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domingo, 25 de fevereiro de 2018

Histórico das dietas comercias para cães e gatos

Eduarda Lorena Fernandes ¹, Nayara Ostapechen², Daniele Cristina de Lima³

¹ Graduanda em Zootecnia – UFPR. E-mail: eduarda_lorena@hotmail.com 
² Mestranda em Zootecnia – UFPR. E-mail: nayostapechen@gmail.com 
³ Doutoranda em Zootecnia – UFPR. E-mail: daniele.escrobot@gmail.com 

INTRODUÇÃO

As dietas comerciais representaram 6,6 bilhões do faturamento da alimentação de cães e gatos com residência fixa em 2006, já no ano de 2016 esse número aumentou para 18,9 bilhões, sendo a principal fonte nutricional para esses animais, que aumentaram conforme os anos. O Brasil tem posição de destaque na produção de alimentos balanceados para animais de companhia. É o segundo maior produtor no mundo com aproximadamente 3,2 milhões de toneladas/ano, apresentando mais de 500 marcas diferentes, 287 laboratórios e 87.170 empresas que compõem a rede de comercialização (Abinpet, 2016).

Anteriormente, os investimentos em indústrias pet eram escassos. Entretanto, hoje a produção de alimentos para animais é tão exigente quanto à fabricação de alimentos humanos. Todo o processo é rigorosamente estudado para que haja satisfação do mercado cada vez mais exigente pensando na qualidade da matéria prima, fator muito importante para a produção. Cereais, carnes, peixes chegam a fábricas como coprodutos, onde são separados de acordo com suas características individuais, nutricionais, bacteriológicas e de digestibilidade. Com isso, as linhas de produção seguem a conduta de sanitariedade, desta forma tornando-se inovadoras e seguras, com ajuda de máquinas e equipamentos nos quais, diminuem possíveis erros garantindo qualidade do produto final. (VB Alimentos).

Início Das Dietas Comercias

No início da domesticação, cães e gatos eram alimentados de acordo com a disponibilidade de seus proprietários. Eram fornecidos restos de caça, sopa preparada com sebo, ovos, peixes, cereais, ossos e pães umedecidos. Durante o inverno o queijo era o produto mais utilizado, pois possuía alto teor de lipídeos, proporcionando-os maior teor de energia. O tipo de alimento dependia da sazonalidade e da condição financeira dos tutores, não mantendo um padrão de dieta e dificilmente atingindo as exigências nutricionais de cada animal. (Blog do Cachorro, 2015).

As dietas comerciais mais parecidas com o que observamos hoje, tiveram início com o eletricista James Spratt. Em viagem para Londres ele percebeu que os cães do navio alimentavam-se de restos de biscoitos que os passageiros deixavam. Constatado isso, no ano de 1860 o norte-americano começou a fazer biscoitos assados a base de farinha de trigo e carne. Com o início da produção de biscoitos assados, outras variedades também foram criadas como alimentos úmidos e enlatados a partir de carne de cavalo auto clavada, introduzidos no mercado pela Ken-L-Rationea devido à alta quantidade de cavalos mortos em decorrência da primeira guerra mundial. Somente partir de 1950, após a segunda guerra mundial, começaram a aparecer no mercado as primeiras dietas extrusados nos Estados Unidos. Estes alimentos eram cozidos sob alta pressão, umidade e temperatura com controle de textura, densidade e formato proporcionando melhor digestibilidade e grande atratividade para os pets. (Blog do Cachorro, 2015). Estes já se pareciam mais com os comercializados atualmente.

Com o passar dos anos, a preocupação dos tutores para com os seus animais de companhia, fez com que a dieta e a nutrição dos mesmos fossem aperfeiçoadas, atendendo assim as necessidades nutricionais e de mantença de cães e gatos.

Evolução das dietas comerciais

A partir da produção de biscoitos por James Spratt, variedades de biscoitos, petiscos e alimentos recheados foram surgindo e tomando conta do mercado pet food. Hoje, a indústria deve obrigatoriamente obedecer às exigências de qualidade em todas as etapas da produção, desde a recepção da matéria prima, formulação e expedição do produto. Todo o processo é realizado com regras rígidas de conduta e segurança sanitária. (VB Alimentos).

Com o aumento da exigência no mercado pet, iniciou-se a produção de alimentos diferenciados, que além de atender as exigências nutricionais básicas, também tem apelo funcional, oferecendo efeitos benéficos a saúde (Borges et al, 2003). Assim, surgem alimentos para filhotes, adultos, idosos ou de diferentes raças. Também surgem dietas especificas para o auxílio de tratamento de algumas doenças, como problemas gastrointestinais, diabetes, obesidade, trato urinário inferior, trato renal e transtornos articulares. (ProPlan, 2017). Além disso, as dietas podem ser divididas em padrão, premio e super premio, diferindo em qualidade de matéria prima e porcentagem de nutrientes, ainda, podendo ser seca, úmida e semiúmida.

Com novos nichos de mercado surgindo, apareceram novos tipos de alimentos para animais de companhia como a dieta GrainFree. Este alimento possui ideologia de respeitar a natureza carnívora dos cães e gatos, livres de grãos e transgênicos, contendo em sua composição altos níves de proteínas e lipídeos e baixo teor de carboidratos. Além disso, este tipo de dieta pode conter mandioca e batata proporcionando melhor digestão para os animais.

A indústria pet começa a produzir alimentos que além de diversificar sabores, atenta-se a qualidade da matéria prima, suplementação com aditivos que auxiliem na saúde dos pets e menor quantidade ou ausência de corantes artificiais. Assim, houve demanda por adição de componentes como o extrato de plantas da Yuccaschidigera que é um possível antibacteriano e utilizado para reduzir o odor fecal proveniente de substâncias geradas por bactérias endógenas e de substratos não digeridos na degradação de proteínas (Rocha, 2008). Ainda, a adição de Zeólitas em dietas, é um aditivo utilizado para melhores resultados de digestibilidade, escore fecal e redução no odor das fezes, como existente nas dietas premio e superpremio. (Aquino,2010).

O mercado pet está avançando e chegando cada vez mais próximo a alimentação humana, com dietas naturais e caseiras, por exemplo. Dando foco nos alimentos funcionais, nos quais além de terem funções nutricionais básicas, possuem efeitos benéficos para a saúde sem ter inclusão de medicamentos, diminuindo riscos de doenças e/ou ajudando no tratamento das mesmas para o bom desenvolvimento das reações metabólicas (Borges et al., 2003). Um novo nicho de mercado que vem crescendo com tutores adeptos de dietas mais próximas do que os animais encontravam na natureza, buscando assim, a ancestralidade dos cães e gatos.

Considerações Finais

Mesmo com a grande melhoria e inovação da indústria pet, muitas das etapas de processamento baseiam-se em ideias antigas, como a empresa Spratt´s Patent Limited criada em 1890, e em 1950 já produzia biscoitos em formatos de ossos a fim de fazer algo inovador e ao mesmo tempo diversificado e nutritivo. Atualmente, são produzidos alimentos nutricionalmente balanceados de acordo com a necessidade de cada animal, diferentemente dos produzidos antes de 1950, em que não eram conhecidas as necessidades de cada espécie animal.

Referências Bibliográficas
Adriana Augusto Aquino; Flávia Maria Borges Saad; Gustavo Vaz Corrêa Maia; Janine França; Lídia Marinho Silva Lima; Natália Charleaux. Zeólitas e Yucca schidigera em rações para cães: palatabilidade, digestibilidade e redução de odores fecais. R.Bras.Zootec, v.39, n.11, p.2442-2446, 2010
Flávia M. de Oliveira Borges; Rosana M. Salgarello; Tatiane M. Gurian, (2003). Recentes avanços na nutrição de cães e gatos. Maurício Adriano Rocha.Biotecnologia na nutrição de cães e gatos. R.Bras.Zootec.v.37.p43-48, 2008 
ABINPET- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE PRODUTOS PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO-2016. Dísponível em < http://abinpet.org.br/site/faturamento-2016-do-setor-pet-aumenta-49-e-fecha-em-r-189-bilhoes-revela-abinpet/ >. Acesso em: 05/10/2017
HISTÓRIA DA RAÇÃO PARA CACHORROS-2015. Disponível em . Acesso em: 08/10/2017. 
PRO PLAN - SAÚDE E NUTRIÇÃO. Disponível em < https://www.purina-latam.com/br/proplan/saude-e-nutricao.html > Acesso em 05/10/2017 
VB ALIMENTOS – PROCESSO DE PRODUÇÃO. Disponível em . Acesso em 05/10/2017

A aplicação da taurina na nutrição de cães e gatos

Camilla Mariane Menezes Souza¹

¹Mestranda em Zootecnia, UFPR

Introdução

A quantidade correta de nutrientes fornecidos na dieta é fundamental para a manutenção das funções vitais do organismo. Cães e gatos necessitam de dieta balanceada para manter a sua saúde desde a fase de filhote até a chegada da fase senil (CASE et al., 2011).

Aproximadamente metade a um terço dos nutrientes ingeridos pelos animais são aminoácidos. Alguns aminoácidos são importantes precursores de neurotransmissores e de alguns hormônios, enquanto outros estão envolvidos no transporte de nitrogênio e na manutenção da integridade das membranas celulares (D’MELLO, 2003).

Os aminoácidos são divididos em dois grupos: essenciais e não-essenciais. São considerados essenciais pelo fato dos animais não serem capazes de sintetiza-los em quantidades suficientes para atender as necessidades do organismo. É importante salientar que a essencialidade dos aminoácidos é variável de entre as espécies.

Gatos possuem uma baixa eficiência em produzir taurina, pois sofrem constantes perdas deste aminoácido através dos sais biliares. Desta forma, se faz necessária suplementação via dieta. Muitos casos de deficiência são relatados, em que os tutores alimentam seus animais de forma incorreta, como por exemplo, ao fornecer um alimento destinado a cães o quais possuem baixos níveis de taurina na formulação, ou dietas vegetarianas (que na maioria não são suplementadas e possuem baixo teor de proteína) (BIRCHARD e SHERDING, 2003).

Em cães, a taurina não é considerada um aminoácido essencial, no entanto, atuam como importante mediador na formação de ácidos biliares, além de ser atuante nos processos de oxidação, desenvolvimento do sistema nervoso e na prevenção de doenças como o cardiomiopatia dilatada, muito frequente em raças de grande porte, e também de doenças relacionadas à visão.

O intuito desse artigo é apresentar características e funções da taurina e sua aplicação na nutrição de cães e gatos.

Taurina: definição e funções

A taurina é denominada como um aminoácido β-sulfônico, que se apresenta de forma livre nos tecidos de origem animal. As fontes desse aminoácido são as proteínas de origem animal (HORA e HAGIWARA, 2010). O primeiro achado relacionado a esse aminoácido foi na bile de um bovino (Bos Taurus) levando o nome em homenagem a espécie.

É considerado um dos aminoácidos mais abundantes nos mamíferos o qual participa de vários processos fisiológicos, incluindo a regulação da secreção gástrica e secreções gástricas estimuladas pela histamina em cães (GRINCHENKO, 2013).
Figura 1 – Estrutura da taurina
Fonte: Complexo ativo blog
A taurina é oriunda do metabolismo dos aminoácidos sulfurados, sintetizada a partir da cisteína no fígado. Os locais de maior concentração desse aminoácido são as fibras musculares, esquelética e cardíaca, a retina, os eritrócitos, e as plaquetas. Ao contrário dos aminoácidos tradicionais, a taurina não exerce nenhuma função na síntese proteica.

Grande parte dos animais são capazes de utilizar tanto a glicina como a taurina para conjugar ácidos biliares em sais biliares antes de serem secretados na bile. No entanto, gatos, somente conseguem conjugar ácidos biliares a partir da taurina (KIRK et al., 2000). Essa ineficiência está associada a baixa atividade de duas enzimas essenciais na síntese de taurina: cisteína dioxigenase e cisteína descarboxilase e, principalmente, devido à demanda metabólica muito grande (CASE et al., 2011).

Taurina na nutrição de cães e gatos

Uma explicação para os diferentes requerimentos de taurina em cães e gatos é devido à atividade da enzima ácido sulfínico cisteína descarboxilase, que é a enzima limitante na formação da taurina através da cisteína e metionina, sendo mais alta em cães do que em gatos (SANDERSON, 2006).

A concentração de taurina em cães é variável de acordo com porte das raças. Em pesquisa conduzida por Backus et al. (2006), foi comparado a concentração de taurina no sangue das raças Beagle e Terra-Nova, sendo portes diferentes, ficou evidenciado que animais de grande porte tem uma menor concentração de taurina no sangue, devido a menor atividade da enzima cisteína descarboxilase. Esta menor concentração pode ser um dos motivos pelo qual os cães grandes tendem a apresentar um maior número de casos de cardiomiopatia dilatada.

Fisiologicamente gatos necessitam de maiores quantidades quando comparado a outras espécies. Desta forma, necessitam da taurina em sua alimentação, pois ela apresenta funções extremamente importantes ao organismo como: visão, audição, reprodução, crescimento, na emulsificação de gorduras e conjugação com ácidos biliares, atuam na musculatura esquelética, na preservação das funções cardíacas e vasculares, e na resposta imune (HORA e HAGIWARA, 2010).

As recomendações do NRC (1987) previam níveis mínimos de taurina nos alimentos processados (400mg taurina/kg de alimento). Entretanto, a ocorrência de casos deficiência de taurina nos felinos, resultou na exigência de níveis maiores de taurina na dieta, que passaram a ser de 1.000mg/kg e 2.000mg/kg (ppm) em alimentos secos e úmidos, respectivamente. Para maior segurança, recomendam-se níveis de 2.500 ppm para os produtos úmidos (KIRK et al., 2000).

Já para Hora e Hagiwara (2010), os níveis de taurina recomendados para gatos adultos são 400 mg/kg de matéria-seca (MS), ou seja 0,04% para dietas digestíveis e purificadas, 1.000 mg/kg (0,1%) de MS para dietas expandidas e 1.700 mg/kg (0,17 a 0,2%) de MS para dietas úmidas.

Fatores relacionados a dieta e do próprio felino influenciam os níveis de taurina necessários para cada indivíduo. A fonte proteica, o tipo de alimento e seu processamento, a quantidade de aminoácidos contendo enxofre e os níveis de fibra da dieta alteram os requerimentos de taurina (GROSS et al., 2000).

A suplementação de taurina deve ser maior na ração úmida do que na seca (ZAGHINI et al., 2005). Esse aminoácido é altamente solúvel em água, portanto, tecidos de origem animal expostos à água durante o preparo podem apresentar níveis de taurina reduzidos. O cozimento da carne submersa em água reduz as quantidades de taurina das proteínas de origem animal, utilizadas nos alimentos preparados pelos tutores; essa perda não ocorre quando a carne é assada (SPITZE et al., 2003). A perda de taurina também está associada a rações com proteínas de baixa digestibilidade, que favorecem a maior atividade proteolítica da microbiota intestinal, que degrada esse aminoácido (STRATTON-PHELPS et al., 2002). Segundo esse mesmo autor, dietas com altas concentrações de fibras e/ou lipídeos aumentam a necessidade de taurina, pois alteram a excreção de ácidos biliares.

Em gatos com uma dieta vegetariana, ou que são alimentados com rações para cães, as deficiências são mais comuns. Já que, exigem pouca quantidade de taurina e consequentemente possuem uma ração pobre neste aminoácido, devido a menor quantidade de proteínas presentes (BIRCHARD e SHERDING, 2003).

Durante os períodos de ingestão insuficiente de taurina, o organismo dos gatos desenvolve mecanismos de adaptações para conservar esse aminoácido no corpo mais eficientemente do que em espécies que não requerem uma fonte dietética de taurina.

Diferentemente dos demais aminoácidos, cuja deficiência causa diversos sintomas inespecíficos, a deficiência de taurina em gatos é marcante e com disfunções características, como a cardiomiopatia dilatada e a degeneração retiniana, distúrbios reprodutivos. De acordo com Nelson e Couto (2006), em casos mais graves pode ocorrer o aparecimento súbito de anorexia, dispneia, desidratação, hipotermia e letargia.

Romanini et al. (2011) afirma que para se diagnosticar um animal com deficiência de taurina é necessário que se faça o exame de ecocardiograma e as determinações da concentração de taurina no soro, plasma e no sangue total. Pois a concentração deste aminoácido diminui primeiramente no plasma, seguido de soro, sangue total e posteriormente musculatura.

Já que especialmente os gatos não produzem quantidade de taurina suficiente para demanda metabólica de seu organismo, é necessário que as dietas em que esses animais consomem atendam a exigência nutricional desse aminoácido a fim de evitar possíveis doenças em relação a sua deficiência. 

Considerações finais

O fornecimento de uma dieta com níveis recomendados de aminoácidos essenciais, como a taurina, demonstra ser uma prática positiva na nutrição de cães e gatos. Auxilia na prevenção de deficiências e quadros clínicos avançados, que geram prejuízos a saúde desses animais.


Referências
BACKUS, R.C.; KO, K.S.; FASCETTI, A.J. et al. Low plasma taurine concentration in Newfoundland dogs is associated with low plasma methionine and cyst (e) ine concentrations and low taurine synthesis. J. Nutr., v. 136, n. 10, p. 2525-2533, 2006. 
BIRCHARD, S.J.; SHERDING, R.G. Manual Saunders. Clínica de Pequenos Animais. 2.ed. São Paulo: Roca, 2003. p.1783, 2003. 
CASE, L.P.; DARISTOTLE, L.; HAYEK, M.G.; RAASCH, M.F. Canine and feline nutrition. 3ª Edição. Estados Unidos: Mosby Elsevier, p.562, 2011. 
D'MELLO, J.P.F., Amino acids as multifunctional molecules, in Aminoacids in animal nutrition, J.P.F. D'Mello, Editor. CABI: Wallingford. p.1:14, 2003. 
GRINCHENKO, O.A.; YANCHUK, P.I. The Role of Nitric Oxide and Taurine in Regulation of Gastric Secretory Function in Dogs. Int. J. Physiol. Pathophysiol., v. 4, n. 3, 2013. 
GROSS, K.L., et al., Nutrients, in Small animal clinical nutrition, M.S.Hand, et al., Editors. Mark Morris Institute: Missouri. p.21–110, 2000. 
HORA, A.S., HAGIWARA, M.K. A importância dos aminoácidos na nutrição dos gatos domésticos. Clin. Vet., São Paulo, v. 15, n. 84, p.30-42, 2010. 
KIRK, C.A., D.J.; ARMSTRONG, P.J. Normal cats, in Small animal clinical nutrition, M.S. Hand, et al., Editors. Mark Morris Institute: Missouri. p.291 – 34, 2000. 
NATIONAL RESEARCH COUNCIL (NRC). Nutrient requirements of dogs and cats. Washington, DC: The National Academies Press, p.367, 2006. 
NELSON, R.W., COUTO, G.C. Distúrbios do sistema cardiovascular. In: Medicina Interna de Pequenos Animais. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. p.89-90. 
ROMANINI, C.A.; MARCIANO, J.A.; TEIXEIRA, A.B. Deficiência nutricional de taurina em felinos domésticos. Relato de caso. Rev. OMNIA Saúde, v.5, p.35-42, 2011. 
SANDERSON, S.L. Taurine and carnitine in canine cardiomyopathy. Vet. Clin. N. Am. Small., v. 36, n. 6, p. 1325-1343, 2006. 
SPITZE, A.R., et al., Taurine concentrations in animal feed ingredients;cooking influences taurine content. J Anim Physiol Anim Nutr (Berl), p. 251-62, 2003. 
STRATTON-PHELPS, M., et al., Dietary rice bran decreases plasma And whole-blood taurine in cats. J Nutr, v.132(6 Suppl 2): p.1745S7S, 2002. 
ZAGHINI, G.; BIAGI, G. Nutritional peculiarities and diet palatability in the cat. Vet Res Commun, 29 Suppl 2: p. 39-44, 2005.


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Enriquecimento ambiental para gatos no ambiente urbano como prevenção do estresse

Mariana Aparecida Gomes Pereira¹, Camila Mariane Menezes Souza² 

¹Aluno da graduação Zootecnia, UFMG. 
²Mestranda em Zootecnia, UFPR. 

INTRODUÇÃO

O gato doméstico descendente do gato selvagem da África Felis silvestres lybica mantem preservado o seu instinto de caçar. No entanto, a criação em centros urbanos dificulta seu comportamento natural, visto que estes ficam em territórios restritos, induzindo ao desenvolvimento do estresse e de certos comportamentos compulsivos, como fazer suas necessidades fora da caixa ou até mesmo arranhar os moveis (PREMIER PET, 2018). O estresse é definido como um esforço o qual o organismo passa durante situações que promovem um desequilíbrio interno ou mesmo ameace a vida (FRANCI, 2005). 

Existem diferentes níveis de estresse. O nível baixo é considerado saudável e indispensável na realização das diferentes atividades, mas o nível alto é considerado perigoso, sendo bastante prejudicial à saúde (ROSSI, 2004). Ainda, segundo Selye (1959) o estresse pode ser dividido em três diferentes fases, sendo a primeira a fase de alerta, a qual o indivíduo entra em luta ou fuga, posteriormente a segunda fase que se refere a fase de resistência, cujo animal fica mais susceptível a doença, e a última a fase considerada a de exaustão em que se inicia os sintomas de irritabilidade e isolamento social. 

Com intuito de evitar o estresse e promover o bem-estar animal, é realizado a introdução de elementos para que o animal interaja com o mesmo (FATJÓ; RUIZ-DE-LA-TORRE; MANTECA, 2006). Esta prática é conhecida pelos profissionais de comportamento como enriquecimento ambiental. 

Bem-estar animal

O bem-estar não é um conceito simples de ser entendido, mas conforme Hughes (1982) o termo é definido como um estado de harmonia entre o animal e seu ambiente. Já de acordo com Broom (2004) o bem-estar de um indivíduo refere-se ao seu estado em relação às suas tentativas de lidar com o ambiente em que se estar inserido.

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, 2009) define o termo como a forma com que o animal lida com seu entorno, tendo este, boas condições de bem-estar se ele estiver saudável, confortável, seguro, livre de dor ou medo. A Farm Animal Welfare Council (FAWC, 1992) descreve bem-estar como um estado do animal o qual o mesmo tem direito a cinco liberdades, sendo elas: 
1) Livre de fome e sede, para isso o animal deve ter livre acesso a água e ao alimento; 
2) Livre de desconforto estando em um ambiente apropriado; 
3) Livre de dor ou lesão; 
4) Liberdade para realizar todos seus comportamentos naturais; 
5) Liberdade psicológica sem medo e ou angústia.

Neste contexto, o bem-estar deve ser então definido de uma forma que se relacione com outros conceitos como: a necessidade, liberdade, felicidade, sofrimento, estresse e saúde; sendo este termo usado tanto para animais como para humanos (BROOM, 2004).

Comportamento do gato doméstico

Os felinos no geral são considerados excelentes caçadores, instinto que está presente também nos gatos domésticos; em suas presas se destacam diversos animais como: aves, ratos, baratas entre outras. O comportamento predatório destes felinos geralmente é uma atividade realizada individualmente, isso devido principalmente ao tipo de presa (CROWELL-DAVIS, 2004). Quando em grupos, os gatos exibem relações harmoniosas como: limpeza social, esfregam-se uns nos outros, cumprimentam e procuram contato direto com indivíduos específicos.

Outra característica dos gatos é a de controlar o mundo do alto, tratando-se de um dos maiores prazeres deste animal. Além disso, para Rossi (2016) os gatos, são animais que não necessitam de excesso de cuidado, pois são considerados solitários e independentes, sendo uma peculiaridade da espécie.  
Para o autor supracitado, a maioria dos gatos são muito sociáveis e gostam de ter o controle do ambiente e da situação, para então demonstrar afeto. São extremamente limpos, pois realizam a autolimpeza com a sua língua e que naturalmente procuram uma caixa de areia para cavar, defecar e posteriormente enterrar as suas fezes.

Atualmente, é comum a criação desses animais em espaços pequenos e restritos, onde ficam reclusos a pouca área que possuem. Esta situação pode desencadear problemas de comportamento que afetam o bem-estar destes animais (FATJÓ; RUIZ-DE-LA-TORRE; MANTECA, 2006). Os problemas comportamentais mais comuns são a marcação territorial com urina; arranhadura de móveis e pessoas; medo de pessoas estranhas; ansiedade e fobias; agressão entre gatos; agressão contra humanos e brigas (BEAVER, 1992; CALIXTO, 2005; NEVILLE e BRADSHAW, 1991). Surgindo então o enriquecimento ambiental como forma de prevenção a estes distúrbios comportamentais.

Importância do enriquecimento ambiental

Os gatos urbanos em sua grande maioria têm um ambiente limitado bem como a ausência de atividades, gerando uma não estimulação de seu sistema nervoso e menor capacidade cognitiva e até mesmo menor agilidade quando comparado com animais que utilizam de enriquecimento ambiental (DA SILVA et al., 2007).

O enriquecimento ambiental é definido como um recurso que consiste em introduzir diversos elementos atrativos para o animal que modificam o ambiente físico ou social a fim de lhe provocar entusiasmo, garantindo-lhe qualidade de vida, para que execute suas necessidades etológicas (BOERE, 2001).

Segundo Ribas (2013) o enriquecimento possui duas classificações, a forma animada e inanimada, sendo a forma animada definida como uma interação gato-gato, gato-homem, gato-cachorro, e a interação inanimada que consiste em introduzir elementos ao recinto do animal, podendo ser brinquedos como bolinha ou guizos; além de alimentos em sachê. Incluso na classificação inanimada citam-se ainda: enriquecimento físico vertical, o qual promove a habilidade de pular e escalar dos gatos. Para isso, são colocadas prateleiras ao longo da casa permitindo o movimento no auto do animal deixando-o mais seguro.

Enriquecimento físico estrutural que se trata da colocação de objetos de interação como caixa de papelão para que o animal esconda, além de arranhadores podendo ser verticais ou horizontais.

E por último o enriquecimento sensorial o qual se realiza através dos cinco sentidos sensoriais do animal, promovendo uma melhora do seu bem-estar. Nesta prática são usados a catnip conhecida como erva do gato, e também a própria voz do tutor.

Além disso, conforme Hosey (2009) o enriquecimento ambiental pode ser apontado quanto ao tipo, sendo eles:

  • Enriquecimento ambiental alimentar: este método busca novas formas de fornecimento de alimentos para os animais, a fim de promover os comportamentos típicos da espécie e prolongar a existência do alimento.
  • Enriquecimento ambiental sensorial: é feita a colocação de objetos que promovem som, cheiro, textura e imagens.
  • Enriquecimento ambiental cognitivo: é acrescentando ao ambiente objetos que envolvam resolução de problemas para o estimulo do animal.
  • Enriquecimento ambiental social: é uma interação entre indivíduos sendo interespecíficos ou intraespecíficos.
  • Enriquecimento ambiental físico: corresponde a uma modificação estrutural do ambiente em que o animal se encontra, podendo ser uma modificação permanente ou temporária.
Há ainda trabalhos que relatam que alguns animais podem desenvolver a perda de interesse pelo enriquecimento, como é o caso dos felinos (RESENDE et al., 2011). Com isso, torna-se necessário enriquecimentos mais criativos e desafiantes para motivar estes animais (HOSEY et al., 2009), ou até mesmo alternar as práticas para evitar monotonia. Outra grande importância do enriquecimento ambiental encontra-se na prevenção da obesidade que é caracterizada por ser uma condição patológica na qual o animal acumula muita gordura, devido à falta de exercícios (MORGANTE, 1999).

Conclusão

Os gatos criados em ambientes restritos tendem a desenvolver transtornos de comportamentos, com isso deve-se avançar na produção de artifícios que garante um enriquecimento no ambiente, sejam de forma animada ou inanimada, permitindo que esse animal expresse toda a sua etologia, como forma de prevenção principalmente o estresse.


Referências
BEAVER, B. V.; Feline Behavior: A Guide for Veterinarians. Philadelphia: W.B. Saunders Company, 276p, 1992. 
BOERE V. Behavior and environment enrichment. In: Fowler ME, Cubas ZS. Biology, medicine and surgery of South American wild animals. Ames, IA: Iowa University Press, p.263-266, 2001. 
BROOM, D. M.; MOLENTO, C. F. M. Bem-estar animal: conceito e questões relacionadas – revisão. Archives of Veterinary Science v. 9, n. 2, p. 1-11, 2004. 
CALIXTO, R. S. Avaliação da Marcação Territorial em Gatos (Felis catus) submetidos à Castração. Seropédica, 2005. 103 f. Dissertação (Mestrado). Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 2005.
CROWELL-DAVIS S. L.; Curtis T. M.; Knowles R. J. Social organization in the cat: A modern understanding. J Feline Med Surg, p19-28. 2004; 
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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Saúde do trato urinário em gatos

Aline Merchiori¹; Dorie F. M. Zattoni² 
¹Aluna de graduação Medicina Veterinária, UFPR
²Mestranda em Zootecnia - UFPR

INTRODUÇÃO

Os gatos são considerados por muitos como animais de companhia de eleição (Clancy & Rowan, 2003). No entanto, muitos proprietários ainda não são bem instruídos sobre os cuidados com as necessidades comportamentais e fisiológicas dos gatos, gerando situações de desconforto e estresse que podem desencadear diversos problemas de saúde para esses animais.

O gato é um animal semi-domesticado que evoluiu de um ancestral comum no norte da África. Devido ao ambiente em que se originou, o gato é solitário, possui hábito de caça e dificilmente busca por água. Naturalmente a água ingerida era em sua maioria, oriunda do alimento.

Atualmente os gatos não caçam para se alimentar, e a dieta consumida, geralmente ração seca, apresenta menor quantidade de água quando comparado aos animais predados por eles na natureza.

Além da mudança no hábito alimentar, os gatos tiveram que alterar seu comportamento para viver dentro das casas. Muitas vezes sem enriquecimento ambiental, eles passaram a dividir o espaço com outros animais resultando em situações de estresse.

O estresse está envolvido na maioria dos problemas comportamentais dos gatos. O conjunto de fatores estressantes e o desinteresse pela ingestão de água traz consequências negativas para a saúde dos gatos, já que favorece o aparecimento de problemas no trato urinário como a insuficiência renal aguda, doença renal crônica, cistite, urolitíase e doença do trato urinário inferior felina. 

O sistema urinário é responsável pela metabolização e excreção de substâncias tóxicas, tendo também função endócrina (produção de eritropoetina e metabolismo de vitamina D), atuando no controle da pressão arterial através do sistema renina angiotensina aldosterona e sendo ainda local de ação de hormônios como o paratormônio e o hormônio antidiurético (VERLANDER, 2004).

Devido às funções que o sistema urinário exerce, a manutenção da sua saúde é de extrema importância. Simples mudanças na rotina e no manejo alimentar resultam em melhoras na condição e no bem-estar do animal.

IMPORTÂNCIA DO TRATO URINÁRIO

O sistema urinário é responsável pela formação e excreção da urina. É constituído pelos rins, ureteres, vesícula urinária e uretra.

Os gatos apresentam dois rins localizados no espaço entre a 1ª e a 4ª vértebra lombar, e o rim esquerdo entre a 2ª e a 5ª vértebra lombar. As funções vitais exercidas por este órgão incluem a produção de urina, filtração e eliminação de materiais inaproveitáveis que são ingeridos através da alimentação ou produzidos pelo metabolismo, regulação do equilíbrio ácido-base, função endócrina (eritropoietina, renina, cininas, prostaglandinas e 1,25 di-hidroxicolecalciferol - calcitriol) e manutenção das concentrações de cloreto de sódio e água.

Essas funções são desempenhadas pelo néfron, a unidade funcional do rim, que é composto pelos glomérulos, local onde ocorre a filtração sanguínea, a reabsorção de substâncias filtradas e a excreção dos componentes plasmáticos, pelos túbulos, onde uma grande parte do filtrado é reabsorvido e não excretado na urina, pelos capilares peritubulares e tecido intersticial. Essa reabsorção tem grande importância para que não ocorra a perda total de sais como sódio, potássio e bicarbonato e glicose (VERLANDER, 2004).

Os ureteres são estruturas tubulares que fazem a ligação e o transporte da urina do rim até a vesícula urinária. Possuem um diâmetro estreito e paredes finas, sua obstrução pode causar graves problemas ao rim, como a hidronefrose (dilatação do rim devido ao acúmulo de urina).

A vesícula urinária é o reservatório temporário da urina, nos gatos se estende amplamente para a cavidade abdominal. A sua contração expulsa a urina durante as micções através da uretra.

A uretra é um tubo longo responsável pela eliminação da urina. Os gatos machos apresentam afunilamento da uretra em direção à extremidade do pênis, essa característica anatômica pode facilitar o acúmulo de material sólido, resultando em obstrução uretral.

AFECÇÕES DO SISTEMA URINÁRIO

Devido a todas as funções que o trato urinário exerce, afecções relacionadas a esse sistema levam a diversas alterações no organismo animal.

As doenças do sistema urinário podem acometer ambos os órgãos, e podem ter origem hereditária/congênita, infecciosa e tóxica (toxinas endógena ou exógena), ser imunomediada, por desequilíbrios eletrolíticos (hipercalcemia e hipocalemia no felino), e traumática.

1. Insuficiência renal aguda (IRA): Ocorre em períodos curtos, variando de horas até dias. Leva a diminuição da função dos rins, como incapacidade de excretarem resíduos metabólicos, regularem o equilíbrio hídrico, ácido-base e eletrolítico do organismo. Ocasionada por alterações pré-reais (choque hemorrágico, perturbações digestivas, gastrite e insuficiência cardíaca), renais (nefrite aguda de origem infecciosa ou tóxica) ou pós-renais (obstruções das vias urinárias inflamatória, tumoral ou por cálculos).

Os sinais clínicos são inespecíficos e incluem letargia, depressão, inapetência, vômito e diarreia. No exame físico os achados incluem depressão, hipotermia e ulcerações em boca, aumento em temperatura se for ocasionada por doenças infecciosas. Na palpação abdominal podem ser observados aumento e sensibilidade dos rins. Os animais apresentam aumento da ureia, creatina e fósforo; acidose metabólica; hipercalemia e densidade urinária normal.

O tratamento é instituído para cada caso específico que leve a IRA. É recomendado o uso de fluidoterapia para todos os casos.

2. Doença renal crônica (DRC): A DCR é uma doença de caráter multifatorial que consiste na perda progressiva e irreversível da função renal, podendo ser de origem genética, congênita ou adquirida. Ocorre quando os mecanismos compensatórios já não são capazes de manter as funções excretora, reguladora e endócrina do rim.

A DCR tem prognóstico desfavorável e se manifesta principalmente em animais idosos. Gatos das raças Siamês, Abissínio, Persa, Maine coon e Burmês são os mais afetados.

Independente da causa primária, a DRC apresenta lesões irreversíveis na estrutura renal, causando declínio progressivo da função desse órgão e resultando em uma série de alterações metabólicas. (SORGETZ, 2014). A doença se inicia devido a um processo patológico que lesiona os rins, causa perda dos néfrons e a diminuição da taxa de filtração glomerular, essa diminuição leva ao aumento das concentrações plasmáticas de substâncias que seriam eliminadas do organismo pela excreção renal, como aminoácidos, peptídeos, amônia, creatinina, ureia e entre outros.

Os sinais clínicos estão relacionados com a diminuição da capacidade dos rins em concentrar urina, manifestados por poliúria e polidipsia, os animais podem apresentar perda de peso, apetite caprichoso, desidratação, anorexia, inapetência, letargia, depressão, nictúria ou urinar em locais inadequados. Os animais com a afecção podem apresentar complicações sistêmicas como ueremia, complicações gastrointestinais, anemia, hipertensão arterial e complicações cardiovasculares, hiperparatiroidismo renal secundário, acidose metabólica e complicações neurológicas.

O diagnóstico da DRC é realizado por meio de exame clínico, incluindo uma anamnese completa e exame físico do animal, exame laboratorial, com o painel bioquímico completo, perfil hematológico e urinálise. A radiologia e ultrassonografia podem indicar a potencial causa da DRC, com a verificação da morfologia renal. A biópsia renal pode ser um auxílio de diagnóstico e uma ferramenta para determinar o prognóstico.

O objetivo do tratamento é retardar a progressão da doença, aumentar o tempo de sobrevida e proporcionar qualidade de vida. O tratamento inclui o suporte nutricional, reposição do equilíbrio hídrico, ácido-base e eletrolítico, tratamento sintomático da anemia e sinais gastrointestinais e a prevenção da progressão da doença renal.

3. Doença do trato urinário inferior felina (DTUIF): trata-se qualquer alteração que afeta a vesícula urinária ou uretra de gatos, como urólitos, tampões uretrais, infecções bacterianas, fúngicas ou parasitárias das vias urinárias, de anormalidades anatômicas, neoplasias, causas traumáticas, neurogênicas ou iatrogênicas.

Os sinais clínicos observados incluem hematúria, polaciúria, disúria ou estrangúria, distensão vesical e sinais de uremia, como vômitos, anorexia, letargia, fraqueza e anúria.

O diagnóstico da doença pode ser realizado por meio de urinálise (hematúria, presença de células inflamatórias, bactérias ou cristais), hemograma (aumento da uréia e creatinina no decorrer do quadro obstrutivo) urocultura, ultrassonografia (diagnóstico de cálculos vesicais, dilatação pélvica e a integridade do trato urinário) e radiografia.

O prognóstico irá depender do tempo em que o animal está obstruído, se há complicações e da gravidade, animais que apresentam azotemia possuem maior risco de óbito. Para prescrever o tratamento adequado e a prevenção da DTUIF é necessário primeiramente reconhecer a causa principal e após isso, reparar os fatores predisponentes como, manejo alimentar, aumentar a ingestão de líquido para diluir a urina, fornecer alimentos úmidos e modificações ambientais. (PEREIRA, 2009).

4. Urolitíase: Causa mais comum de obstrução do trato urinário inferior, é definida como a formação de sedimento, ocorre em decorrência da precipitação de minerais no sistema urinário.

Relacionada com manejo incorreto, dieta, obesidade, raça, idade, infecção do trato urinário, sexo e estado reprodutivo.

A dieta pode interferir no aparecimento e prevenção de recidivas de urolitíases, já que afeta a densidade específica, o volume e o pH urinário.

Os gatos são naturalmente predispostos a formação de urólitos em razão da forte concentração de sua urina. Essa concentração deve-se, em grande parte, a baixa ingestão de água. Isso, devido aos felinos possuírem origem desértica, e adaptaram-se a consumir pouco líquido, formando um pequeno volume urinário diário.

Animais alimentados basicamente com dietas ricas em proteínas de origem animal, tendem a produzir urina ácida, podendo ocorrer a formação de cristais de oxalato de cálcio, e animais que são alimentados com dietas ricas em cereais e vegetais, de um modo geral, tendem a formar uma urina alcalina que pode levar a formação de cristais de estruvita.

Gatos com urolitíase apresentam disúria, polaciúria, urina ectópica, hematúria, sem sucesso em micção, o gato permanece inquieto e lambe bastante o pênis, no prepúcio pode ocorrer a presença de partículas semelhantes a grãos de areia, angustia, anorexia, hipotermia e ausência de libido ou ereção. Durante o exame clínico pode sentir a vesícula urinária repleta.

O diagnóstico é realizado pelos sinais clínicos, radiografia, ultrassonografia, cistoscopia e exames laboratoriais. O tratamento se baseia em aliviar a obstrução, corrigir os efeitos sistêmicos da uremia e prevenir sua recidiva.

4. Cistite idiopática felina: é uma doença frequente em gatos domésticos a qual não se conhece a etiologia da doença, pode estar relacionada com o estresse. Os sinais clínicos são inespecíficos como periúria (urinar em locais inapropriados), polaciúria, estrangúria, disúria, hematúria e algumas vezes sinais de obstrução. A doença pode apresentar frequentemente recidiva e cronicidade.

O diagnóstico é realizado por meio do histórico clínico, exame físico e exames complementares, entre eles a urinálise, hemograma e bioquímico, radiografia, ultrassonografia e cistoscopia.

Como a doença é idiopática, o tratamento é sintomático com analgésico, antibióticos, mudanças no ambiente, manejo nutricional procurando aumentar a ingestão de água, podem ser utilizados também tratamentos alopáticos, homeopáticos e fitoterápicos.

PREVENÇÃO:

1. ESTRESSE: 

Estresse é o conjunto de reações de um organismo frente a estímulos físicos, psicológicos, sociais e metabólicos capazes de perturbar a homeostase. A personalidade felina é formada através da interação complexa de diferentes fatores que incluem a genética e as condições ambientais. Os gatos são animais solitários e possuem hábitos de caça, sendo assim muitas vezes não toleram a presença de outros animais no mesmo ambiente. A limitação de espaço sem enriquecimento ambiental nas casas impede que esses animais tenham seus comportamentos naturais expressado, deixando-os estressados.

O estresse pode se manifestar em sinais fisiológicos como taquipneia, midríase, episódios de diarreia ou vómitos e ainda sinais comportamentais como irritabilidade, agressividade e mudança de postura. Se o estresse se torna crônico pode ocorrer manifestação nos hábitos alimentares além de gerar problemas sistêmicos, incluindo as doenças no trato urinário.

O estresse pode ser reduzido com atitudes simples como o enriquecimento do ambiente em que o animal vive com brinquedos, petiscos, instalação de prateleiras, arranhadores e esconderijos. Fornecimento do alimento e água em locais calmos no qual o gato se sinta confortável e seguro, além de dispor de caixas de areia e áreas de descanso em locais diferentes.

2. NUTRIÇÃO:

Os gatos descendem de uma espécie selvagem africana, os quais possuíam o hábito solitário e caçavam várias vezes ao dia com pequenas presas. São carnívoros estritos, necessitam de elevadas quantidades de proteínas e requerem aminoácidos específicos como a taurina, arginina, metionina e cisteína.

O manejo alimentar correto dos gatos é de extrema importância, tendo em vista que o sistema urinário dos felinos é propenso a concentrar urina, o que favorece a formação de cálculos urinários. É indispensável o estímulo para o animal ingerir água, observando a preferência do animal, fornecendo fontes com água limpa, em local em que o animal se sinta calmo e seguro. (GUABI, 2013)

O número de vezes em que o animal se alimenta pode estar relacionado com a ingestão de água, desta forma, oferecer o alimento mais vezes ao dia pode auxiliar na prevenção e controle de afecções no sistema urinário.

As dietas para pacientes com doença renal têm por objetivos minimizar a formação de catabólitos proteicos; prevenir e reduzir sinais e consequências das uremias; deter ou retardar a progressão da doença; prevenir o acúmulo de fósforo e sódio; fornecer os requerimentos calóricos por meio de fontes de gordura e carboidratos e repor as perdas vitamínicas decorrentes da poliúria. Assim, as dietas específicas são constituídas de proteínas de alto valor biológico e baixos teores de sódio e fósforo. Algumas delas ainda são acrescidas de compostos que contribuem sobremaneira na manutenção do animal, como ácidos graxos essenciais (ômega 3 e 6), vitaminas lipossolúveis, fibras que nutrem bactérias que consomem nitrogênio, alcalinizantes, entre outros (JERICÓ et al., 2015).

A dieta também pode interferir tanto beneficamente quanto negativamente nas urolitíases, já que os ingredientes influenciam no volume, pH e na concentração de solutos da urina. O principal objetivo para evitar a formação de urólitos é a subsaturação da urina, sendo alcançada através da diluição da mesma.

O tipo de dieta, de acordo com o seu teor de água, é um fator a ser levado em consideração ao selecionar o alimento para o felino. Sabe-se que animais que se alimentam com uma dieta úmida têm maior aporte de água ao seu organismo, reduzindo a concentração urinária. Dietas pouco úmidas ou secas podem predispor a urolitíase (HOUSTON, 2007).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O sistema urinário desempenha funções extremamente importantes para o organismo e é fundamental a instrução dos proprietários para fornecer um alimento adequado, permitir que os gatos expressem seu comportamento natural e ofertar um ambiente enriquecido e apropriado, o manejo e nutrição adequados permitem o bem-estar e a manutenção da saúde desses animais. 


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