse teor de água é a UM. Umidade em excesso no alimento pode favorecer a proliferação de microrganismos nocivos. Além disso, significa que o consumidor compra mais água e menos alimento. Teores baixos de água tornam o produto extremamente seco e indigesto ao animal. Portanto opte por rações com níveis de umidade entre 8% a 12%.

Matéria fibrosa (MF): Demonstra a quantidade máxima de fibra que está presente no alimento, sendo expressa em porcentagem. Maiores níveis de fibras geralmente é empregado em alimentos específicos como, por exemplo, animais obesos, dieta light, pois sua inclusão tem como capacidade a redução calórica.

A MF é um componente necessário à saúde intestinal de cães e gatos. São de origem vegetal e não são metabolizadas pelo sistema digestivo, porém auxiliam em todo o processo digestivo desses animais.

A inclusão de farelos vegetais em excesso pode elevar o nível de fibra bruta para além do recomendado, comprometendo a digestão e absorção de proteínas e minerais, causando deficiência em algum desses nutrientes. A MF atua como coadjuvante no processo digestivo fazendo com que o alimento seja bem absorvido por todo o trato intestinal, desacelerando o processo de agregação nutricional e favorecendo a maior entrada de nutrientes. O percentual ideal é de 3% a 6%.

Matéria mineral (MM): Demonstra a quantidade máxima de todos os minerais presentes no alimento, expressa em porcentagem.

Corresponde a tudo o que sobrou do procedimento de fabricação da ração, são denominados como as cinzas do processo. A MM não tem nenhuma importância nutricional, porém é preciso constar no rótulo de ração, pois quanto menor sua percentagem, melhor será o aproveitamento do alimento.

Cálcio (Ca): Declara a quantidade máxima que pode estar presente no alimento, expressa em porcentagem. Um alimento com muito cálcio pode levar a problemas ósseos.

Fósforo (P): Declara a quantidade mínima que deve estar presente no alimento, expressa em porcentagem. É muito importante que se obedeça a uma relação entre as quantidades de cálcio e fósforo do alimento. A relação recomendada de Ca:P é de 2:1, ou seja, até duas partes de cálcio para cada parte de fósforo incluída na dieta.

Fonte: Portal Nestlé (Proplan).

Mínimos e Máximos:

Alguns nutrientes podem comprometer a qualidade caso sejam adicionados em excesso, tendo então limites máximos:

UM: excesso de umidade pode favorecer a proliferação de microrganismos nocivos no alimento. Além disso, significa que o consumidor está comprando mais água e menos ração.

FB: componente necessário à saúde intestinal de cães e gatos. A inclusão de farelos vegetais em excesso pode elevar o nível de fibra bruta além do recomendado. Isso pode comprometer a digestão e absorção de proteínas e minerais, causando deficiência destes nutrientes. Uma quantidade maior de fibra reduz a qualidade do produto porque reduz a densidade energética e também pode levar à diarreia. A quantidade de fibra pode ser maior em alimentos específicos (light), como os produtos para animais obesos.

MM: Minerais em excesso comprometem a qualidade das dietas, pois quanto maior o teor de matéria mineral, geralmente representada pela maior participação da farinha de carne e ossos na composição do ingrediente, menor sua digestibilidade, visto que haverá redução no teor de matéria orgânica do alimento. Além disso, essas farinhas proteicas possuem grande quantidade de Ca e P (CARCIOFI et al., 2006).

Ca: Um alimento com muito cálcio pode levar a problemas ósseos. A elevada ingestão de cálcio não é benéfica aos animais, pois o excesso desse mineral resulta em competição e redução da absorção intestinal de outros minerais. A alta concentração de cálcio em algumas rações, principalmente as utilizadas na alimentação de grande porte, pode resultar em maior incidência de doenças osteoarticulares.

Relação Ca:P: É importante a manutenção de adequada relação Ca:P (1:1 a 2:1, no máximo), pois o excesso de um dos minerais compromete a absorção do outro.

Outros, cuja falta poderia acarretar problemas para a saúde dos animais, possuem limites mínimos:

PB: serve para formar os ossos, músculos, estruturas nervosas;
EE: é a principal fonte de energia, importante para o crescimento e a reprodução;
P: Sua deficiência pode levar ao retardo no crescimento, hiporexia, menor mineralização óssea (osteomalácea), entortamento de pernas, hipofosfatemia. Está associado ao excesso de Ca nos alimentos (relação Ca:P maior que 2:1). 
Energia metabolizável: A densidade energética da dieta deve ser suficientemente alta para permitir que os cães e gatos obtenham calorias suficientes para manter o balanço energético, já que a energia é o principal fator que determina a quantidade de alimento consumido por dia e, portanto, a ingestão dos demais nutrientes. 

Fonte: Inmetro (2006).
São importantes que tanto os limites máximos e mínimos sejam obedecidos e respeitados pelas indústrias, e apresentados no rótulo da embalagem.

Muitos proprietários alimentam os animais de estimação à vontade com um produto seco e não se preocupam com a sobrecarga no consumo. Entretanto, com a fabricação de produtos de alta qualidade, alta palatabilidade e alta densidade energética, uma menor quantidade do produto é necessária para alimentar os animais.

Enriquecimento:

• As vitaminas e microminerais constantes na formulação dos produtos deverão ter seus níveis de garantia declarados no campo denominado enriquecimento.
• As vitaminas A, D e E deverão ser garantidas em UI/kg (Unidades Internacionais por quilograma) e a vitamina B12 em µg/kg (micrograma por quilograma).
• Os aditivos nutricionais e zootécnicos e os macrominerais constantes na formulação dos produtos deverão ter suas substâncias ativas ou elementos ativos declarados nos níveis de garantias.

Modo de usar: As quantidades recomendadas no modo de usar são obtidas a partir de fórmulas pré-estabelecidas que determinam a energia metabolizável do alimento e a necessidade diária dos animais de acordo com o peso, obedecendo a regulamentação do Ministério da Agricultura. São adequadas para a maioria dos animais e dos alimentos. No entanto, existem diversos fatores que influenciam na necessidade energética do animal, sendo necessários ajustes na quantidade oferecida para se manter o peso dentro do ideal. 

Fonte: Hercosul Alimentos (Biofresh)
Instrução normativa: Consiste em ato administrativo com normas disciplinares que deverão ser adotadas no funcionamento do serviço. O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o órgão responsável pela fiscalização dos produtos destinados a alimentação animal. 

A Instrução Normativa Nº 30, de 05 de agosto de 2009, estabelece critérios e procedimentos para rotulagem de produtos destinados à alimentação de animais de companhia.

DESCRIÇÃO DO RÓTULO

Nome do produto: Marca que foi elaborada para o marketing daquele alimento.
Conteúdo ou peso líquido: O enchimento interno deve atender um volume adequado.

Fonte: Premier pet
Indicação de uso: Deverá ser clara e concisa, descrevendo o objetivo do produto, constando a espécie animal, a respectiva categoria e fase a que se destina. 

Fonte: Premier pet
Claims: Chamadas, que tem intuito chamar a atenção dos compradores. São conhecidas como informações nutricionais complementares que possuem uma alegação de propriedade funcional e de saúde. As indústrias devem dizer a verdade; usar as qualificações de forma clara e visível; certificando a compreensão por trás das chamadas por parte do comprador, que nestes casos são os donos dos animais.

Por exemplo: 
“Ômega 3: reduz os triglicerídeos e o colesterol”.
“Dentes saudáveis e limpos”
“Otimiza a digestão”
“Ingredientes de qualidade”
“Sabor incrível”
“Promove uma pelagem brilhante”]

Fonte: VB alimentos (Finotrato prime – High Premium)

Símbolo de alimentos transgênicos: Se na composição existem ingredientes que se enquadram nessa classificação, é necessário que neste rótulo em específico apresente o símbolo e os microrganismos utilizados para transgenia. 

Fonte: Premier pet
Instrução referente ao uso do produto: Geralmente informa a quantidade que deve ser fornecida. Apresenta-se geralmente, uma tabela de recomendação, em que de acordo com peso do animal, a quantidade de alimento (g) que deve ser fornecido ao animal para atender as exigências nutricionais.

Identificação do lote, indicar a numeração sequencial do lote: Com o número do lote e a data de fabricação registrados na embalagem é possível averiguar a origem de todas as matérias-primas utilizadas na elaboração do alimento. Se houver uma reclamação de um cliente em qualquer lugar do Brasil e ele possuir estes dados, será possível identificar, inclusive, a placa do caminhão que trouxe a matéria-prima à unidade de produção.

Data da fabricação: indica claramente o dia, mês e o ano em que o produto foi fabricado;

Data ou prazo de validade: indica claramente o dia, mês e o ano; prazo de consumo: período no qual o produto pode ser consumido ou utilizado, após aberta a embalagem, sob determinadas condições de conservação e armazenagem, predeterminadas pelo fabricante, que assegurem as características originais do produto;

Proibido na alimentação de ruminantes: utilização de produtos destinados à alimentação desses animais que contenham em sua composição proteínas e gorduras de origem animal.

Considerações finais

Os rótulos nos permitem avaliar, de certa forma, a qualidade do produto exposto nas prateleiras dos pontos de venda, através de informações como os ingredientes incluídos e dos níveis nutricionais apresentados pelo alimento. Para isso, é necessário que saibamos interpretar cada uma dessas informações para que o produto adquirido seja o melhor em termos de custo/benefício e principalmente de qualidade nutricional.

Referências:
ARGEPASI ALIMENTOS. Decifrando o rótulo de ração. Disponível em: http://www.argepasi.com.br/mundo-pet/espaco-saude/dicas-basicas/15/decifrando-o-rotulo-da-racao
BORGES, N. U. Embalagens como forma de expressão e comunicação no ponto-de-venda de auto-serviço. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Publicidade e Propaganda) - Universidade Anhanguera, 2010. 
CASE, L. P.; CAREY, D. P.; HIRAKAWA, D. A. Nutrição canina e felina. Harcourt Brace de España S.A., Madrid, Espanha, 424pp, 1998. 
LOVE PETFOOD. Ebook: Como avaliar uma marca de ração. Disponível em .www.lovepetfood.com 
MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Decreto no 76.986, de 06 de janeiro de 1976. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Seção 1, p. 499, 1976. 
VOLPATO, P. M. Qualidade de Rações para cães adultos armazenadas em recipientes abertos e fechados. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Zootecnia) – Universidade Federal de Santa Catarina., 2014.


domingo, 25 de fevereiro de 2018

Histórico das dietas comercias para cães e gatos

Eduarda Lorena Fernandes ¹, Nayara Ostapechen², Daniele Cristina de Lima³

¹ Graduanda em Zootecnia – UFPR. E-mail: eduarda_lorena@hotmail.com 
² Mestranda em Zootecnia – UFPR. E-mail: nayostapechen@gmail.com 
³ Doutoranda em Zootecnia – UFPR. E-mail: daniele.escrobot@gmail.com 

INTRODUÇÃO

As dietas comerciais representaram 6,6 bilhões do faturamento da alimentação de cães e gatos com residência fixa em 2006, já no ano de 2016 esse número aumentou para 18,9 bilhões, sendo a principal fonte nutricional para esses animais, que aumentaram conforme os anos. O Brasil tem posição de destaque na produção de alimentos balanceados para animais de companhia. É o segundo maior produtor no mundo com aproximadamente 3,2 milhões de toneladas/ano, apresentando mais de 500 marcas diferentes, 287 laboratórios e 87.170 empresas que compõem a rede de comercialização (Abinpet, 2016).

Anteriormente, os investimentos em indústrias pet eram escassos. Entretanto, hoje a produção de alimentos para animais é tão exigente quanto à fabricação de alimentos humanos. Todo o processo é rigorosamente estudado para que haja satisfação do mercado cada vez mais exigente pensando na qualidade da matéria prima, fator muito importante para a produção. Cereais, carnes, peixes chegam a fábricas como coprodutos, onde são separados de acordo com suas características individuais, nutricionais, bacteriológicas e de digestibilidade. Com isso, as linhas de produção seguem a conduta de sanitariedade, desta forma tornando-se inovadoras e seguras, com ajuda de máquinas e equipamentos nos quais, diminuem possíveis erros garantindo qualidade do produto final. (VB Alimentos).

Início Das Dietas Comercias

No início da domesticação, cães e gatos eram alimentados de acordo com a disponibilidade de seus proprietários. Eram fornecidos restos de caça, sopa preparada com sebo, ovos, peixes, cereais, ossos e pães umedecidos. Durante o inverno o queijo era o produto mais utilizado, pois possuía alto teor de lipídeos, proporcionando-os maior teor de energia. O tipo de alimento dependia da sazonalidade e da condição financeira dos tutores, não mantendo um padrão de dieta e dificilmente atingindo as exigências nutricionais de cada animal. (Blog do Cachorro, 2015).

As dietas comerciais mais parecidas com o que observamos hoje, tiveram início com o eletricista James Spratt. Em viagem para Londres ele percebeu que os cães do navio alimentavam-se de restos de biscoitos que os passageiros deixavam. Constatado isso, no ano de 1860 o norte-americano começou a fazer biscoitos assados a base de farinha de trigo e carne. Com o início da produção de biscoitos assados, outras variedades também foram criadas como alimentos úmidos e enlatados a partir de carne de cavalo auto clavada, introduzidos no mercado pela Ken-L-Rationea devido à alta quantidade de cavalos mortos em decorrência da primeira guerra mundial. Somente partir de 1950, após a segunda guerra mundial, começaram a aparecer no mercado as primeiras dietas extrusados nos Estados Unidos. Estes alimentos eram cozidos sob alta pressão, umidade e temperatura com controle de textura, densidade e formato proporcionando melhor digestibilidade e grande atratividade para os pets. (Blog do Cachorro, 2015). Estes já se pareciam mais com os comercializados atualmente.

Com o passar dos anos, a preocupação dos tutores para com os seus animais de companhia, fez com que a dieta e a nutrição dos mesmos fossem aperfeiçoadas, atendendo assim as necessidades nutricionais e de mantença de cães e gatos.

Evolução das dietas comerciais

A partir da produção de biscoitos por James Spratt, variedades de biscoitos, petiscos e alimentos recheados foram surgindo e tomando conta do mercado pet food. Hoje, a indústria deve obrigatoriamente obedecer às exigências de qualidade em todas as etapas da produção, desde a recepção da matéria prima, formulação e expedição do produto. Todo o processo é realizado com regras rígidas de conduta e segurança sanitária. (VB Alimentos).

Com o aumento da exigência no mercado pet, iniciou-se a produção de alimentos diferenciados, que além de atender as exigências nutricionais básicas, também tem apelo funcional, oferecendo efeitos benéficos a saúde (Borges et al, 2003). Assim, surgem alimentos para filhotes, adultos, idosos ou de diferentes raças. Também surgem dietas especificas para o auxílio de tratamento de algumas doenças, como problemas gastrointestinais, diabetes, obesidade, trato urinário inferior, trato renal e transtornos articulares. (ProPlan, 2017). Além disso, as dietas podem ser divididas em padrão, premio e super premio, diferindo em qualidade de matéria prima e porcentagem de nutrientes, ainda, podendo ser seca, úmida e semiúmida.

Com novos nichos de mercado surgindo, apareceram novos tipos de alimentos para animais de companhia como a dieta GrainFree. Este alimento possui ideologia de respeitar a natureza carnívora dos cães e gatos, livres de grãos e transgênicos, contendo em sua composição altos níves de proteínas e lipídeos e baixo teor de carboidratos. Além disso, este tipo de dieta pode conter mandioca e batata proporcionando melhor digestão para os animais.

A indústria pet começa a produzir alimentos que além de diversificar sabores, atenta-se a qualidade da matéria prima, suplementação com aditivos que auxiliem na saúde dos pets e menor quantidade ou ausência de corantes artificiais. Assim, houve demanda por adição de componentes como o extrato de plantas da Yuccaschidigera que é um possível antibacteriano e utilizado para reduzir o odor fecal proveniente de substâncias geradas por bactérias endógenas e de substratos não digeridos na degradação de proteínas (Rocha, 2008). Ainda, a adição de Zeólitas em dietas, é um aditivo utilizado para melhores resultados de digestibilidade, escore fecal e redução no odor das fezes, como existente nas dietas premio e superpremio. (Aquino,2010).

O mercado pet está avançando e chegando cada vez mais próximo a alimentação humana, com dietas naturais e caseiras, por exemplo. Dando foco nos alimentos funcionais, nos quais além de terem funções nutricionais básicas, possuem efeitos benéficos para a saúde sem ter inclusão de medicamentos, diminuindo riscos de doenças e/ou ajudando no tratamento das mesmas para o bom desenvolvimento das reações metabólicas (Borges et al., 2003). Um novo nicho de mercado que vem crescendo com tutores adeptos de dietas mais próximas do que os animais encontravam na natureza, buscando assim, a ancestralidade dos cães e gatos.

Considerações Finais

Mesmo com a grande melhoria e inovação da indústria pet, muitas das etapas de processamento baseiam-se em ideias antigas, como a empresa Spratt´s Patent Limited criada em 1890, e em 1950 já produzia biscoitos em formatos de ossos a fim de fazer algo inovador e ao mesmo tempo diversificado e nutritivo. Atualmente, são produzidos alimentos nutricionalmente balanceados de acordo com a necessidade de cada animal, diferentemente dos produzidos antes de 1950, em que não eram conhecidas as necessidades de cada espécie animal.

Referências Bibliográficas
Adriana Augusto Aquino; Flávia Maria Borges Saad; Gustavo Vaz Corrêa Maia; Janine França; Lídia Marinho Silva Lima; Natália Charleaux. Zeólitas e Yucca schidigera em rações para cães: palatabilidade, digestibilidade e redução de odores fecais. R.Bras.Zootec, v.39, n.11, p.2442-2446, 2010
Flávia M. de Oliveira Borges; Rosana M. Salgarello; Tatiane M. Gurian, (2003). Recentes avanços na nutrição de cães e gatos. Maurício Adriano Rocha.Biotecnologia na nutrição de cães e gatos. R.Bras.Zootec.v.37.p43-48, 2008 
ABINPET- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE PRODUTOS PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO-2016. Dísponível em < http://abinpet.org.br/site/faturamento-2016-do-setor-pet-aumenta-49-e-fecha-em-r-189-bilhoes-revela-abinpet/ >. Acesso em: 05/10/2017
HISTÓRIA DA RAÇÃO PARA CACHORROS-2015. Disponível em . Acesso em: 08/10/2017. 
PRO PLAN - SAÚDE E NUTRIÇÃO. Disponível em < https://www.purina-latam.com/br/proplan/saude-e-nutricao.html > Acesso em 05/10/2017 
VB ALIMENTOS – PROCESSO DE PRODUÇÃO. Disponível em . Acesso em 05/10/2017

A aplicação da taurina na nutrição de cães e gatos

Camilla Mariane Menezes Souza¹

¹Mestranda em Zootecnia, UFPR

Introdução

A quantidade correta de nutrientes fornecidos na dieta é fundamental para a manutenção das funções vitais do organismo. Cães e gatos necessitam de dieta balanceada para manter a sua saúde desde a fase de filhote até a chegada da fase senil (CASE et al., 2011).

Aproximadamente metade a um terço dos nutrientes ingeridos pelos animais são aminoácidos. Alguns aminoácidos são importantes precursores de neurotransmissores e de alguns hormônios, enquanto outros estão envolvidos no transporte de nitrogênio e na manutenção da integridade das membranas celulares (D’MELLO, 2003).

Os aminoácidos são divididos em dois grupos: essenciais e não-essenciais. São considerados essenciais pelo fato dos animais não serem capazes de sintetiza-los em quantidades suficientes para atender as necessidades do organismo. É importante salientar que a essencialidade dos aminoácidos é variável de entre as espécies.

Gatos possuem uma baixa eficiência em produzir taurina, pois sofrem constantes perdas deste aminoácido através dos sais biliares. Desta forma, se faz necessária suplementação via dieta. Muitos casos de deficiência são relatados, em que os tutores alimentam seus animais de forma incorreta, como por exemplo, ao fornecer um alimento destinado a cães o quais possuem baixos níveis de taurina na formulação, ou dietas vegetarianas (que na maioria não são suplementadas e possuem baixo teor de proteína) (BIRCHARD e SHERDING, 2003).

Em cães, a taurina não é considerada um aminoácido essencial, no entanto, atuam como importante mediador na formação de ácidos biliares, além de ser atuante nos processos de oxidação, desenvolvimento do sistema nervoso e na prevenção de doenças como o cardiomiopatia dilatada, muito frequente em raças de grande porte, e também de doenças relacionadas à visão.

O intuito desse artigo é apresentar características e funções da taurina e sua aplicação na nutrição de cães e gatos.

Taurina: definição e funções

A taurina é denominada como um aminoácido β-sulfônico, que se apresenta de forma livre nos tecidos de origem animal. As fontes desse aminoácido são as proteínas de origem animal (HORA e HAGIWARA, 2010). O primeiro achado relacionado a esse aminoácido foi na bile de um bovino (Bos Taurus) levando o nome em homenagem a espécie.

É considerado um dos aminoácidos mais abundantes nos mamíferos o qual participa de vários processos fisiológicos, incluindo a regulação da secreção gástrica e secreções gástricas estimuladas pela histamina em cães (GRINCHENKO, 2013).
Figura 1 – Estrutura da taurina
Fonte: Complexo ativo blog
A taurina é oriunda do metabolismo dos aminoácidos sulfurados, sintetizada a partir da cisteína no fígado. Os locais de maior concentração desse aminoácido são as fibras musculares, esquelética e cardíaca, a retina, os eritrócitos, e as plaquetas. Ao contrário dos aminoácidos tradicionais, a taurina não exerce nenhuma função na síntese proteica.

Grande parte dos animais são capazes de utilizar tanto a glicina como a taurina para conjugar ácidos biliares em sais biliares antes de serem secretados na bile. No entanto, gatos, somente conseguem conjugar ácidos biliares a partir da taurina (KIRK et al., 2000). Essa ineficiência está associada a baixa atividade de duas enzimas essenciais na síntese de taurina: cisteína dioxigenase e cisteína descarboxilase e, principalmente, devido à demanda metabólica muito grande (CASE et al., 2011).

Taurina na nutrição de cães e gatos

Uma explicação para os diferentes requerimentos de taurina em cães e gatos é devido à atividade da enzima ácido sulfínico cisteína descarboxilase, que é a enzima limitante na formação da taurina através da cisteína e metionina, sendo mais alta em cães do que em gatos (SANDERSON, 2006).

A concentração de taurina em cães é variável de acordo com porte das raças. Em pesquisa conduzida por Backus et al. (2006), foi comparado a concentração de taurina no sangue das raças Beagle e Terra-Nova, sendo portes diferentes, ficou evidenciado que animais de grande porte tem uma menor concentração de taurina no sangue, devido a menor atividade da enzima cisteína descarboxilase. Esta menor concentração pode ser um dos motivos pelo qual os cães grandes tendem a apresentar um maior número de casos de cardiomiopatia dilatada.

Fisiologicamente gatos necessitam de maiores quantidades quando comparado a outras espécies. Desta forma, necessitam da taurina em sua alimentação, pois ela apresenta funções extremamente importantes ao organismo como: visão, audição, reprodução, crescimento, na emulsificação de gorduras e conjugação com ácidos biliares, atuam na musculatura esquelética, na preservação das funções cardíacas e vasculares, e na resposta imune (HORA e HAGIWARA, 2010).

As recomendações do NRC (1987) previam níveis mínimos de taurina nos alimentos processados (400mg taurina/kg de alimento). Entretanto, a ocorrência de casos deficiência de taurina nos felinos, resultou na exigência de níveis maiores de taurina na dieta, que passaram a ser de 1.000mg/kg e 2.000mg/kg (ppm) em alimentos secos e úmidos, respectivamente. Para maior segurança, recomendam-se níveis de 2.500 ppm para os produtos úmidos (KIRK et al., 2000).

Já para Hora e Hagiwara (2010), os níveis de taurina recomendados para gatos adultos são 400 mg/kg de matéria-seca (MS), ou seja 0,04% para dietas digestíveis e purificadas, 1.000 mg/kg (0,1%) de MS para dietas expandidas e 1.700 mg/kg (0,17 a 0,2%) de MS para dietas úmidas.

Fatores relacionados a dieta e do próprio felino influenciam os níveis de taurina necessários para cada indivíduo. A fonte proteica, o tipo de alimento e seu processamento, a quantidade de aminoácidos contendo enxofre e os níveis de fibra da dieta alteram os requerimentos de taurina (GROSS et al., 2000).

A suplementação de taurina deve ser maior na ração úmida do que na seca (ZAGHINI et al., 2005). Esse aminoácido é altamente solúvel em água, portanto, tecidos de origem animal expostos à água durante o preparo podem apresentar níveis de taurina reduzidos. O cozimento da carne submersa em água reduz as quantidades de taurina das proteínas de origem animal, utilizadas nos alimentos preparados pelos tutores; essa perda não ocorre quando a carne é assada (SPITZE et al., 2003). A perda de taurina também está associada a rações com proteínas de baixa digestibilidade, que favorecem a maior atividade proteolítica da microbiota intestinal, que degrada esse aminoácido (STRATTON-PHELPS et al., 2002). Segundo esse mesmo autor, dietas com altas concentrações de fibras e/ou lipídeos aumentam a necessidade de taurina, pois alteram a excreção de ácidos biliares.

Em gatos com uma dieta vegetariana, ou que são alimentados com rações para cães, as deficiências são mais comuns. Já que, exigem pouca quantidade de taurina e consequentemente possuem uma ração pobre neste aminoácido, devido a menor quantidade de proteínas presentes (BIRCHARD e SHERDING, 2003).

Durante os períodos de ingestão insuficiente de taurina, o organismo dos gatos desenvolve mecanismos de adaptações para conservar esse aminoácido no corpo mais eficientemente do que em espécies que não requerem uma fonte dietética de taurina.

Diferentemente dos demais aminoácidos, cuja deficiência causa diversos sintomas inespecíficos, a deficiência de taurina em gatos é marcante e com disfunções características, como a cardiomiopatia dilatada e a degeneração retiniana, distúrbios reprodutivos. De acordo com Nelson e Couto (2006), em casos mais graves pode ocorrer o aparecimento súbito de anorexia, dispneia, desidratação, hipotermia e letargia.

Romanini et al. (2011) afirma que para se diagnosticar um animal com deficiência de taurina é necessário que se faça o exame de ecocardiograma e as determinações da concentração de taurina no soro, plasma e no sangue total. Pois a concentração deste aminoácido diminui primeiramente no plasma, seguido de soro, sangue total e posteriormente musculatura.

Já que especialmente os gatos não produzem quantidade de taurina suficiente para demanda metabólica de seu organismo, é necessário que as dietas em que esses animais consomem atendam a exigência nutricional desse aminoácido a fim de evitar possíveis doenças em relação a sua deficiência. 

Considerações finais

O fornecimento de uma dieta com níveis recomendados de aminoácidos essenciais, como a taurina, demonstra ser uma prática positiva na nutrição de cães e gatos. Auxilia na prevenção de deficiências e quadros clínicos avançados, que geram prejuízos a saúde desses animais.


Referências
BACKUS, R.C.; KO, K.S.; FASCETTI, A.J. et al. Low plasma taurine concentration in Newfoundland dogs is associated with low plasma methionine and cyst (e) ine concentrations and low taurine synthesis. J. Nutr., v. 136, n. 10, p. 2525-2533, 2006. 
BIRCHARD, S.J.; SHERDING, R.G. Manual Saunders. Clínica de Pequenos Animais. 2.ed. São Paulo: Roca, 2003. p.1783, 2003. 
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