domingo, 25 de fevereiro de 2018

Histórico das dietas comercias para cães e gatos

Eduarda Lorena Fernandes ¹, Nayara Ostapechen², Daniele Cristina de Lima³

¹ Graduanda em Zootecnia – UFPR. E-mail: eduarda_lorena@hotmail.com 
² Mestranda em Zootecnia – UFPR. E-mail: nayostapechen@gmail.com 
³ Doutoranda em Zootecnia – UFPR. E-mail: daniele.escrobot@gmail.com 

INTRODUÇÃO

As dietas comerciais representaram 6,6 bilhões do faturamento da alimentação de cães e gatos com residência fixa em 2006, já no ano de 2016 esse número aumentou para 18,9 bilhões, sendo a principal fonte nutricional para esses animais, que aumentaram conforme os anos. O Brasil tem posição de destaque na produção de alimentos balanceados para animais de companhia. É o segundo maior produtor no mundo com aproximadamente 3,2 milhões de toneladas/ano, apresentando mais de 500 marcas diferentes, 287 laboratórios e 87.170 empresas que compõem a rede de comercialização (Abinpet, 2016).

Anteriormente, os investimentos em indústrias pet eram escassos. Entretanto, hoje a produção de alimentos para animais é tão exigente quanto à fabricação de alimentos humanos. Todo o processo é rigorosamente estudado para que haja satisfação do mercado cada vez mais exigente pensando na qualidade da matéria prima, fator muito importante para a produção. Cereais, carnes, peixes chegam a fábricas como coprodutos, onde são separados de acordo com suas características individuais, nutricionais, bacteriológicas e de digestibilidade. Com isso, as linhas de produção seguem a conduta de sanitariedade, desta forma tornando-se inovadoras e seguras, com ajuda de máquinas e equipamentos nos quais, diminuem possíveis erros garantindo qualidade do produto final. (VB Alimentos).

Início Das Dietas Comercias

No início da domesticação, cães e gatos eram alimentados de acordo com a disponibilidade de seus proprietários. Eram fornecidos restos de caça, sopa preparada com sebo, ovos, peixes, cereais, ossos e pães umedecidos. Durante o inverno o queijo era o produto mais utilizado, pois possuía alto teor de lipídeos, proporcionando-os maior teor de energia. O tipo de alimento dependia da sazonalidade e da condição financeira dos tutores, não mantendo um padrão de dieta e dificilmente atingindo as exigências nutricionais de cada animal. (Blog do Cachorro, 2015).

As dietas comerciais mais parecidas com o que observamos hoje, tiveram início com o eletricista James Spratt. Em viagem para Londres ele percebeu que os cães do navio alimentavam-se de restos de biscoitos que os passageiros deixavam. Constatado isso, no ano de 1860 o norte-americano começou a fazer biscoitos assados a base de farinha de trigo e carne. Com o início da produção de biscoitos assados, outras variedades também foram criadas como alimentos úmidos e enlatados a partir de carne de cavalo auto clavada, introduzidos no mercado pela Ken-L-Rationea devido à alta quantidade de cavalos mortos em decorrência da primeira guerra mundial. Somente partir de 1950, após a segunda guerra mundial, começaram a aparecer no mercado as primeiras dietas extrusados nos Estados Unidos. Estes alimentos eram cozidos sob alta pressão, umidade e temperatura com controle de textura, densidade e formato proporcionando melhor digestibilidade e grande atratividade para os pets. (Blog do Cachorro, 2015). Estes já se pareciam mais com os comercializados atualmente.

Com o passar dos anos, a preocupação dos tutores para com os seus animais de companhia, fez com que a dieta e a nutrição dos mesmos fossem aperfeiçoadas, atendendo assim as necessidades nutricionais e de mantença de cães e gatos.

Evolução das dietas comerciais

A partir da produção de biscoitos por James Spratt, variedades de biscoitos, petiscos e alimentos recheados foram surgindo e tomando conta do mercado pet food. Hoje, a indústria deve obrigatoriamente obedecer às exigências de qualidade em todas as etapas da produção, desde a recepção da matéria prima, formulação e expedição do produto. Todo o processo é realizado com regras rígidas de conduta e segurança sanitária. (VB Alimentos).

Com o aumento da exigência no mercado pet, iniciou-se a produção de alimentos diferenciados, que além de atender as exigências nutricionais básicas, também tem apelo funcional, oferecendo efeitos benéficos a saúde (Borges et al, 2003). Assim, surgem alimentos para filhotes, adultos, idosos ou de diferentes raças. Também surgem dietas especificas para o auxílio de tratamento de algumas doenças, como problemas gastrointestinais, diabetes, obesidade, trato urinário inferior, trato renal e transtornos articulares. (ProPlan, 2017). Além disso, as dietas podem ser divididas em padrão, premio e super premio, diferindo em qualidade de matéria prima e porcentagem de nutrientes, ainda, podendo ser seca, úmida e semiúmida.

Com novos nichos de mercado surgindo, apareceram novos tipos de alimentos para animais de companhia como a dieta GrainFree. Este alimento possui ideologia de respeitar a natureza carnívora dos cães e gatos, livres de grãos e transgênicos, contendo em sua composição altos níves de proteínas e lipídeos e baixo teor de carboidratos. Além disso, este tipo de dieta pode conter mandioca e batata proporcionando melhor digestão para os animais.

A indústria pet começa a produzir alimentos que além de diversificar sabores, atenta-se a qualidade da matéria prima, suplementação com aditivos que auxiliem na saúde dos pets e menor quantidade ou ausência de corantes artificiais. Assim, houve demanda por adição de componentes como o extrato de plantas da Yuccaschidigera que é um possível antibacteriano e utilizado para reduzir o odor fecal proveniente de substâncias geradas por bactérias endógenas e de substratos não digeridos na degradação de proteínas (Rocha, 2008). Ainda, a adição de Zeólitas em dietas, é um aditivo utilizado para melhores resultados de digestibilidade, escore fecal e redução no odor das fezes, como existente nas dietas premio e superpremio. (Aquino,2010).

O mercado pet está avançando e chegando cada vez mais próximo a alimentação humana, com dietas naturais e caseiras, por exemplo. Dando foco nos alimentos funcionais, nos quais além de terem funções nutricionais básicas, possuem efeitos benéficos para a saúde sem ter inclusão de medicamentos, diminuindo riscos de doenças e/ou ajudando no tratamento das mesmas para o bom desenvolvimento das reações metabólicas (Borges et al., 2003). Um novo nicho de mercado que vem crescendo com tutores adeptos de dietas mais próximas do que os animais encontravam na natureza, buscando assim, a ancestralidade dos cães e gatos.

Considerações Finais

Mesmo com a grande melhoria e inovação da indústria pet, muitas das etapas de processamento baseiam-se em ideias antigas, como a empresa Spratt´s Patent Limited criada em 1890, e em 1950 já produzia biscoitos em formatos de ossos a fim de fazer algo inovador e ao mesmo tempo diversificado e nutritivo. Atualmente, são produzidos alimentos nutricionalmente balanceados de acordo com a necessidade de cada animal, diferentemente dos produzidos antes de 1950, em que não eram conhecidas as necessidades de cada espécie animal.

Referências Bibliográficas
Adriana Augusto Aquino; Flávia Maria Borges Saad; Gustavo Vaz Corrêa Maia; Janine França; Lídia Marinho Silva Lima; Natália Charleaux. Zeólitas e Yucca schidigera em rações para cães: palatabilidade, digestibilidade e redução de odores fecais. R.Bras.Zootec, v.39, n.11, p.2442-2446, 2010
Flávia M. de Oliveira Borges; Rosana M. Salgarello; Tatiane M. Gurian, (2003). Recentes avanços na nutrição de cães e gatos. Maurício Adriano Rocha.Biotecnologia na nutrição de cães e gatos. R.Bras.Zootec.v.37.p43-48, 2008 
ABINPET- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE PRODUTOS PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO-2016. Dísponível em < http://abinpet.org.br/site/faturamento-2016-do-setor-pet-aumenta-49-e-fecha-em-r-189-bilhoes-revela-abinpet/ >. Acesso em: 05/10/2017
HISTÓRIA DA RAÇÃO PARA CACHORROS-2015. Disponível em . Acesso em: 08/10/2017. 
PRO PLAN - SAÚDE E NUTRIÇÃO. Disponível em < https://www.purina-latam.com/br/proplan/saude-e-nutricao.html > Acesso em 05/10/2017 
VB ALIMENTOS – PROCESSO DE PRODUÇÃO. Disponível em . Acesso em 05/10/2017